Opinião e Estudo

Artigos de opinião

O dia acordou com um certo ar de tristeza: no horizonte, de certo modo dissuasórias, algumas ameaças de chuva, com temperaturas pouco entusiasmantes, para a época do ano em que nos encontramos; mas o sol irrompeu pouco depois, como que cantando vitória sobre as nuvens, para que se tornasse mais amena a temperatura e mais vivo o verde onde cantavam os passarinhos do parque.
Jesus deixou-nos a Eucaristia para se dar em comunhão aos seus discípulos, através do pão e vinho. Foi o modo que ele inventou para os unir consigo pelo seu amor. Mas também para os unir entre eles, formando juntos com ele um só corpo. Assim lhes comunica o amor e a vida de Deus, para serem suas testemunhas e mensageiros no mundo. É esse memorial do Senhor que a Igreja celebra em cada Eucaristia.

“Tomai e comei” é o dom que, também hoje, através da Igreja e dos sacerdotes, Ele continua a oferecer aos cristãos, como o fez à primeira geração dos que escolheu e amou. Ele fala deste dom do seu amor com “pão da vida”, como alimento que veio do Céu, sacia o coração humano, “dá a vida ao mundo” e “dura até à vida eterna”. Ele torna-se também, através dos cristãos, da sua ação e do seu testemunho movidos por Cristo neles, força transformadora do mundo.

A pneumónica! Ouvi muitas vezes falar dela a minha mãe, que contava como, para espanto meu, todos os dias percorria, de baixo acima, a aldeia onde nascera, para ajudar, como podia, os doentes, que, em muitos casos, eram todos os membros da família.
No registo de Deus o tempo pascal desde há dois mil anos é outro fim dos tempos permanente. Para Jesus Cristo o fim da sua vida humana, dada e tirada, o fim do seu tempo humano, deu-se na Sexta-feira Santa.
Lamenta-se com frequência o silêncio e a passividade de Deus perante o sofrimento humano. Esperava-se que, perante uma calamidade ou um acidente, Deus agisse como a proteção civil, os bombeiros, os médicos e os profissionais de saúde, socorrendo imediatamente as vítimas e curando o seu mal.
Muita coisa se pode dizer sobre viagens da vida, sobre as pessoas, os seus comportamentos, as suas diferenças (e o tanto que temos em comum). Mas pouco talvez tenha esta ida-volta de simples viagem. Não foi só isso.
O cientista pode ter fé e opinião acerca dos assuntos de fé; e o crente saber e ter opinião nos temas de ciência.
É uma Primavera contida, como contidos têm de ser todos os nossos movimentos, interiores e exteriores, nesta primeira fase de “desconfinamento”; assim lhe chamaram os técnicos, obrigando-nos a uma nova ginástica, para conseguir a harmonização da língua com os acidentes da vida.
As interrogações multiplicam-se, provocam instabilidade, geram medo, atingem a própria fé, a ponto de muitos perguntarem a si mesmos e aos outros: estará Deus ausente? Porque se mantém calado? Porque não intervém?
Não é só hoje, em tempos de pandemia, que a Igreja enfrenta murmurações e mal-estar no seu seio com críticas e confronto de posições contrapostas. É uma experiência que já vem desde as origens, na comunidade de Jerusalém, e está muito presente ao longo do percurso histórico da comunidade dos fiéis cristãos.
Todo este trabalho que os profissionais de saúde estão a fazer, é prova de que, na sociedade que muitas vezes apelidamos de ateia ou indiferente a Deus, Este está bem presente. E atua.
Vemos assim que a cultura de um povo tem muito mais a ver com os valores de vida que as diferentes gerações se transmitem do que com o que se aprende nos livros: é por isso que há muitos cientistas que não têm cultura, e muitos analfabetos de extraordinária cultura.
A adolescência é o momento de nos confrontarmos com a vocação. Temos, pais e filhos, formadores e formandos, de a reconhecer e compreender (aqui está o enigma) que somos livres de a abraçar ou de a rejeitar.
Um outro vírus que, de igual forma, entra pela nossa casa, nos cai nas mãos, de forma muito silenciosa e subtil. Um vírus também ele invisível. Olhamos para ele, tocamo-lo e ele, sorrateiramente, corrompe-nos a alma e tira-nos a liberdade de sermos o que realmente somos.
Peter e Mary, chamemos-lhe assim, tinham discutido no automóvel, durante a viagem para o hospital, acerca de quem devia lavar a loiça. O facto seria banal e passaria despercebido se esta história não fosse “a minha história” também, a história corrente de cada um de nós. Daí a “pandemia” que gerou.
A minha resposta foi simples e direta: “Não acredite nelas... São obra de mentes doentias ou fanáticas. Acredite somente nas palavras de Jesus no Evangelho. E fique em paz”.
Para mim, o padre Gaspar foi muito mais do que um amigo que agora parte. Só não digo para sempre, porque a fé que ele me ajudou a cultivar e a viver, me garante que a eternidade, com a morte, se vai tornando mais próxima, à medida que se quebram as barreiras do tempo e do espaço.
Mas será que fazer o mal causa cansaço? Aos homens, sim. Podemos garantir que os gestos ou os atos que se praticam com maldade, por serem semelhantes às atitudes para trabalhar, cansam.