Testemunho: Visita à missão no Sumbe

O padre José Alves, pároco de Porto de Mós e Alcaria, da diocese de Leiria-Fátima, passou alguns dias na missão que a Diocese mantém no Sumbe (Angola) e conta-nos a sua experiência.

 

Foi-me possível realizar uma visita, ainda que rápida, à missão da nossa diocese em Angola. Esta missão é dinamizada por um grande grupo de pessoas que se organiza no grupo missionário Ondjoyetu. Algumas destas pessoas já passaram pelos campos da missão como voluntários e conhecem a realidade e as dificuldades do trabalho missionário. Foi-me dada a possibilidade de também passar duas semanas por essas terras de Angola.

 

O que é a missão?

A zona da missão situa-se a sul de Luanda cerca de 400 km, na cordilheira montanhosa do Gungo. Abrange um território de cerca de 2.200 km2 de difícil acesso, sempre em picada (estradas de terra batida com muitas descidas e subidas de grande inclinação e com imensos obstáculos). Por entre a floresta intensa vivem muito dispersas cerca de 20 mil pessoas.

Estas pessoas têm vivido totalmente isoladas do mundo numa vida que se resume a sobreviver recolhendo da natureza os frutos com que esta os presenteia. No meio da serra, a cerca de 1.000 metros de altitude, as pessoas vivem com muitas dificuldades sem os habituais recursos como água, eletricidade, todo o tipo de comunicações, saúde pública, etc. A mortalidade infantil é na ordem dos 50% dos nascituros. A alimentação é quase unicamente funge (farinha de milho).

 

O que já se fez…

A equipa missionária Ondjoyetu dedicou-se a apoiar este povo desde 2006 com o início da geminação da Diocese de Leiria-Fátima com a Diocese do Sumbe. Mas antes deste trabalho mais continuado, o P. Vitor Mira dedicou-se a este povo quase logo desde o início da sua vida sacerdotal. Idas e vindas, avanços e recuos está agora como missionário a tempo inteiro nessas terras desde o ano de 2011. O P. David Nogueira também esteve lá anteriormente durante seis anos. O que já se fez na missão foi realmente muito e certamente, o mais difícil. Esta equipa de missionários construiu uma casa de apoio no Sumbe, sede da província. Esta casa é de grande utilidade como ponto de chegada e de partida para as missões a realizar no Gungo. Além desta casa também está a melhorar as condições da casa na Donga e todas as restantes infraestruturas necessárias para a evangelização e a ação humanitária que desenvolvem. Nos últimos anos tem contado com o apoio de diversas pessoas na área da saúde que tem feito um trabalho de sensibilização para os cuidados médicos e alimentares fantástico. Quase todos os dias têm salvado da morte crianças desnutridas ou com outros problemas de saúde. A nível evangélico o trabalho tem sido intenso desde a formação de catequistas e animadores das comunidades e outros grupos de ação, oração e da liturgia.

 

O que falta fazer…

O que já se fez foi muito e fundamental para agora se poder fazer mais. Tem sido um trabalho não só de padres e voluntários, mas um trabalho de Deus e de heroicos “loucos”. Porém, podemos dizer também que o que falta fazer é ainda tudo como se nada tivesse sido feito. Isto porque as necessidades daquelas pessoas são tantas e tão variadas que o que já se fez é apenas uma gota no oceano. Por isso mesmo, este trabalho deve continuar porque está no bom caminho e está agora, finalmente, a começar a dar frutos concretos e visíveis.

Eu fiquei, pessoalmente, muito sensibilizado pelo trabalho realizado pela equipa missionária de um modo especial pelo trabalho do P. David Nogueira e do P. Vítor Mira nessas terras do Gungo. O seu trabalho tem salvo muitas vidas da morte e também do isolamento, da superstição e do paganismo. Tem ajudado aquelas pessoas a levantar a cabeça e verem um pouco mais longe, a melhorar as condições básicas da sua vida e de uma forma cuidada a crescerem na fé em Jesus Cristo.

Este povo, simples e alegre está muito agradecido pelo trabalho já realizado, mas deseja que ele possa continuar até que eles próprios tenham mais capacidade e autonomia para poderem assumir as suas próprias responsabilidades na constituição da comunidade.

O apoio que a equipa missionária tem tido, tem sido muito grande ao longo dos anos. Este apoio é que tem dado as possibilidades da realização dos trabalhos, sobretudo os de construção e dos meios para o desenvolvimento dos mesmos. Este apoio deve continuar. Aquilo que mais me ficou desta visita é que também eu tenho de ser missionário. Também eu tenho de ajudar este projeto. Por isso vou estar mais atento às notícias que a equipa vai dando nos seus meios de divulgação e vou fazer aquilo que está ao meu alcance para ajudar este projeto, mesmo economicamente.

É um trabalho muito válido… é uma missão para todos nós.

 

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