
Leiria, 28 mar 2026 (Ecclesia) – O pároco de Urqueira, na Diocese de Leiria-Fátima, destacou a resiliência da comunidade após a destruição da igreja local, anunciando a criação dos “mensageiros da Ressurreição” para assinalar uma Semana Santa e Páscoa diferentes, por causa das recentes tempestades.
“Eu sinto a comunidade com alguma ânsia de voltar à Igreja, mas também com o desejo de viver e de construir aquela Igreja espiritual que temos experimentado nas instalações provisórias”, disse o padre Jacinto Gonçalves, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O sacerdote aborda os desafios de celebrar a Semana Santa com três igrejas da paróquia danificadas pelo mau tempo, obrigando à deslocação das celebrações para o salão paroquial.
“Temos estragos, mas temos uma Igreja viva, uma Igreja de pedras vivas e que se adapta também a esta provação que agora estamos a viver”, assinala o responsável.
A impossibilidade de utilizar o templo principal, na terra natal do patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, motivou o surgimento de uma nova resposta pastoral, que vai prolongar a tradicional visita pascal ao longo de todo o ano.
“Nasceu esta iniciativa para que o ‘mensageiro de Ressurreição’ continue durante todo o ano junto das pessoas que estão em dificuldade e nos doentes, para que seja um sinal de vida”, precisa o padre Jacinto Gonçalves.
O sacerdote explica que cada mensageiro vai receber uma imagem de Cristo na noite da Vigília Pascal (4/5 de abril), assumindo o compromisso de se fazer presente junto dos vizinhos e das famílias da aldeia que precisem de acolhimento e de ajuda humana ou espiritual.
Nós não vamos refletir para deprimir, mas antes somos pedras vivas e estamos de pé e queremos levantar ainda mais o coração diante dos obstáculos que a natureza e o próprio mundo nos vai oferecendo.”










A preparação para os dias centrais do calendário católico incluiu a adaptação dos textos da Via-Sacra, que o pároco escreveu com uma linguagem concreta para incorporar o sofrimento provocado pela tempestade e os ecos da guerra, apontando sempre para a esperança.
“Passando pela experiência da fragilidade e da morte, não esquecemos nunca o amor que daí renasce, e por isso nós iremos depois passar aos dias seguintes anunciando a vida nova”, adianta.
A reconstrução física dos edifícios está em marcha, suportada por uma onda de solidariedade que ultrapassou as fronteiras da diocese, contando com donativos anónimos, apoio de empresas para a reconstrução do telhado e campanhas de partilha organizadas por outras comunidades, como a Vigararia de Barcelos, na Arquidiocese de Braga.
“Tem sido um sinal de comunhão da Igreja, mesmo de pessoas que não nos conhecem, e temos recebido donativos avultados de pessoas que não sabem onde é que fica Urqueira mas fazem a sua partilha”, indica o sacerdote.
A entrevista, gravada ao som dos sinos que voltaram a tocar na aldeia, depois de semanas de silencio, termina com um apelo à valorização da fraternidade, com o pároco a sublinhar que a tragédia, que não causou vítimas mortais por ter ocorrido durante o período noturno de descanso, acabou por unir a população.
“Esta situação pode tornar-nos mais próximos, mais solidários, mais humildes e, no fundo, mais irmãos”, conclui o padre Jacinto Gonçalves.
A entrevista está em destaque na emissão do Programa ECCLESIA deste Domingo de Ramos, a partir das 06h00, na Antena 1 da rádio pública.