Lectio divina para o 28º Domingo do Tempo, Ano C

No recomeçar das atividades pastorais, somos convidados pela Igreja a caminhar em conjunto, na descoberta da vontade de Deus para cada um de nós e para as nossas comunidades.

A gratidão, fonte de alegria

Lectio Divina para o Domingo XXVIII do Tempo Comum (Ano C)

Breve Introdução

No recomeçar das atividades pastorais, somos convidados pela Igreja a caminhar em conjunto, na descoberta da vontade de Deus para cada um de nós e para as nossas comunidades. É Jesus que nos guia, passa na nossa vida, nos levanta e nos impele a fazer da vida um dom a Deus e aos irmãos. Só um coração agradecido é capaz de experimentar a alegria verdadeira, e tornar-se portador dessa alegria. Neste domingo, o Evangelho convida-nos a reconhecer, com maravilha e gratidão, os dons de Deus. A “ação de graças” é uma das atitudes fundamentais do cristão, que encontra a sua máxima expressão na Eucaristia.

1. Invocação

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,
é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação
dar-Vos graças, sempre e em toda a parte
por nosso Senhor Jesus Cristo. 

Com admirável providência
ordenais a evolução dos tempos
e, com o poder do Espírito Santo,
conduzis a vossa Igreja,
para que, sempre fiel ao vosso amor,
nunca deixe de invocar-Vos nas suas tribulações,
nem de Vos dar graças nas suas alegrias,
por nosso Senhor Jesus Cristo. 

(Prefácio IX Dominical do Tempo Comum — A ação do Espírito na Igreja)

2. Escuta da Palavra de Deus

Escutemos com o coração, o que o Senhor nos diz na Sua Palavra:

2.1. Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (17, 11-19)

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

2.2. Breve Comentário

Ao longo da estrada que O leva à morte e à ressurreição, Jesus encontra dez leprosos, que vêm ao seu encontro, param à distância e gritam o seu infortúnio àquele homem em quem a sua fé intuiu um possível salvador: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!». Estão doentes e procuram alguém que os cure. Em resposta, Jesus diz-lhes que se apresentem aos sacerdotes, que, segundo a Lei, estavam encarregues de constatar uma eventual cura e anunciá-la publicamente para que quem recuperara da doença pudesse voltar à vida social. Desta forma, Jesus não Se limita a fazer uma promessa, mas põe à prova a sua fé, pois, naquele momento, os dez ainda não estão curados; recuperam a saúde enquanto vão a caminho, depois de terem obedecido à palavra de Jesus. Então, todos, cheios de alegria, apresentam-se aos sacerdotes e seguem depois pelo seu caminho, mas esquecendo o Doador, ou seja, o Pai que os curou por meio de Jesus, seu Filho feito homem.

Apenas uma exceção: um samaritano, um estrangeiro que vive marginalizado do povo eleito, quase um pagão. Este homem não se contenta com ter obtido a cura através da sua própria fé, mas faz com que uma tal cura atinja a sua plenitude voltando atrás para expressar a sua gratidão pelo dom recebido, reconhecendo em Jesus o verdadeiro Sacerdote que, depois de o ter erguido e salvado, pode fazê-lo caminhar acolhendo-o entre os seus discípulos.

3. Silêncio meditativo e diálogo

— Esta narração, por assim dizer, divide o mundo em dois: os que não agradecem e os que o fazem; os que tomam tudo como se lhes fosse devido e os que aceitam tudo como dom, como graça.

«Qualquer acontecimento e qualquer necessidade podem transformar-se em oferenda de ação de graças», diz-nos o Catecismo da Igreja Católica (n. 2638). A oração de ação de graças começa sempre a partir do reconhecer-se precedidos pela graça. Fomos pensados antes de aprendermos a pensar; fomos amados antes de aprendermos a amar; fomos desejados antes de brotar no nosso coração um desejo. Como é importante saber agradecer, saber louvar por tudo aquilo que o Senhor faz por nós!

Perguntemo-nos: somos capazes de dizer obrigado? Quantas vezes dizemos obrigado em família, em comunidade, em Igreja? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, a quem está ao nosso lado, a quem nos acompanha na vida?

— Muitas vezes consideramos tudo como se nos fosse devido! E isto acontece também com Deus. É fácil ir ter com o Senhor para Lhe pedir qualquer coisa, mas voltar para Lhe agradecer é mais raro. Por isso Jesus sublinha fortemente a falta dos nove leprosos ingratos: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (Lc17, 17-18).

A nossa ação de graças dá glória a Deus e prepara-nos para receber dons melhores. Por isso convém fomentar no nosso coração, junto com a petição cheia de confiança pelo que necessitamos, a ação de graças por tudo o que recebemos, inclusive sem termos pedido. Como dizia São João Crisóstomo, Deus “dá-nos muitos presentes, mas desconhecemos a maioria deles”. Se formos agradecidos a Deus e o louvarmos por tudo, atrairemos, para nós mesmos e para os outros, as bênçãos do Céu.

Como rezo? Sei agradecer na minha oração? Ou trato Deus como um “bombeiro”, a quem recorro somente nas aflições? Compreendo que dar graças a Deus é a atitude justa e devida Àquele a quem chamamos o Senhor da nossa vida?

— Para nós, cristãos, a ação de graças deu o nome ao Sacramento mais importante: a Eucaristia! Com efeito, a palavra grega significa exatamente isto: agradecimento. Como todos os crentes, os cristãos bendizem a Deus pelo dom da vida. Viver é, sobretudo, ter recebido a vida. Todos nós nascemos porque alguém desejou a vida para nós. E esta é apenas a primeira de uma longa série de dívidas que contraímos vivendo. Dívidas de gratidão. Na nossa existência, mais do que uma pessoa nos fitou com um olhar puro, gratuitamente. Muitas vezes são educadores, catequistas, pessoas que desempenharam o seu papel além da medida exigida pelo dever. E eles fizeram surgir em nós a gratidão. A amizade é também um dom pelo qual devemos estar sempre gratos.

Vivo a Eucaristia como ação de graças? Compreendo que sem ela, a minha vida de cristão não se sustenta? Como posso “eucaristizar” o meu dia-a-dia, fazendo da minha semana um prolongamento da ação de graças do domingo?

4. Propósitos e oração final

– Procurarei estar atento às palavras que a liturgia eleva para Deus no momento a oração eucarística (depois da oração universal até ao Pai-Nosso), unindo o meu agradecimento ao louvor dado a Deus pelo sacerdote.

– Encontrarei no momento de ação de graças, após a comunhão, a oportunidade de expressar individualmente (pelo silêncio) ou comunitariamente (pelo canto) a minha gratidão a Deus por tantos dons.

– Em atitude de gratidão por este momento de oração, termino com o Pai-Nosso.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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