Perfil de Filomena Carvalho

Filomena Carvalho tem 40 anos, é casada, mora nas Cortes e é docente na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG).

Atualmente, integra a equipa que colabora com o Centro de Apoio ao Ensino Superior (CAES) e, desde há quatro anos, é ministra extraordinária da Sagrada Comunhão. Na presidência voluntária que assume na interMEDIAR, Associação Mediadores do Oeste, tem descoberto “uma forma cristã de estar no mundo”, no acolhimento que faz às pessoas que procuram a ajuda daquela instituição para a resolução de conflitos. Exerce a sua ação na Igreja de diferentes formas e em várias comunidades, mas assume não pertencer a nenhuma em concreto, mas a todas.

Filomena nasceu em Moçambique, cinco meses depois da revolução de abril de 74. Era a primeira de três filhos. Apesar da sua permanência naquele país não ter durado mais que dois meses, período após o qual veio para Portugal, faz questão de a assinalar. A relação umbilical com Moçambique continua viva no desejo que tem de regressar em viagem à terra que a viu nascer, uma concretização que inclui a companhia do pai.

A família veio morar para os Andreus, na paróquia da Barreira, onde viveu a infância e adolescência. A importância da família é reconhecida. “Os meus pais e os meus irmãos são um grande exemplo para mim… Nos seus limites e qualidades, ajudaram-me a fazer caminho”. O regresso à infância fá-la recordar uma das opções que mais contribui para a pessoa que hoje é: a entrada no escutismo.

O Escutismo

Foram os pais de Filomena que desafiaram, numa ida a Fátima, os filhos a serem escuteiros. O convite foi aceite e, com dez anos, ingressou no agrupamento 127, da Sé de Leiria. Ainda é escuteira, agora como dirigente e formadora do Corpo Nacional de Escutas (CNE). No serviço ao movimento, passou ainda pela Cruz da Areia e pelos Parceiros, agrupamento que integra na atualidade. “Sou uma escuteira cidadã do mundo”. A maneira como fala do escutismo transparece a importância incontornável que o movimento assumiu na sua vida, referência que assume enquanto recorda a mensagem de felicidade que Baden Powell (BP), o fundador do escutismo, deixou na última carta que escreveu. “A mensagem de BP fez-me acreditar que é possível deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos e isso mudou-me”.

Despertar da fé

Filomena é uma pessoa de fé. Nas pequenas estórias da sua vida, consegue reconhecer a presença de Deus e as graças que Ele lhe foi dando: “os amigos, o trabalho, a família, a vida”. Esta consciência brotou aos 26 anos, quando teve um “despertar da fé”. Até aí, considera ter sido uma jovem cristã que “não pensava muito em Deus”. “Deus incomodou-me um bocadinho e coloquei muitas questões sobre o sentido da minha vida e sobre a presença d’Ele”. A reboque da interpelação que sentia, vieram as perguntas: quem sou? O que faço? Para onde vou?

Para este questionamento existencialista, contribuíram um conjunto de fatores, que se concentraram na mesma altura: o fim do curso superior, o início do percurso profissional, alguns problemas de saúde,… A circunstância criou uma “porta escancarada de reflexão sobre tudo na vida”, oportunidade que levou Filomena a interrogar-se sobre a sua vocação. No horizonte de possibilidades, estava a vida religiosa ou de leiga consagrada e o casamento. “Estava a precisar de uma catequese personalizada, que me foi dada por estas ações e pelas conversas que fui tendo com sacerdotes, religiosas e amigos”. Fez retiros espirituais, com jesuítas, fez o “Descobre-te a ti mesmo” – uma formação de auto conhecimento promovida pelo movimento Novahumanitas – e começou a frequentar a Escola Razões da Esperança.  Neste processo de discernimento vocacional, sentiu a necessidade de viver sozinha durante algum tempo, numa espécie de “ano sabático”, que a conduziu a um “sim vocacional vivo e consciente”.

A vocação

Foi no final deste período que conheceu a pessoa com quem casou. Esta presença “desconcertou” a vida sobre a qual tinha vindo a refletir. O conhecimento mútuo, vivido no namoro através do diálogo, levou Filomena a perceber que o seu caminho vocacional passava pela vida conjugal. Depois de ano e meio de um “namoro verdadeiro”, casou. “A plenitude do dia, concretizada pelos pormenores da relação”, dão-lhe a certeza diária de que o Matrimónio é, de facto, a sua vocação, certeza que renova a vontade de fazer caminho através da vida em casal.

Ser Igreja pelo acolhimento

A análise “microscópica” que faz das suas ações é uma característica que ainda hoje a define. Ao olhar para trás, Filomena reconhece em si uma rapariga muito alegre e impulsiva, mas mais distante das pessoas. “Hoje vejo-me mais consciente dos meus limites e do acolhimento.”

Na exigência que tem de si própria, sobretudo no facto de querer ser uma “verdadeira mensageira da mensagem de Cristo”, Filomena considera que está mais próximo de Deus e daquilo que Ele quer para si, mas que, mesmo assim, está longe da expectativa que tem do seu percurso na Igreja. “Para mim, o ser Igreja passa sobretudo por desenvolvermos a nossa capacidade de acolher, para dignificarmos cada pessoa”. “Tenho ainda um longo caminho para fazer”, ajuiza.

O tom comovido com que foi contando o seu percurso, revela sinceridade, evidente na auto análise que faz. “Podia fazer mais e melhor”. A exigência inconformada com que olha a profissão da sua fé é pessoal, mas a prova diária e a sua ação prática é comunitária e está presente no testemunho cristão que dá: na família, na profissão e vida em geral.

Paz, família, amigos e Deus:

Ao longo da nossa conversa, as palavras que a Filomena mais referiu foram: paz, família, amigos e Deus. No final, pedimos-lhe que falasse sobre cada um deles:

Paz:

“Permite-nos ver mais claro o sentido de bem comum, porque não pode ser concebida de uma forma egoísta, pelo sentido de comunhão e comunidade que reflete”.

Família:

“A célula base da sociedade. Famílias felizes e realizadas, contribuem para uma sociedade com mais valor”.

Amigos:

“Tenho o privilégio de ter amigos extraordinários, que me fazem crescer muito e que estão lá, nos momentos bons e menos bons”.

Deus:

“Uma vez disseram-me que Deus é mistério e por isso ainda O estou a descobrir”.

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