Morte humana e ressurreição: para Deus todos vivem

Para entendermos um pouco como será a ressurreição dos mortos, transcrevo as palavras do teólogo alemão Romano Guardini (1885-1968).

Muitos hoje focam a sua esperança na vida e no bem-estar terrenos. Iludem por isso a morte, tendem a disfarçá-la ou até mesmo a escondê-la. A prática da cremação dos cadáveres e a eliminação das cinzas ajudam nesse tipo de atitude. A morte é assim entendida como o fim da vida e nada mais se espera depois dela. Alguns, porém, ainda têm a esperança de que ela continue em novas formas por via de sucessivos renascimentos. É o que crê quem admite a reencarnação dos mortos.

Não é assim a convicção cristã. Esta afirma que a morte é apenas o fim da fase terrena da vida. Esta, transformada, continua eternamente para atingir o seu pleno desenvolvimento na comunhão com Deus e com todos os santos. A transformação final será a ressurreição. No evangelho deste domingo (Lc 20, 27-38), em diálogo com um grupo de sacerdotes judeus e em resposta à descrença destes, Jesus afirma a ressurreição dos mortos, a vida eterna e a diferença desta em relação à terrena. Segundo Jesus, os ressuscitados “são filhos de Deus”, “já não podem morrer”, “são semelhantes aos anjos”. E a razão está em que, segundo a sagrada escritura, “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; pois, para Ele, todos estão vivos”, ensina Jesus.

Para entendermos um pouco como será a ressurreição dos mortos, transcrevo as palavras do teólogo alemão Romano Guardini (1885-1968).

“Entre as diferentes formas de corporeidade existe às vezes um abismo impossível de colmatar: uma pedra não se converte em pássaro. Outras formas corpóreas, no entanto, ainda que apresentem diferenças, estão em relação vital, constituem as fases de um único desenvolvimento, como, por exemplo, a semente e a planta de que ela nasce. Neste caso, o abismo fica superado pelo mistério do grão que germina. Todavia, para o superar é necessário o que Paulo chama «o morrer». A semente deve entrar na terra e morrer nela, quer dizer, perder a sua forma, a fim de que possa nascer a nova planta.

E aqui está a passagem: o mesmo sucede com o homem. Também no homem está presente a corporeidade em duas formas: a terrena e a celestial; delas, a primeira é a semente da segunda. Também elas estão separadas pela morte. O corpo deverá ser depositado na terra e decompor-se; só então se converterá no corpo novo, celestial. Há, porém, esta diferença: a planta «nasce» verdadeiramente «da semente», das suas virtualidades e funções; não assim, pelo contrário, o corpo celestial do terrestre. Através da decomposição, a semente vive de uma maneira direta na nova planta. O corpo humano será ressuscitado depois da morte. Aqui domina outro poder, que não brota do interior da estrutura humana, mas da liberdade de Deus” (R. Guardini, Le cose ultime, Milão 1997, p. 69ss).

Esta fé na ressurreição dá-nos esperança relativamente aos nossos mortos e ao seu destino último, que é a vida na sua plenitude em Deus. Mas não diz respeito apenas ao futuro, quando seremos “semelhantes aos anjos”. Ela é, já agora, o fundamento para a nossa vida terrena do dia a dia e para a esperança de futuro melhor para a humanidade pelo qual devemos trabalhar. Ajuda-nos a não desesperar nas tribulações e fracassos nem a viver iludidos com o bem-estar alcançado. Dá-nos o sentido de que tudo é relativo e passageiro, pelo que sabemos apreciar na justa medida todas as coisas e temos confiança de que havemos de conseguir superar as adversidades com que nos deparamos na vida terrena.

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