Jejum da Eucaristia, comunhão com Jesus na Igreja doméstica

A vida e as atividades da comunidade cristã transferiram-se agora temporariamente para a família, embora esta sempre tenha sido e continue a ser “Igreja doméstica”, onde se vive, se testemunha e se comunica a fé, se escuta e transmite a Palavra de Deus.

Devido ao estado de emergência sanitária e consequente cancelamento das missas comunitárias, muitos fiéis católicos não podem participar pessoalmente na celebração dominical e nem mesmo de semana. Podem fazê-lo através dos meios de comunicação social e pela internet, em que há uma oferta local e nacional abundante. Alguns estão inconformados e lamentam-se. É bom que sintam essa falta. Significa que valorizam o Sacramento e têm fome de Jesus, da comunhão com Ele e da sua ajuda para o medo e a angústia que se está a viver. Mas não podem deixar de viver o amor a Deus, ao próximo e a si próprios que a grave situação reclama.

A vida e as atividades da comunidade cristã transferiram-se agora temporariamente para a família, embora esta sempre tenha sido e continue a ser “Igreja doméstica”, onde se vive, se testemunha e se comunica a fé, se escuta e transmite a Palavra de Deus, se pratica a caridade entre os seus membros e com as pessoas de fora, especialmente os pobres, os doentes e os mais necessitados de ajuda. E se faz oração.

O essencial da Eucaristia é o encontro e a comunhão com Cristo vivo na comunidade cristã. Na celebração sacramental, segundo a fé da Igreja Católica, Jesus Cristo torna-se presente e comunica-se de vários modos: na assembleia reunida, na Palavra proclamada, no sacerdote e no pão e vinho consagrados. É por esta variada presença que os fiéis comungam, ou seja, recebem-no e Ele se torna para eles santidade e força de vida, a fim de viverem em Deus, sendo testemunhas e instrumentos de iluminação e transformação da família e do mundo segundo Deus.

Não podendo agora participar presencialmente na Eucaristia, os fiéis têm a possibilidade de se encontrarem com Cristo vivo que se torna presente nos seus corações de discípulos, na escuta e meditação do Evangelho, no amor aos irmãos e também na comunidade familiar. Além disso, quando assistem à missa pelos meios de comunicação social ou pela internet ou passam diante de uma igreja onde há um sacrário, mesmo à distância, por um ato de fé na presença sacramental de Jesus Cristo, eles podem fazer a comunhão espiritual ou de desejo, experimentando os mesmos frutos da comunhão sacramental, pois, como ninguém, Jesus sabe dar-se a quem nele acredita, o busca e o quer presente na sua vida.

As famílias podem também criar as condições e experimentar a comunhão espiritual com Jesus nas suas próprias casas, mediante o amor entre si e a oração em comum. O próprio Jesus prometeu: «Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 19-20). Assim, na “oração feita a Deus em comum”, a família torna-se “como que o santuário doméstico da Igreja” (AA11) onde Cristo vivo se torna presente e se dá através da comunhão espiritual.

As expressões de piedade e espiritualidade familiar tem relação direta com a vida quotidiana e as vicissitudes por que passa cada um dos membros da Igreja doméstica e todos juntos. São João Paulo II deixou-nos este ensinamento: “A oração familiar tem como conteúdo original a própria vida de família, que em todas as suas diversas fases é interpretada como vocação de Deus e atuada como resposta filial ao Seu apelo: alegrias e dores, esperanças e tristezas, nascimento e festas de anos, aniversários de núpcias dos pais, partidas, ausências e regressos, escolhas importantes e decisivas, a morte de pessoas queridas, etc., assinalam a intervenção do amor de Deus, na história da família, assim como devem marcar o momento favorável para a ação de graças, para a impetração, para o abandono confiante da família ao Pai comum que está nos céus. A dignidade e a responsabilidade da família cristã como Igreja doméstica só podem, pois, ser vividas com a ajuda incessante de Deus, que não faltará, se implorada com humildade e confiança na oração.” (FC 59)

Para ajudar as famílias na prática da oração, a Diocese de Leiria-Fátima acaba de publicar um livrinho com o título “Oração em Família”, disponível na livraria Gráfica de Leiria e na maioria das paróquias. Tem as orações básicas do cristão e várias propostas para cultivar diariamente a relação com Deus, pessoalmente e em família, desde a manhã até à noite. Inclui a invocação da bênção sobre a mesa, formulários para vários momentos, oração com a Palavra de Deus, o Rosário e ainda preces para a visita da imagem da Sagrada Família a cada casa. Estará disponível também no sítio da Diocese na internet.

Pais e filhos aproveitem então este tempo de “quarentena” para viver mais profundamente a sua condição e graça de “Igreja doméstica”. Louvem a Deus, dêem-lhe graças e implorem os dons divinos para si e para a humanidade. Escutem e meditam juntos a Palavra de Deus. Contactem com o pároco por telefone ou pelas redes sociais. Alimentem o amor que os une, cuidem uns dos outros, descubram novas possibilidades e explorem talentos desconhecidos para a comunhão e comunicação, multipliquem os momentos de oração em comum, lembrem-se dos outros, vizinhos ou mais distantes, e, pelas formas agora possíveis, traduzam em comunicação, apoio e partilha o amor por eles.

Esta quaresma extraordinária imposta pelas difíceis circunstâncias atuais deverá constituir para a família uma oportunidade para descobrir novas possibilidades de aprofundamento da própria espiritualidade e de crescimento na vivência cristã. Depois, quando voltarem a reunir-se com os outros cristãos da sua comunidade e o seu pastor para celebrarem juntos a Eucaristia será uma nova páscoa de alegria e fraternidade na presença e comunhão com Jesus ressuscitado. E serão muitos os frutos para a vida da Igreja e para a irradiação do Evangelho.

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