Um dia…? Nem mais um dia!

Esta é a história de uma mulher que falava com o vento. No seu íntimo, quando só, sem nada esperar, falava com o vento. Gostava de olhar pela janela ou de se abeirar da varanda e lançar-lhe perguntas, talvez para as tirar da cabeça ou para as ouvir saírem da sua boca, mesmo se não ouvia a resposta ou nem sequer o eco da sua pergunta; não havia sinal de vida fora dali e, por isso, essa mulher às vezes chorava, porque só precisava de saber que aquela brisa ainda não tinha passado, que ainda não se tinha cansado de ouvir as suas perguntas.

Um dia

Há velhas histórias, histórias importantes, que começam assim. Já não sabemos quando ou onde começaram mas “um dia” algo relevante aconteceu para que merecesse ser contado com esse suspense.

Esta é a história de uma mulher que falava com o vento. No seu íntimo, quando só, sem nada esperar, falava com o vento. Gostava de olhar pela janela ou de se abeirar da varanda e lançar-lhe perguntas, talvez para as tirar da cabeça ou para as ouvir saírem da sua boca, mesmo se não ouvia a resposta ou nem sequer o eco da sua pergunta; não havia sinal de vida fora dali e, por isso, essa mulher às vezes chorava, porque só precisava de saber que aquela brisa ainda não tinha passado, que ainda não se tinha cansado de ouvir as suas perguntas.

Um dia, o vento perguntou-lhe o que queria ela dele. A mulher, a quem o vento nunca se dirigira pelo nome, não soube responder à primeira pergunta que lhe era feita, ela que já tinha colocado tantas. Perante o silêncio da mulher, a brisa manifestou-se calorosamente e, envolvendo-a como que num abraço, disse-lhe:

– Eu estou aqui e não te abandono. Não te dou as respostas que queres mas aquelas de que precisas. Mas, para isso, precisas de saber que perguntas fazer, só assim saberás o caminho que deves percorrer para chegares à resposta de que precisas.

De facto, o vento nunca fora a favor de andar a distribuir respostas, preferia apresentar caminhos; mas aquilo de que o vento mais gostava era de se fazer companheiro de viagem, não obstante as dificuldades que o caminho por onde a mulher andava pudessem trazer; era daquele abraço caloroso, no meio do silêncio, que ele gostava.

Combinaram, então, encontrar-se mais vezes e a mulher aprendeu a não se deixar sufocar pela demora das respostas mas a apreciar as perguntas que fazia.

Foi então que, um dia, o vento voltou para um novo encontro e disse à mulher, vendo-a demasiado contemplativa:

– As perguntas só fazem sentido se te levam a buscar, se dão início a uma viagem até à raiz do teu ser, para que possas alimentá-las de forma saudável para um dia vires crescer os frutos saborosos que tanto esperas. Não queiras passar uma vida a olhar a copa da árvore à espera de veres as flores e os frutos (aquilo que é agradável de se ver, de se cheirar e de se saborear) sem dares de beber à raiz e, para isso, também precisas de conhecer a sua profundidade; se a água que lhe dás não é suficiente ou é demais para a necessidade que tem então não a olhaste bem, com olhos de quem Vê por dentro.

E foi então que, n’um dia que parecia não ter absolutamente nada de diferente em relação a tantos outros, a mulher pensou: “um dia vou parar de esperar por mais ‘um dia’! Vou estender à vida as minhas mãos e dizer: aqui estou, por onde começo?”, porque compreendeu que não podia aguardar pelo dia perfeito, com a temperatura perfeita, com a luz perfeita se queria sentir, ser e fazer diferente!

E foi naquele dia que ela parou de dizer “um dia”, e agora também já não precisava de palavras para falar com o vento pois sabia que ele estava ali: bastava-lhe sorrir e entendiam-se, num sorriso fundo de quem se abraça por dentro.

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