Entre os dias 26 e 29 de dezembro de 2025, a Casa do Bom Samaritano – Centro Social da Divina Providência, em Fátima, voltou a ser casa para mais uma edição do «Vai e Faz Tu», uma proposta de voluntariado do SDPJ – Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil de Leiria-Fátima, dirigida a jovens dos 11 aos 30 anos.
Esta foi a 3.ª edição desta experiência, que reuniu 16 participantes com um objetivo claro: viver dias de voluntariado que contribuam para o crescimento humano e espiritual, através do encontro com o outro. Crescer na atenção, na sensibilidade para os mais frágeis, na capacidade de assumir responsabilidades, quebrar preconceitos e redescobrir que todos têm a mesma dignidade como filhos de Deus são algumas das metas que continuam a orientar esta proposta.
Inspirado, desde a primeira edição, na parábola do Bom Samaritano, o desafio mantém-se atual: “Vai e faz tu o mesmo”. Em 2025, a proposta passou também por olhar para os cinco sentidos como ferramentas importantes para cuidar e estar com o outro. Foram dias de gestos simples e de encontros que ficaram na memória de todos. Os testemunhos falam por si.

Testemunhos de uma experiência que enche o coração
Catarina, 21 anos:
«De 26 a 29 de dezembro estive presente no voluntariado «Vai e Faz Tu», na Casa do Bom Samaritano, em Fátima, que acolhe raparigas e mulheres com deficiência mental, carinhosamente chamadas de meninas. Já tinha feito voluntariado antes, noutros contextos, mas nada me tinha preparado para o que iria sentir aqui. Quando cheguei ia muito nervosa. Não sabia o que esperar, tinha medo de não saber agir, de não estar à altura. Mas esse nervosismo dissipou-se rapidamente. Fomos recebidos de braços abertos, com sorrisos sinceros, abraços demorados e um amor tão puro que é difícil de pôr em palavras. As meninas transmitem-nos algo que não se explica, sente-se. É um amor simples e verdadeiro.»
«O tema destes dias foi inspirado nos cinco sentidos, um para cada dia, e isso ajudou-nos a viver tudo de forma mais profunda. A cada dia fomos convidados a parar, a escutar com mais atenção, a ver com mais cuidado, a tocar com mais ternura, a sentir com mais presença. Saio desta experiência diferente. Mais consciente, mais grata e mais humana. A Casa do Bom Samaritano não é apenas um lugar onde se vai dar; é um lugar onde se recebe muito mais do que aquilo que se leva. Levo no coração cada sorriso, cada gesto, cada abraço inesperado.»
Diana, 17 anos:
«Na primeira manhã, o ar parecia carregar uma leveza diferente porque eu estava feliz e em paz por ir ter com as “meninas”. Foram dias dedicados a um lar de meninas com deficiências e ao meu crescimento pessoal. Ao chegar ao lar, fui envolvida por uma atmosfera de acolhimento, um sentimento de estar em casa e um entusiasmo de reencontro de amor e pureza com todas as pessoas do lar. Diferente do ano anterior, não havia nervosismo, apenas tranquilidade. Não criei grandes expectativas; estava aberta para tudo o que viesse, estava disponível. A regra era: não pensar “vai ser desconfortável”, mas sim “vai em frente, vê como corre e confia na bondade de Deus e no Seu plano”.»
«Os dias desenrolaram-se num ritmo compassado, ditado pelas necessidades e sorrisos das meninas. Cada momento destes dias foi uma lição profunda. Os dias não se trataram apenas da realização das tarefas, mas de cuidado e de admiração nossa para com elas. O que mais me marcou foi a pureza e a genuinidade das “meninas” que eram quase palpáveis e a sua transparência contagiante. O ambiente que se criou em equipa fez-me sentir em sintonia com todos e senti que despi a minha armadura social. Naquele espaço e naqueles dias pude ser eu, sem qualquer performance, com as minhas hesitações, e sem o medo constante do julgamento dos outros.»
«Foram dias únicos num lugar em que a aceitação do outro é total. Elas aceitavam-me, gostavam de mim, simplesmente porque eu estava ali, presente com um sorriso. Estes dias fizeram-me refletir profundamente sobre as minhas prioridades e a minha vida. Percebi que fazemos a diferença na vida de cada pessoa, mas é igualmente crucial deixar que as outras pessoas façam a sua diferença em nós. É preciso estar atento ao que nos rodeia, às pessoas que nos rodeiam e ao impacto que elas têm em nós. Regresso a casa com a sensação de que fui eu quem mais recebeu. Aprendi sobre resiliência, sobre a beleza que reside na simplicidade e, acima de tudo, sobre o valor inestimável de pertencer a um espaço onde ser autêntico não é uma opção, mas sim a única forma de existir.»
Alice, 20 anos:
««Vai e faz tu», o desafio que voltei a aceitar para ser artesã de misericórdia e fazer a diferença durante quatro dias na Casa do Bom Samaritano, em Fátima. Nesta casa reencontrei esta grande família que já não via há um ano e achei que não se iam lembrar de mim ou das aventuras que vivemos, mas surpreenderam-me. As meninas são uns amores e ficaram tão felizes por nos voltarem a ver que eu fiquei chocada por se lembrarem de mim e mesmo de pequenos detalhes que aconteceram no ano passado. Eu já tinha vivido esta experiência uma vez, mas, por incrível que pareça, aprendi coisas novas sobre elas e com elas. Vejo Deus nos seus olhares, na forma de amarem sem pedir nada em troca.»
«Diverti-me imenso com elas. Tivemos momentos para dançar, cantar, partilhar, rir e rezar. Nota-se que são pessoas felizes e que a sua condição não as condiciona nem as faz desistir e que para elas a vida continua a fazer sentido. Tudo fruto das pessoas que as rodeiam e que as fazem sentir especiais. Este ano estivemos a explorar os nossos cinco sentidos e para comunicar com elas nem sempre era preciso falar; bastava ouvir, tocar ou até mesmo um olhar ou um sorriso fazia a diferença e a isso chama-se a linguagem do amor, falar com o coração. Agradeço por todas as memórias e vivências que me foram proporcionadas tanto pelas meninas e pelas pessoas da Casa como pelos voluntários que foram comigo, alguns reencontrei e outros conheci e criei uma am amizade muito bonita.»
Letícia, 18 anos:
«Foram quatro dias de amor, empatia e carinho. No dia a dia queremos tudo rápido e bem feito, na Casa Bom Samaritano temos de parar, ter calma e aprender a ver que o desenho pintado fora do risco é tão ou mais bonito que outro supostamente perfeito. Eu participei nesta experiência pela primeira vez este ano na expectativa de poder dar o meu trabalho, o meu carinho… No entanto quem recebeu fui eu, recebi o amor de Deus da forma mais pura. Deus está com as meninas e transforma-nos quando estamos com elas se nos permitirmos transformar. É uma experiência que enche o coração e que aconselho a toda a gente. Obrigada à equipa SDPJ por proporcionar e à Casa Bom Samaritano por nos “abrir as portas do céu”.»