Sé de Leiria é “monumento nacional”

O Conselho de Ministros anunciou ontem (23/10/2014) a aprovação da classificação da Sé de Leiria como monumento nacional. 

O requerimento de pedido de classificação da Sé de Leiria e sua torre sineira tem data de 27 de julho de 2010, remetido pelo cónego Luciano Cristino, em nome do Cabido da Catedral, ao IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Aí se apresentava este conjunto edificado “na malha urbana da cidade de Leiria (…), construído em pedra calcária, de planta cruciforme, (…) um bom exemplar da arquitetura maneirista em Portugal”.

O pedido fazia ainda uma descrição pormenorizada da planta, tipo de construção e património artístico integrado, lembrando que “com as sés de Mirando do Douro e de Portalegre, a Sé de Leiria foi mandada edificar, no contexto da reforma do mapa das dioceses portuguesas, por determinação de D. João III”, sendo a primeira pedra colocada em 1559 e a sagração solene feita em 1791.

 

O processo…

A 22 de outubro desse ano, o diretor do IGESPAR determinou a abertura do procedimento administrativo, apresentando como fundamento “a importância histórica e artística do conjunto em estudo, considerando o paradigma da arquitetura religiosa maneirista em Portugal.

Com base nesse despacho, em 10 de janeiro de 2011 é assinado o decreto de abertura de procedimento e “a Sé de Leiria, incluindo o claustro, o adro envolvente e a torre sineira localizada a noroeste da Sé” passam a estar em “em vias de classificação”. Nessa altura, aponta-se também a zona geral de proteção para os 50 metros em redor dos limites externos dos referidos edifícios.

A 9 de julho desse ano é emitida pela Direção Regional de Cultura do Centro a proposta de mapa da “zona especial de proteção” e da classificação como “conjunto de interesse público”, mas o parecer da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional da Cultura aponta para a classificação como “monumento nacional”.

É essa a proposta de decisão emitida pelo IGESPAR ao secretário de Estado da Cultura, em 11 de janeiro de 2012, e agora aprovada pelo Governo.

Assim, depois do Castelo, da Igreja de S. Pedro e do “Menino do Lapedo”, Leiria passa a contar com mais um monumento nacional classificado.

 

O corolário

“É o corolário da exposição que fizemos e das diligências que fomos tomando para que a Sé recebesse o reconhecimento da sua importância patrimonial no nosso país, pelo que não posso deixar de me regozijar e de manifestar muito contentamento com esta decisão”. É a primeira reação que recolhemos do cónego Luciano Cristino. “Não só a Sé, mas a torre, que está em processo de recuperação e deverá estar concluída no final do ano, e também a casa do sineiro, cuja posse passa também a ser reconhecida à diocese de Leiria-Fátima”, refere o signatário do pedido de classificação agora aprovado. Porque não antes? – perguntamos. “Porque a diocese estava extinta e a Sé tinha sido reduzida a igreja paroquial quando a República inscreveu os monumentos nacionais assim classificados. Entretanto, foi um longo trajeto histórico, até termos decidido avançar com este processo. Mas o importante é agora ter sido concluído com sucesso.” Resposta dada.

Quem manifestou também o seu contentamento foi o presidente do Município de Leiria, Raul Castro, considerando ser um “motivo de orgulho” para a cidade e para o concelho. “É uma classificação que irá, desejamos, contribuir para a sua proteção. A Sé de Leiria, que foi construída no século XVI e sofreu profundas alterações devido a um terramoto no século XVIII e às invasões francesas no século XIX, é identificada como um dos grandes edifícios do Renascimento tardio do nosso país”, lembrou o presidente, em declarações à agência Lusa.

 

Entrevista ao Doutor Marco Daniel Duarte,

diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima

“As mais-valias são sobretudo em torno da ideia de identidade”

Que significado tem esta classificação da Sé como monumento nacional?

É o reconhecimento institucional do que a comunidade científica já tem vindo a dizer há muito tempo. O edifício da catedral da Leiria é um templo notável, construído segundo a tratadística da sua época e que chega até nós com uma clareza de linguagem e uma monumentalidade que espelha um dos períodos mais ricos da história da arte e da cultura portuguesas: o humanismo vivido ao tempo de D. João III que cria a diocese de Leiria e transforma o lugar numa verdadeira cidade.

O que vai mudar na forma como olhamos, usamos e preservamos o edifício?

A classificação não trará uma nova forma de agir relativamente à comunidade que ali tem lugar, quer à comunidade diocesana quando se junta em torno do Bispo, quer à comunidade paroquial que ali vive quotidianamente. Ao contrário da maioria das catedrais em Portugal, o edifício é propriedade da Igreja, que o tem cuidado de uma forma muito esmerada.

Está, portanto, em bom estado de conservação…

Posso garantir que as múltiplas gerações que ali têm passado têm tido um desvelo muito grande pelo património que lhes está confiado. Há uns anos, no contexto das visitas técnicas da Rota das Catedrais, os membros do grupo técnico coordenador deste projeto foram unânimes em confirmar que a sé estava em belíssimo estado de conservação e que se notava um cuidado extremo com o edifício.

Mas ganhamos, com certeza, alguma coisa com esta decisão…

Para a Diocese e para a Cidade, a classificação é motivo de felicidade, porque se reconhece o valor patrimonial que chegou até nós. As mais-valias são sobretudo em torno da ideia de identidade: a igreja que somos, também a partir do património que edificámos e que continuaremos a edificar, é motivo de interesse para a comunidade científica e para todos os que apreciam a beleza que, segundo afirmam os cristãos, é sempre manifestação de Deus.

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