Pazes

Peter e Mary, chamemos-lhe assim, tinham discutido no automóvel, durante a viagem para o hospital, acerca de quem devia lavar a loiça. O facto seria banal e passaria despercebido se esta história não fosse “a minha história” também, a história corrente de cada um de nós. Daí a “pandemia” que gerou.

Segundo consta, a fotografia do momento de carinho do casal de médicos, já preparados e protegidos para cuidarem dos seus doentes infetados com corona-19, correu mundo. Este episódio faz parte de uma história. 

© Nicole Hubbard via Associated Press

Peter e Mary, chamemos-lhe assim, tinham discutido no automóvel, durante a viagem para o hospital, acerca de quem devia lavar a loiça. O facto seria banal e passaria despercebido se esta história não fosse “a minha história” também, a história corrente de cada um de nós. Daí a “pandemia” que gerou. 

De facto, e é bom reconhecê-lo, lavar a loiça é um trabalho importante. Não necessita de tantos estudos, nem de tanto sentido da responsabilidade como a medicina, por exemplo. Basta constatar que nunca um juiz processou alguém por não ter lavado a loiça. Porém, não deixa de ser um trabalho exigente, monótono, solitário, cansativo e, sobretudo, obscuro, que passa incógnito. Quem pergunta pela pessoa que lavou bem a loiça, a enxugou e a arrumou no armário? Mas, sim, queremos saber o nome do médico que foi capaz de curar certa doença. E, no entanto, quem lava a loiça (ou confeciona o jantar) proporciona descanso e um conforto familiar que evita discussões e promove a paz no lar. Que bom é chegar fatigado do trabalho e ter à sua espera rostos sorridentes, uma refeição quente… um ambiente sereno, paz.

Peter e Mary perceberam isto e muito mais, assim como aqueles que viram a fotografia já referida e a tornaram sua, captando a mensagem nela subjacente. Lavar a loiça é um trabalho de amor, tal como é cuidar das pessoas apanhadas pela pandemia, aspirar o chão, construir uma ponte… Todos iremos morrer um dia por melhor que seja o médico que nos acompanhe. A vida pode continuar mesmo sem pontes, cabelos artisticamente penteados, perfumes, gelados, gasolina, espetáculos… tal como muitos estamos a viver agora. Claro que é bom podermos ter acesso a tudo isto e muito mais. Também o descanso, com as suas paragens no trabalho e divertimentos, é absolutamente necessário à vida humana. Mas não podemos descurar o segredo que está escondido na ação de “lavar a loiça”: o amor. E foi isso que ficou evidente na fotografia anónima – não conseguimos reconhecer as feições – de Peter e Mary, na fotografia de mim e de ti, sempre que lavamos a loiça.

A guerra separa. A paz atrai. A foto tornou-se atrativa para tanta gente porque manifesta um amor verdadeiro que anseia pela paz, harmonia e compreensão. É aqui, na família, ao lavar a loiça, ao limpar o pó, cozinhar que se chega à paz mundial. É conversando, cedendo, dialogando no convívio quotidiano que se aprende diplomacia.

Aquele beijo de Peter e Mary, impedido pelas máscaras de proteção, foi mais verdadeiro e real porque ambos estão mais dispostos a lavar a loiça. E mais dispostos a cuidar de doentes. Porque o amor, ao contrário do dinheiro, aumenta quando se dá.

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