A comunidade de Chaínça, na paróquia de Santa Catarina da Serra, viveu este fim de semana a festa em honra de Santa Quitéria. Foram dias marcados pela fé, pela tradição, pela música e pelo reencontro de muitos filhos da terra.
Este ano, a festa começou na quinta-feira, 20 de agosto, com a eucaristia seguida da procissão das velas com o Santíssimo Sacramento, e terminou na segunda-feira, 24 de agosto, com a eucaristia pelos festeiros. Esta celebração é um momento de ação de graças, em memória e homenagem a todos os festeiros, incluindo os que já partiram.
A comissão decidiu, este ano, não realizar arraial nem restaurante na segunda-feira, concentrando a animação na sexta-feira, sábado e domingo. A mudança revelou-se uma aposta ganha. Ao longo destes três dias foi grande a afluência de pessoas, sobretudo durante as noites de arraial. “Há muito tempo que não se via tanta gente na festa”, comentavam algumas pessoas da terra.
As bandas musicais contribuíram para a animação das noites e trouxeram muitos visitantes até Chaínça. Também o restaurante registou forte adesão, num ambiente de convívio entre famílias, amigos, emigrantes e filhos da terra que regressaram, alguns de propósito, para participar na festa. À mesa, entre os vários pratos servidos, não faltou a tradicional chanfana, uma especialidade muito ligada à gastronomia local.
Fé e devoção marcaram o domingo
Um dos pontos altos das celebrações religiosas aconteceu na tarde de domingo, com a missa presidida pelo padre José Baptista, pároco de Santa Catarina da Serra.
A igreja, cuidadosamente decorada pela comissão da capela, encheu-se de fiéis. Nos lugares de maior destaque estiveram os festeiros, nascidos em 1961, 1971, 1981, 1991 e 2001, e várias crianças, vestidas de anjos, de Santa Quitéria e das suas nove irmãs. Também São Francisco e Santa Jacinta Marto, bem como Nossa Senhora com o Menino, estiveram representados.
Na homilia, o padre José Baptista falou de santidade de forma simples e próxima, dirigindo-se especialmente às crianças e envolvendo-as no diálogo, com alguns momentos de humor.
A certa altura, perante a pergunta sobre o que é ser santo, uma criança respondeu que era “não fazer asneiras”. Partindo desta resposta, o sacerdote explicou que os santos não foram pessoas perfeitas, mas pessoas que procuraram aperfeiçoar-se ao longo da vida. É precisamente por isso, lembrou, que celebramos os santos: para nos recordarmos de que todos podemos caminhar no sentido da santidade.
Recordando o exemplo de Santa Quitéria, falou também da santidade nos pequenos gestos do dia a dia.
A missa contou com a participação do coro e do grupo de jovens, que, através do canto, contribuíram para a celebração.

“Santa Quitéria gosta muito de chuva”
Como dizem os mais velhos, “a festa de Santa Quitéria gosta muito de chuva”. E este ano a tradição voltou a cumprir-se.
A chuva marcou presença no domingo e chegou mesmo a ameaçar a realização da procissão. Durante algum tempo, ficou a dúvida sobre se seria possível levar a imagem da padroeira para a rua. Mas a chuva acabou por dar algumas tréguas e a procissão realizou-se.
A imagem de Santa Quitéria percorreu o centro da aldeia, acompanhada pelos andores de oferendas. Apesar das condições meteorológicas, muitos fizeram questão de acompanhar a padroeira, mantendo viva uma das tradições mais importantes da festa.
Depois das cerimónias religiosas, realizou-se a tradicional venda das oferendas. A Banda Filarmónica do Arrabal proporcionou ainda um concerto musical aos presentes, prolongando o ambiente de convívio.
Mas foi já no final que aconteceu um dos momentos mais emotivos do domingo. Antes de se despedir, a banda entrou na igreja e tocou o Hino de Santa Quitéria. Foi um momento de emoção. O silêncio da igreja e as notas do hino tocaram muitos dos presentes, e houve quem não conseguisse esconder as lágrimas.
Uma festa também de reencontro
A festa reuniu ainda muitos emigrantes e filhos da terra que vivem e trabalham noutras zonas do país, nomeadamente em Lisboa e no Porto. Alguns regressaram de propósito para participar nas celebrações, rever familiares e amigos e reencontrar pessoas e lugares ligados às suas memórias.
Foram cinco dias de festa que voltaram a juntar a comunidade de Chaínça. Entre a fé, a tradição, a música e o convívio, a chuva não impediu a festa e não tirou brilho a uma tradição que reuniu muitos filhos da terra.