Opinião e Estudo

Artigos de opinião

Um outro vírus que, de igual forma, entra pela nossa casa, nos cai nas mãos, de forma muito silenciosa e subtil. Um vírus também ele invisível. Olhamos para ele, tocamo-lo e ele, sorrateiramente, corrompe-nos a alma e tira-nos a liberdade de sermos o que realmente somos.
Peter e Mary, chamemos-lhe assim, tinham discutido no automóvel, durante a viagem para o hospital, acerca de quem devia lavar a loiça. O facto seria banal e passaria despercebido se esta história não fosse “a minha história” também, a história corrente de cada um de nós. Daí a “pandemia” que gerou.
A minha resposta foi simples e direta: “Não acredite nelas... São obra de mentes doentias ou fanáticas. Acredite somente nas palavras de Jesus no Evangelho. E fique em paz”.
Para mim, o padre Gaspar foi muito mais do que um amigo que agora parte. Só não digo para sempre, porque a fé que ele me ajudou a cultivar e a viver, me garante que a eternidade, com a morte, se vai tornando mais próxima, à medida que se quebram as barreiras do tempo e do espaço.
Mas será que fazer o mal causa cansaço? Aos homens, sim. Podemos garantir que os gestos ou os atos que se praticam com maldade, por serem semelhantes às atitudes para trabalhar, cansam.
Esta experiência espiritual é particularmente importante neste tempo assombroso de crise mundial por causa da pandemia. Estamos a passar por um inverno em vários sentidos.
No dia em que toda esta pandemia se estendeu a Portugal, recordei os meus companheiros de missão na Etiópia e toda aquela messe de pessoas que ali vivem. Pensava “Se aqui os numerosos casos se multiplicam num piscar de olhos, como será na missão?”.
“O drama que estamos a atravessar impele-nos a levar a sério o que é sério, a não nos perdermos em coisas de pouco valor; a redescobrir que a vida não serve, se não é para servir. Porque a vida mede-se pelo amor”
Os sem-abrigo Estacionados e isolados Num parque vazio de carros Na cidade deserta de multidões Privados de casa e da família
O brilho do sol torna-se mais fascinante, quando me lembro de que não tenho permissão para sair à rua, até novas ordens em contrário: parece tentação; agora, quando não posso, é que me apetece mais sair.
Nesta Semana, no Getsémani, vemos Jesus a orar, angustiar-se, a suar sangue, ser flagelado, zombado, coroado de espinhos e a morrer na cruz. E a perguntar por que foi abandonado do Pai.
Vejamos: primeiro o veneno, a seguir um primeiro antídoto temporariamente eficaz, e depois o antídoto definitivo.
Há ajudas, muitas; é só – lá está – procurar. Dou só um pequeno exemplo: a editora Paulus está a disponibilizar alguns livros gratuitamente para quem está confinado a casa.
Sendo o Homem corpo e espírito, devendo o corpo estar sujeito à vontade para alcançar um bem maior, deverá esforçar-se por compreender qual é e onde está esse verdadeiro bem.
A pandemia leva tanta gente a abraçar e fazer coisas diferentes e melhores. Os estudiosos têm campo imenso para avaliar esses efeitos sobre os indicadores da saúde, poluição, corrupção, prática religiosa, progresso progressista mal parado e mais mortífero, questões fraturantes.
Não é nova na história da Igreja a impossibilidade de ir à igreja e de se reunir em assembleia. No seu livro “Onde dois ou três...”, Chiara Lubich (1920-2008), fundadora do Movimento dos Focolares, cita antigos escritos cristãos da época das perseguições onde se ensina como alimentar a fé e ajudar-se em tais situações.
Deus, lembrou D. Américo Aguiar, está nos médicos, enfermeiros e todos aqueles que todos os dias estão a ajudar o próximo.
A vida e as atividades da comunidade cristã transferiram-se agora temporariamente para a família, embora esta sempre tenha sido e continue a ser “Igreja doméstica”, onde se vive, se testemunha e se comunica a fé, se escuta e transmite a Palavra de Deus.
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