44.ª Semana Nacional de Migrações: A misericórdia espelhada no rosto da Igreja

A Igreja Católica em Portugal dedica esta semana a uma atenção especial ao fenómeno da migração de pessoas, sobretudo àquela que é forçada por motivos de carência económica, guerra ou outro tipo de violências. A decorrer de 7 a 14 de agosto e com a Misericórdia em pano de fundo, é neste último domingo que o tema ganha especial relevância nas celebrações e outras iniciativas das comunidades, revertendo os ofertórios para este sector da pastoral.

Um dos momentos principais é, como habitual, a Peregrinação dos Migrantes e Refugiados ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de agosto.

 

 

 

“Migrantes e Refugiados: Rosto da Misericórdia” é o tema proposto pela Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (CEPSMH) para esta 44.ª Semana Nacional de Migrações, de 7 a 14 de agosto, em linha com a Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, celebrado pela Igreja no passado dia 17 de janeiro (ver caixa).

É sobretudo no domingo 14 de agosto que “as paróquias, as comunidades cristãs e as comunidades de Vida Consagrada” são convidadas a “celebrar a Eucaristia pelos Migrantes e pelo trabalho pastoral que a Igreja em Portugal desenvolve a favor dos mesmos”, a “promover uma participação ativa dos imigrantes e emigrantes na Eucaristia” e a “motivar os fiéis para a generosidade nos ofertórios que, neste dia, revertem a favor da Pastoral da Mobilidade Humana”.

Em declarações à agência Ecclesia, a diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), estrutura que promove a iniciativa com a CEPSMH da Conferência Episcopal Portuguesa, o desafio é “aliar misericórdia à justiça”, rejeitando desigualdades e promovendo o diálogo em processos de integração. Recordando que “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia para os cristãos”, ao identificar-se “com os mais frágeis”, Eugénia Quaresma aponta o exemplo que Ele deu de “acolhimento”, a quarta Obra de Misericórdia corporal. Para esta responsável nacional, o tema deste ano remete para os “refugiados às portas da Europa” e recorda o “potencial evangelizador” de “qualquer migrante” que, quando é crente, “é portador dessa mesma fé”.

Na entrevista divulgada pela Ecclesia, Eugénia Quaresma defendeu que os projetos pastorais têm de “contemplar as migrações” regularmente, não apenas no acolhimento, mas também no combate “ao medo e à xenofobia”, onde a Igreja deve contribuir para a “coesão social”, num “sentido abrangente” que inclui todos os fiéis.

 

No rosto da criança, da família e de Cristo
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Na sua mensagem para esta Semana de Migrações, a OCPM explica o cartaz apresentado: o rosto da criança “evoca a infinidade de crianças desaparecidas e outro tanto de menores desacompanhados” e o rosto da família “recorda-nos tantas famílias que buscam legítimas condições de vida, proteção, concretização de sonhos, sonegados pelo egocentrismo, pela lentidão burocrática aliada à falta de decisão política, por medos e suspeitas intoleráveis, que agravam o drama de milhares de migrantes e refugiados, que nos espaços a que estão confinados interpelam as sociedades e os Estados”

Lembrando que “milhares de pessoas viram as suas vidas transtornadas e, por razões alheias à sua vontade, denunciam a falta de paz, a miséria, as desigualdades sociais e territoriais, a corrupção, os diversos perigos acumulados durante o seu percurso migratório”, esta estrutura da Igreja em Portugal defende que “ao nível dos Estados precisamos de nos encontrar e construir uma política mais humana, que sirva a promoção da dignidade das pessoas, famílias e povos”. E, acusando as “sociedades, países e grupos que se fecham e erguem barreiras” de estarem “doentes”, apela ao “combate urgente” a “chagas” como “o terrorismo, o tráfico de pessoas, a exploração laboral e sexual”.

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“Diante de inúmeras questões, medos, suspeitas e desconfianças, o imperativo ético de acolher e integrar concretiza-se em iniciativas e manifestações de solidariedade de cidadãos e instituições da sociedade civil que, movida pela compaixão, recorda que a nossa humanidade não está adormecida nem é indiferente, e redescobre localmente o poder da cooperação, para responder a questões complexas, onde todas as instituições civis, estatais, religiosas e cidadãos são imprescindíveis”, aponta a mensagem. Nessa linha, “é no encontro que se promove a paz e a justiça tão necessárias” e “a misericórdia é o único caminho capaz de resgatar a nossa humanidade”, defende a OCPM, pois só a misericórdia “alarga horizontes de fraternidade e recorda-nos que a fragilidade da nossa condição restabelece-se em gestos de proximidade”.

Para a Igreja, “o acolhimento é o gesto e atitude interior que resgata da morte, cuida e devolve a vida”, ajudando quem é acolhido a encontra “naquele que não é indiferente o rosto do bom samaritano”. E esse é um trabalho que não pode estar dependente da “nacionalidade ou credo”, mas deve assuntar num diálogo “rumo à cultura do encontro que constrói verdadeiras fraternidades sem fronteiras culturais e religiosas, nomeadamente entre comunidades unidas pelo Deus da Misericórdia”.

No caso dos cristãos, essa misericórdia tem um outro rosto que “converge para Cristo”, um rosto que deve ser o da própria Igreja e que se encontra em cada um dos migrantes e refugiados, “mas também naqueles que, à semelhança do Bom Samaritano, não são indiferentes ao seu próximo”.

 

Peregrinação do Migrante e do Refugiado
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A celebração nacional da Semana Nacional das Migrações acontece na peregrinação de 12 e 13 de agosto ao Santuário de Fátima, que assinala a 4.ª aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos e tem como tema “Alegrai-vos no Senhor”.

Contando com a habitual participação de milhares de emigrantes em tempos de férias e refugiados que estão em Portugal, a Peregrinação será presidida pelo secretário da Congregação para a Educação Católica, D. Angelo Vincenzo Zani.

Um gesto tradicional nesta Peregrinação é a oferta de trigo por peregrinos de várias dioceses, tanto nacionais como estrangeiras, durante o ofertório da Eucaristia do dia 13. Acontece desde 1940, ano em que um grupo de jovens da Juventude Agrária Católica da Diocese de Leiria ofereceu 30 alqueires de trigo destinados ao fabrico de hóstias para consumo no Santuário de Fátima. Segundo a sala de imprensa do Santuário, no ano passado foram oferecidos 9.655 quilos de trigo e 483 quilos de farinha e, nas cerca de 7.223 Missas celebradas, consumiram-se cerca de 16.300 hóstias e 1.450.000 partículas.

O programa geral da peregrinação o é o seguinte:

Dia 12 de agosto

18h30 – Início oficial da Peregrinação, com acolhimento aos peregrinos e saudação aos migrantes na Capelinha das Aparições

21h30 – Bênção solene das velas e Rosário, na Capelinha das Aparições, seguida de procissão das velas

22h30 – Eucaristia, presidida por D. Angelo Zani

Dia 13 de Agosto

00h00h às 02h00 – Adoração ao Santíssimo Sacramento, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário

02h00 às 03h15 – Via-sacra, no Recinto

03h30 às 04h15 – Celebração Mariana, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário 04h30 às 05h30 – Eucaristia, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário

05h30 às 07h00 – Adoração e canto de Laudes, na Capelinha das Aparições 07h00 – Procissão Eucarística

09h00 – Rosário, na Capelinha das Aparições

10h00 – Celebração da Eucaristia, presidida por D. Angelo Zani. Inclui a oferta do trigo, a bênção dos doentes e a adoração ao Santíssimo Sacramento, terminando com a procissão do adeus.

 

Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

«A resposta do Evangelho da misericórdia»
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A Igreja Católica celebrou a 17 de Janeiro o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Para essa ocasião, o Papa Francisco publicou uma Mensagem onde apresentou a “resposta do Evangelho da misericórdia” à interpelação desta problemática à sociedade e à Igreja. Em pleno Ano da Misericórdia, foi essa a temática escolhida pelo Papa para abordar esta questão tão premente no mundo atual, sobretudo pela exigência de resposta da Europa às milhares de pessoas que fogem das zonas de conflito do Médio Oriente.

O exemplo parte do próprio cristo, que revela a “ternura paterna de Deus, que se estende solícita sobre todos, mostra-se particularmente sensível às necessidades da ovelha ferida, cansada ou enferma”.

O Papa reconhece que essas “pessoas em fuga da sua pátria interpelam os indivíduos e as colectividades, desafiando o modo tradicional de viver e, por vezes, transtornando o horizonte cultural e social com os quais se confrontam”. Mas lembra que são elas as verdadeiras “vítimas da violência e da pobreza”, “dos traficantes de pessoas” e até das “realidades onde se aninham suspeitas e medos”. É nesse contexto que “o Evangelho da misericórdia sacode as consciências, impede que nos habituemos ao sofrimento do outro e indica caminhos de resposta que se radicam nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, concretizando-se nas obras de misericórdia espiritual e corporal”.

Sendo já uma “realidade estrutural”, as tragédias diárias causadas por estes fluxos migratórios não podem se vistas com “indiferença e silêncio”, que “abrem a estrada à cumplicidade”. Trata-se sempre de uma tragédia, “mesmo quando se perde uma única vida humana”.

Sendo um desafio a assumir por sociedades e Estados, e também a cada cristão que se lança o desafio a ver os emigrantes como “irmãos e irmãs que procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos”. E o desafio a encarar o confronto cultural como oportunidade de “enriquecimento mútuo”.

Na sua mensagem o Papa aponta “muitas instituições, associações, movimentos, grupos comprometidos, organismos diocesanos, nacionais e internacionais” que já “experimentam o encanto e a alegria da festa do encontro, do intercâmbio e da solidariedade”. Mas essa resposta de misericórdia de “cultura do encontro” deve continuar a crescer na busca de “itinerários que renovam e transformam a humanidade inteira”. E, como não se cansa de afirmar, “a Igreja coloca-se ao lado de todos aqueles que se esforçam por defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, exercendo antes de mais nada o direito a não emigrar a fim de contribuir para o desenvolvimento do país de origem”. Até porque “acolher o outro é acolher a Deus em pessoa!”.

 

Papa escreveu à equipa dos refugiados nos Jogos Olímpicos

Francisco deseja que representação inédita seja sinal de fraternidade universal
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O Papa enviou uma carta aos membros da Equipa Olímpica de Refugiados que participam nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o que acontece pela primeira vez na história da competição.

Francisco saudou cada um dos dez membros da equipa, citando os seus nomes, e desejou-lhes sucesso para as provas em que vão estar envolvidos: “Que a coragem e a força que trazem dentro de vós possam transmitir, através dos Jogos Olímpicos, o vosso grito de fraternidade e de paz”.

Na mensagem, divulgada pela Rádio Vaticano, o Papa faz votos de que “o testemunho destes refugiados possa fazer bem a todos” e “a humanidade compreenda que a paz é possível e que, por meio dela, tudo se pode ganhar; ao invés, com a guerra, tudo se pode perder”. E concluiu a breve missiva, escrita pelo seu próprio punho em espanhol, com a promessa de oração pela Equipa Olímpica de Refugiados e o pedido de que também rezem por ele.

A equipa é composta por dois nadadores da Síria, dois judocas do Congo, um maratonista da Etiópia e cinco corredores do Sudão do Sul. A primeira atleta a competir, no sábado 6 de agosto, foi a nadadora síria Yusra Mardini, que ajudou mais de uma dezena de pessoas a sobreviver à travessia entre a Turquia e a ilha grega de Lesbos, após ter nadado mais de três horas a arrastar o barco em que seguiam.

Fonte: Ecclesia

 

Oração Universal
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No dia 14 de agosto, em alternativa ao esquema para o 20.º Domingo Comum, poderá usar-se a seguinte Oração dos Fiéis:

Presidente – Oremos, em nome de toda a humanidade, ao Senhor, nosso Deus e nosso Pai, dizendo (ou: cantando), com toda a confiança: – Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

1 – Pelo nosso Papa Francisco, pelos nossos bispos, pelas nossas comunidades, para que a Igreja dispersa por todo o mundo seja sinal eficaz do agir do Pai, que acolhe e cuida de todos os que n’Ele confiam, oremos ao Senhor.

2 – Pelos governantes das nações para sejam cada vez mais capazes de construir um projeto político comum que tenha em consideração o cuidado e gestão do planeta terra, como casa comum da nossa humanidade, oremos ao Senhor.

3 – Para que as comunidades cristãs onde quer que residam possam promover o encontro e o diálogo cultural e espiritual dos diversos povos, oremos ao Senhor. 4 – Para que todas as famílias, em particular as famílias migrantes, ajudem a promover a justiça e a paz, oremos Senhor.

5 – Para que nós, e todos os que se dedicam às pessoas em contexto de mobilidade, nos empenhemos na luta contra a “globalização da indiferença, que marca a cultura do nosso tempo, e sejamos promotores da “solidariedade e da fraternidade”, oremos ao Senhor.

6 – Por todos os que se dedicaram aos nossos migrantes, os acompanharam e por todos os que longe da sua terra natal partiram deste mundo, para que o Senhor os acolha na Sua glória e nós saibamos ser gratos pela sua coragem e empenho, oremos ao Senhor.

Presidente – Senhor, nosso Deus, que nos mandais esperar a vossa vinda, ocupados em ser bons administradores, não permitais que os nossos corações se afastem da riqueza verdadeira que sois Vós. Por Cristo Senhor nosso.

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