Gatafunho de criança

Poema
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No papel de infinita brancura
A criança de alvura faz o rabisco de sua mãe
Não digam que não tem parecença
Porque o desenho é presença
Sinal verdadeiro de alguém

No papel de infinita brancura
Está a pessoa de candura mais amada
Ninguém ouse mostrar desdém
Pela obra de arte agora expressada
Nunca se deve profanar qualquer mãe

No papel de infinita brancura
Está a mãe com o seu filho
Nas mãos o lírio com maior brilho
Na noite do ano com mais luz
Está na gruta de Belém: Maria e Jesus

No papel de infinita brancura
Tudo são sarrabiscos do Natal
E lá está o meu traço e o meu risco
O presépio não é mistério banal
É indício divinal que antes nunca fora visto.

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