Perfil de Ana Lúcia Pedrosa

Ana Lúcia Francisco Pedrosa, tem 32 anos e é chefe do Agrupamento 1077 de Monte Real do Corpo Nacional de Escutas (CNE).

Durante seis anos, colaborou no Curso de Iniciação Pedagógica (CIP), na formação de dirigentes escuteiros na região. Mas nem só ao movimento escutista se dedica. Na paróquia de Monte Real, de onde é natural, pertence ao Conselho Pastoral Paroquial, dá catequese e ensaia o coro litúrgico da comunidade onde vive, na Serra de Porto de Urso. Foi lá que nos encontrámos para conhecer as motivações que a fazem participar, de uma forma determinada e diligente, nas várias dinâmicas paroquiais em que participa. Ana gosta de se desinstalar e aceitar novos desafios.
Ana sempre viveu na Serra do Porto de Urso e essa ligação com a comunidade faz-se notar nas múltiplas atividades que ajuda a dinamizar. Este vínculo esteve sempre garantido, mesmo durante o seu percurso académico, durante o qual, depois de frequentar a escola da terra, passou por Vieira de Leiria e conclui-se em Leiria, primeiro no ensino secundário e depois no ensino superior, na licenciatura de matemática e ciências. “Acabei por nunca sair da terra. Aqui, andei na catequese, no escutismo e sempre convivi de perto com a comunidade.”

As raízes

O percurso de Ana na Igreja foi sempre muito linear, mas em crescendo no aprofundamento da entrega e na fé, que lhe fora transmitida pelos pais. É uma pessoa positiva e o lema de vida que tem, mostra este otimismo: “as coisas menos boas que me acontecem, ajudam-me a caminhar para a frente… Para além disso, consigo tirar sempre algo de positivo dos momentos menos bons”. Este espírito perseverante fá-la olhar para a frente, não esquecendo o que está para trás e sempre entusiasmada pela alegria de se sentir realizada em servir. O padre David Nogueira Ferreira, pároco de Monte Real, atesta esta dedicação. “É uma pessoa disponível, ao serviço do próximo. Alguém para quem a vivência da fé faz sentido e é comprometedor. Esta entrega manifesta-se na forma como ela aceitou os vários desafios que lhe foram surgindo, uns por iniciativa dela, outros por convite.”
Ana Lúcia vive com os pais e a irmã, três anos mais nova. Já todos participaram ou participam na dinâmica eclesial. “É uma família muito prestável e com sentido de comunidade e fazem-no com a vontade de ajudar o próximo, para que juntos avancemos”, refere o pároco. O pai integra a comissão da igreja, a mãe é responsável pela catequese e são ambos catequistas. “Faço o que faço, apenas porque tenho uma família que me apoia e me incentiva.” A forma como fala da família transparece a importância que ela tem na sua vida e o ambiente de diálogo que diz viver em casa, é um dos fatores que mais contribui para esta “relação saudável”, conclui. “Contribuímos para que a nossa relação seja cada vez melhor e contamos muito uns com os outros.”

Ao serviço da comunidade

Profissionalmente, Ana Lúcia é professora de Matemática e Ciências. As dificuldades na colocação de docentes, que se agudizaram neste último ano, são para ela uma realidade há já seis anos, durante os quais, apenas conseguiu ser colocada por uma vez, em Lisboa. A tenacidade fê-la arranjar outra solução e começou a dar explicações, atividade que ainda hoje mantém e que lhe dá o sustento e lhe deixa algum espaço para se dedicar à vida paroquial.
Atualmente, é catequista do 7.ºano e dinamiza, desde o início do 2013, um projeto de catequese de adultos. “Somos um grupo de quatro catequistas que prepara, numa lógica de rotatividade, os encontros para cinco catequizandos que existem na paróquia”, explica. Ana fala da sua participação nesta ação com um carinho especial. Poder acompanhar e participar da descoberta e aprofundamento da fé destes adultos tem sido muito motivador, revela. “O grupo é composto por pessoas que, estando lá por vontade própria, têm percursos de vida distintos entre si e isto faz com que seja desafiante preparar os encontros.”
A participação de Ana no coro que anima as Liturgias, na Igreja da Serra de Porto de Urso, surgiu de uma forma natural. “Eu comecei a ir com a minha mãe e a minha avó, que já lá andava. A pessoa que tocava órgão casou e foi viver para outra paróquia e, como eu tinha formação musical e era preciso alguém que a substituísse, assumi essa função.” O coro é pequeno, mas Ana Lúcia esforça-se por trazer novidades, que são prontamente aceites pelos quase dez elementos que o compõem.
O trabalho paroquial que desenvolve atravessa diferentes gerações. Deste encontro, diz aprender muito para a sua vida pessoal.

Para a equipa e em equipa

Foi há dois anos que Ana Lúcia assumiu a chefia do Agrupamento 1077 Monte Real do CNE. Quando, em 1992, entrou para o agrupamento, um ano após a sua fundação, nunca pensou chegar um dia a chefe do agrupamento. Perante a necessidade que se fazia sentir em arranjar quem ocupasse o lugar vago e depois de muita reflexão, Ana deu um passo em frente e assumiu as funções de chefe do movimento na paróquia, que atualmente reúne cerca de 50 efetivos. “Tentamos trabalhar muito em equipa e não gosto de fazer nada sem lhes dar a conhecer e mostrar-lhes que a opinião de cada um é importante.” Este esforço coletivo, que tenta promover, aligeira a responsabilidade de dirigir o grupo, confessa.
No âmbito escutista, integrou a equipa do Curso de Iniciação Pedagógica (CIP), que formou dirigentes do CNE ao nível regional entre 2007 e 2013, uma experiência que recorda como “muito enriquecedora”. Joel Valente, que dirigiu o CIP durante este período, testemunha a entrega de Ana. “Trabalhar com ela é muito positivo. Quando lhe fiz o convite para integrar a equipa, já a conhecia como pessoa metódica, organizada e empenhada. A sua competência e disponibilidade fez com que o tempo que trabalhámos em equipa tivesse sido muito profíquo.”
A juntar a todas estas funções, acresce a sua participação no Conselho Pastoral Paroquial, que deriva do seu cargo enquanto chefe do agrupamento escuteiros.

Deixar o mundo melhor

Com tantas coisas às quais se dedica, Ana Lúcia diz que ainda tem tempo para outras tantas. “Quem tem muito que fazer, consegue organizar o tempo de maneira diferente”, justifica.
“O que é que a motiva?”, perguntamos. “Sei que, apesar do esforço que me é exigido, me sinto bem a fazer o que faço… Para além disso, é bom saber que, no final, alguém poderá ficar um bocadinho melhor com o meu trabalho. E ao fazer tudo isto, sinto-me a crescer como pessoa.”
O bem estar de quem está ao seu lado é uma das forças que mais a incentiva , mas quando lhe perguntamos qual é o segredo deste empenho, fala de uma “força da fé em Deus”, que a guia e a faz ser assim. “Se Ele me dá tanto, eu tenho de O recompensar de alguma maneira… Estar presente para os outros, é uma das formas!”

Escuteira por opção

“Se apenas me pudesse dedicar a uma coisa, seria aos escuteiros. Lá, eu sinto-me mesmo realizada. Os sábados à tarde não custam a passar.” O carinho e a amizade que tem pelo agrupamento não é o único argumento que justifica esta escolha. Pelo testemunho que ouvimos, percebemos que Ana é uma pessoa a quem o lema de Baden Powell “alerta para servir” assenta na perfeição. Assume inclusive, que a entrega às demais ações que exerce ao nível pastoral lhe poderão ter vindo do ideal escutista.

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