Voltar a terras lusas

Voltei. Desta vez as “não tréguas” com o processo de obtenção do visto permanente na Etiópia trouxeram-me a mim e às minhas malas até à nossa pátria. E é com gosto que volto, mas de coração apertado, e dividido com o que lá, do outro lado do mar, deixei.
Da janela do avião, no regresso a Portugal

Voltei. Desta vez as “não tréguas” com o processo de obtenção do visto permanente na Etiópia trouxeram-me a mim e às minhas malas até à nossa pátria. E é com gosto que volto, mas de coração apertado, e dividido com o que lá, do outro lado do mar, deixei. Entretanto (e finalmente), a comunidade de LMC – os meus amigos David e Pedro – já deixaram a capital – Adis Abeba – para abraçarem a fundo a missão na Terra Prometida – Benishangul-Gumuz, na pequena “cidade” de Gilgil Belles. Ali terá lugar o coração da missão dos LMC. Ali queremos brotar e fazer crescer a missão. E os primeiros passos já os estamos a começar, na biblioteca, um edifício recentemente inaugurado e no qual queremos fazer parte do nosso trabalho. Nela, o Pedro e o David, têm-se dedicado à organização de livros que darão cor e recheio às várias prateleiras que a preenchem. Do lado de cá, faço parte com eles, dedicando-me ao registo dos seus muitos livros. De coração dividido entre a vida que corre cá e o tempo que passa lá, procuro manter-me ligada com e a eles.

LMC’s Pedro, David na biblioteca

Voltar é também permitir muitos encontros com a missão e vida que correm cá. Voltar é encontrar o Humberto que regressou a Portugal cerca de uma semana antes de mim, após um período de missão no Gungo. Olhava para ele naquele piquenique familiar onde, por mero acaso (ou não), nos encontrámos. Recordava os vários momentos que partilhei com os Ondjoyetu e os encontros que participei com eles, antes de fazer caminho com os LMC. Que feliz estou por eles, por completarem agora 20 anos de missão! Como é bom perceber que, mesmo sendo nós grupos diferentes, com formas de agir, modos de fazer missão diferentes, o coração missionário nos leva a convergir num mesmo ponto. Esse ponto mora na partilha do que somos, que habita no muito além do “ir ensinar os pobrezinhos”, “matar a fome”, “ajudar”, etc. – confesso que, quando oiço estas descrições sobre a missão, me dá um certo arrepio na espinha que percorre toda a minha coluna vertebral, de tanto que reduz o ser e estar missionário. Que alegre fico com estes encontros felizes e quanto me enche a alma ler estes corações missionários, que partilham a vida à luz de Cristo. Parabéns aos Ondjoyetu! Por eles e pela sua missão rezo. 

Até quando ficarás por cá? Muitos me perguntam. Pois o mesmo me pergunto e, como tal, devolvo sempre a (não) resposta, que depende das burocracias e afins. Na ausente certeza, confio o meu coração e a minha vida a Deus. E aqui, surge a certeza de que, independentemente do que virá, será o melhor para mim, e, sobretudo, para o futuro da missão. Já dizia a minha avó “O futuro a Deus pertence”… e Paulo Coelho completa “…e ele só o revela em circunstâncias extraordinárias.”. 

Peço a vossa oração por mim e pela missão, tal como Deus a quer.

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