Sínodo: Representantes portugueses sublinham seriedade dos trabalhos e representatividade dos participantes

D. José Ornelas e D. Virgílio Antunes mostram-se confiantes no processo iniciado pelo Papa.
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D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse que a primeira fase de trabalhos da assembleia sinodal em curso, no Vaticano, mostrou a preocupação de “despertar” as comunidades católicas.

“Temos uma Igreja que precisa de despertar, de levantar-se, como no tema da JMJ, em Portugal”, referiu à Agência ECCLESIA.

Uma reunião geral, sobre a secção B1 do documento de trabalho (Instrumentum laboris), com o tema ‘uma comunhão que irradia’, marcou o início da segunda parte da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que começou a 4 de outubro.

“Não queremos queimar etapas, queremos viver bem os momentos e deixar que este caminho vá amadurecendo, para se chegar não tanto a consensos, mas a percursos da Igreja para este momento complicado da humanidade, em que vivemos”, indicou D. José Ornelas.

Para o bispo de Leiria-Fátima, na sua primeira experiência num Sínodo, os participantes estão a viver “intensamente” este momento, procurando dar um “contributo positivo”, depois do trabalho desenvolvido desde as paróquias ao nível continental, a partir de 2021.

“Estamos a juntar novos elementos àqueles que tínhamos, fruto da diversidade de situações que a Igreja vive no mundo”, precisou.

A primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos decorre de 4 a 29 de outubro, com o tema ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão’; Francisco decidiu que a mesma terá uma segunda etapa, em 2024.

O presidente da CEP admite a preocupação dos participantes para que este percurso seja “levado a sério”, lamentando que alguns tenham falhado o encontro, por “comodismo”, “descrédito” ou dificuldade em “entrar no processo gerado”.

“Este processo significa pôr-se em questão sobre o próprio papel na Igreja”, assinala o responsável português.

D. José Ornelas elogia a forma “séria” como se partilham os “dramas” que as comunidades católicas vivem nos vários países, da crise económica à guerra, passando pelas desigualdades sociais e as alterações climáticas.

“Isto significa deixar-se incomodar”, aponta.

Foto: Ricardo Perna

Já D. Virgílio Antunes, vice-presidente da CEP, realça a diversidade dos participantes nesta assembleia do Sínodo, que vive como uma “experiência feliz”.

“A nossa voz exclusivamente clerical limita, normalmente, tal como aconteceria se fosse pura e simplesmente uma voz laical. Queremos fazer caminho, juntos, da melhor forma, para realizar a missão da Igreja”, indica.

O bispo de Coimbra entende que a experiência do retiro espiritual (30 de setembro-03 de outubro), antes da abertura dos trabalhos, deu o “tom” à assembleia.

“Desde o princípio que o Sínodo foi anunciado como um momento do Espírito, como uma experiência celebrativa, espiritual, religiosa, da Igreja, comunitária”, recorda.

Segundo o vice-presidente da CEP, os participantes conversam entre si, num clima “orante”, para “ouvir a voz do Espírito, a voz da Igreja, a voz do mundo”

Considerando natural que existam “tensões”, face à diversidade de perspetivas e pontos de vista, D. Virgílio Antunes observa que essas mesmas tensões podem “ajudar a fazer caminho”, pedindo “uma atitude positiva, construtiva”, por parte de todos.

Pôr-nos a todos do mesmo lado, no caminho, mesmo no meio das tensões, é a sinodalidade. Fazer caminho todos juntos: isso tem sido uma realidade” – D. Virgílio Antunes.

D. José Ornelas também destaca a importância do retiro espiritual e do clima de diálogo “muito rico”, que inclui intervenções breves e espaços de silêncio, para a produção de sínteses, em cada grupo de trabalho.

O encontro tem 365 votantes – 54 mulheres – a quem se somam, sem direito a voto, 12 representantes de outras igrejas e comunidades cristãs (delegados fraternos), oito convidados especiais e colaboradores da Secretaria-Geral do Sínodo.

Outras 57 pessoas, entre elas 20 mulheres, vão participar como peritos, à imagem do que acontecia no passado, ou “facilitadores”, ou seja, “pessoas especializadas cuja missão é facilitar os trabalhos nas diferentes fases”, sem direito a voto.

Para D. Virgílio Antunes, a presença de bispos, membros do clero e institutos religiosos, leigos e leigas é “uma coisa fabulosa”.

“Só nos ajuda a perceber, a percecionar a realidade da Igreja e do mundo, em que nos situamos, de uma forma mais completa”, justifica.

O vice-presidente da CEP admite que, na Igreja, “ainda não há uma visão única acerca do que é o Sínodo”, mas entende que se tem caminhado em direção a uma “comunhão que não exclui ninguém”.

O bispo de Coimbra destaca ainda a presença do Papa nos trabalhos, como “sinal visível da unidade da Igreja universal”, referindo que Francisco se apresenta como “um irmão entre os irmãos”, disponível para quem o procura.

“É um amigo, tem sido admirável, a todos os títulos”, conclui.

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