Todos os Santos e Fiéis Defuntos vs. Halloween

As festas de Todos os Santos e de Fiéis Defuntos são milenares na Igreja Católica. O Halloween é também uma tradição pagã multisecular. Importa saber o que significam e por que não devem ser confundidas. Na semana em que ocorrem estas festas, recordamos alguns dados históricos e lembramos a doutrina cristã sobre elas.

 

“Europa trocou crucifixos por abóboras”

O cardeal Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado do Vaticano, escreveu em 2009, a propósito decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem contra a presença do crucifixo nas escolas, que era lamentável a Europa do terceiro milénio ter trocado os seus “símbolos mais queridos” pelas “abóboras” do Halloween.

De facto, até muitos cristãos se deixaram levar na onda dessa “novidade”, sem perceberem que, subjacente à expansão do Halloween, está o tentar ofuscar a celebração cristã de Todos os Santos.

Tendo em conta as campanhas publicitárias cada vez mais agressivas da festa de Halloween, que gera boas receitas comerciais, a Igreja tem publicado frequentemente alguns documentos com o esclarecimento sobre a história e a doutrina da festa de Todos os Santos e do Dia dos Fiéis Defuntos.

Todos os Santos

No fim do segundo século, professos cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Cristo no céu, oravam a eles para que intercedessem a seu favor. A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (o templo romano em honra a todos os deuses) a Maria e a todos os mártires. A data foi mudada para novembro, quando o Papa Gregório III (731-741) dedicou uma capela em Roma a Todos-os-Santos e ordenou que eles fossem homenageados no dia 1 de novembro.

Assim, nesta festa de Todos os Santos, a Igreja deseja “honrar os santos anónimos”, muito mais numerosos do que os canonizados pela Igreja, que com frequência viveram na discrição ao serviço de Deus e de seus contemporâneos. É a festa de “todos os batizados, pois cada um está chamado por Deus à santidade” e constitui um convite a “experimentar a alegria daqueles que puseram Cristo no centro de suas vidas”, como recorda um documento da Conferência Episcopal Francesa, de 2003.

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Fiéis defuntos

A 2 de Novembro, dia de oração pelos defuntos, é proposta uma prática que se iniciou também com os primeiros cristãos. A ideia de convocar uma jornada especial de oração pelos falecidos, continuação de Todos os Santos, surgiu no século X, tendo a data sido fixada pelos monges de Cluny, em França. Reza-se para ajudar as almas no purgatório a obter a bem-aventurança celestial. Deste modo, a Igreja quer dar a entender que “a morte é uma realidade que se pode e que se deve assumir, pois constitui o passo no seguimento de Cristo ressuscitado”, referem os bispos franceses. Isto explica as flores com que nestes dias se adornam os túmulos, “sinal de vida e de esperança”.

 

Diversas celebrações cristãs

A Igreja Católica celebra a Festa de Todos-os-Santos a 1 de novembro, seguida pelo dia dos Fiéis Defuntos a 2 de novembro.

A Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Oriental celebram Todos os Santos no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa.

A Igreja Anglicana também celebra o dia de Todos os Santos, com o mesmo significado que nas Igrejas Católica e Ortodoxa.

Embora não advoguem a crença no purgatório, há igrejas protestantes que também guardam o Dia de Finados. Na Igreja Luterana, o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou, pelo que o significado da celebração também é quase idêntico ao de outras igrejas cristãs.

 

Pão por Deus

Relacionada com a festa de Todos os Santos, é referida já no século XV, em Portugal, a tradição de as crianças saírem à rua em pequenos grupos para pedir o “Pão por Deus” de porta em porta. Nas diversas regiões, são várias as variações e nomes, sendo usual na nossa região a designação de “Dia do Bolinho”. Comum era a recitação de versos ou lengalengas pelas crianças, que recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano. É costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro.

Dado curioso foi ter ocorrido neste dia, em 1755, o grande terramoto que destruiu Lisboa, matando milhares de pessoas e deixando muitas outras numa pobreza extrema. No ano seguinte, a população aproveitou espontaneamente a tradição para lembrar os seus mortos, mas também socorrer os vivos. Assim, surgiu pela cidade um peditório feito também por adultos que batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão, o “Pão por Deus”.

Este é um dos feriados nacionais de cariz religioso, extinto de 2013 a 2015, mas regressado em 2016.

 

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Halloween

A festa de Halloween chegou dos Estados Unidos da América e é agora muito celebrada também na Europa, assinalando-se a 31 de Outubro. A comemoração veio do “Samhaim” dos antigos povos bárbaros Celtas, que habitavam a Grã-Bretanha há mais de 2000 anos. Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano e, segundo um antigo ritual, os espíritos dos mortos voltavam à terra durante a noite, para se alimentarem e assustarem as pessoas. Então, os Celtas costumavam vestir-se com máscaras assustadoras, para afastarem esses espíritos.

Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha e converteram os Celtas e outros povos da ilha, transformando este ritual pagão numa festa religiosa. Em vez de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém-catequizado começou a honrar os santos.

Como é óbvio, os não convertidos ao Cristianismo continuaram a celebrar o “All Hallows Evening”, que significa “Véspera de Todos os Santos” (abreviado, deu a palavra Halloween), com as suas máscaras assustadoras e com festins de comida.

Deste modo coexistiam as duas tradições: a pagã para celebrar os mortos, os espíritos, as bruxas e outras entidades representativas do mal; a cristã para celebrar os santos, os que vivem em Deus e a santidade a que todos somos chamados.

As diferenças entre as duas tradições são bem evidentes, sobretudo na raiz da sua história e no conteúdo do que celebram. Compete ao Cristão saber distinguir e decidir o que lhe é conveniente celebrar.

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