Saudação de D. António Marto ao novo Bispo da Diocese de Leiria-Fátima

Com sentimentos de louvor e de júbilo comunico-vos que hoje o Santo Padre acaba de nomear novo bispo da nossa querida Diocese de Leiria-Fátima o Senhor D. José Ornelas de Carvalho, até agora Bispo de Setúbal e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, ao mesmo tempo que aceitou o meu pedido de renúncia ao governo pastoral da Diocese.
Saudação de D. António Marto ao novo Bispo da Diocese de Leiria-Fátima
https://youtu.be/MHGF4pVdgsE

Caros Diocesanos,

“Nós vos louvamos, ó Deus; nós vos bendizemos, Senhor”!

Com sentimentos de louvor e de júbilo comunico-vos que hoje o Santo Padre acaba de nomear novo bispo da nossa querida Diocese de Leiria-Fátima o Senhor D. José Ornelas de Carvalho, até agora Bispo de Setúbal e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, ao mesmo tempo que aceitou o meu pedido de renúncia ao governo pastoral da Diocese. Ficarei convosco como Administrador Apostólico até à tomada de posse do novo bispo, no dia 13 de março, na catedral de Leiria. Desde já, em nome pessoal e de toda a Diocese, quero saudar e felicitar de todo o coração o Senhor D. José Ornelas por esta nomeação, exprimir-lhe o nosso regozijo e dar-lhe as boas-vindas mais fraternas e calorosas: “Bendito o que vem em nome do Senhor”!

Na vida “há um momento para tudo e um tempo para cada coisa debaixo do céu”, como diz o livro de Cohelet (3, 1). Há um tempo para começar e um tempo para terminar, um tempo para chegar e um tempo para partir, um tempo para falar e um tempo para calar. Os pastores do Povo de Deus vêm e partem. Também eles passam. Só um permanece sempre: o Bom Pastor, Jesus Cristo, “o grande Pastor das ovelhas” como lhe chama a Carta aos Hebreus (3, 20).

Neste sentido, ao aproximar-se a idade que o direito canónico estabelece como limite destas funções e consciente também de maior limite das forças físicas e anímicas para exercer adequadamente o cargo, face às exigências pastorais da Diocese e do Santuário de Fátima, apresentei ao Santo Padre o pedido de renúncia ao governo pastoral da Diocese, quando completei 74 anos. Quero agradecer, profundamente reconhecido, a compreensão tão paternal, tão amiga e afetuosa do Papa Francisco, manifestada pessoalmente, quando lhe apresentei o meu pedido.

O Bom Pastor, todavia, não abandona o seu rebanho. Continua sempre a guardá-lo e guiá-lo através dos sucessores dos Apóstolos, os bispos. Cada bispo é um elo nesta corrente da solicitude apostólica pelo povo santo de Deus. É a Igreja Apostólica que se manifesta em continuidade com as fontes e, ao mesmo tempo, em renovação permanente. 

Cada bispo que chega traz carismas diferentes e complementares, escreve uma nova página, inscreve um novo recomeçar. O Senhor D. José Ornelas traz consigo uma riqueza enorme e única para imprimir um novo impulso à renovação pastoral da Diocese e do Santuário de Fátima. Como missionário dehoniano, e, depois, Superior Geral, durante dez anos, da Congregação dos Padres Dehonianos, é portador duma enriquecedora visão e experiência universal da Igreja e do mundo na diversidade dos cinco continentes. Como Bispo de Setúbal e Presidente da Conferência Episcopal tem dado provas duma experiência pastoral aliada a um dinamismo missionário duma Igreja próxima e em saída, capaz de tomar decisões corajosas e inovadoras, na linha do propósito de renovação do Papa Francisco. É um bispo com “o cheiro das ovelhas”, de uma relação próxima e afável com o povo fiel de Deus, leigos, padres e membros da vida consagrada, aberto ao diálogo ecuménico e inter-religioso como também aos não crentes. Por todas estas qualidades, é hoje uma personalidade reconhecida e muito estimada na sociedade civil e na Igreja. A Diocese de Leiria-Fátima está pois de parabéns! O Senhor D. José vem encontrar uma Igreja viva e ansiosa de renovação missionária, que o vai acolher de coração e braços abertos.

Lançando um olhar retrospetivo para a minha vida de bispo entre vós, verifico o que pude realizar e o que não consegui fazer, vejo os meus dons e os meus limites. Tenho consciência de que as realizações ficam aquém das aspirações, de que na minha conta o “Deve” é maior do que o “Haver”. Peço perdão a todos vós, especialmente a quem não tenha prestado a devida atenção ou tenha desgostado por ações ou omissões.

Com o jovem padre no romance “Diário de um pároco de aldeia”, de G. Bernanos, sinto vontade de dizer: “Tudo é graça”! E com Santo Agostinho também posso dizer “Todas as minhas recordações são ação de graças”. A Deus e a vós.

Tudo o que vivemos e realizámos em comum, caminhando juntos nestes dezasseis anos, foi sobretudo obra de Deus, o Senhor da vinha. Sim, tudo é graça. Obrigado, meu Deus! Por isso, desejo exclamar com o salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome seja dada glória pela tua bondade e fidelidade” (Sl 113, 9)!

Quero expressar também o meu profundo agradecimento a todos: aos irmãos sacerdotes, como colaboradores imediatos, aos consagrados e consagradas, aos cristãos e cristãs leigos por toda a colaboração e dedicação, bem como a todas as autoridades e entidades civis, académicas e militares que sempre me brindaram com a sua gentil deferência e estima pessoal. Sem esquecer os peregrinos de Fátima e o seu testemunho de fé.  As realizações pastorais que se alcançaram são fruto do esforço e da generosidade de todos. Que Deus vos recompense como só Ele sabe e é capaz de o fazer!

Nestes dias, pensando no meu futuro imediato, recordei muitas vezes os versos de S. João da Cruz: “Já não guardo rebanho, nem já tenho outro ofício, que já só em amar é meu exercício”. Queira Deus que seja verdade o de amar! Mas, enquanto tiver saúde e forças, continuarei a trabalhar ao serviço do Evangelho em tudo o que me for possível.

Amei e continuarei a amar com toda a minha alma esta Igreja de Leiria-Fátima e os seus fiéis. Como me senti querido por muitos de vós! Senti-me entre vós em família, como bispo irmão entre irmãos. Deus sabe que não busquei honras nem aplausos. Todavia, levo uma riqueza que não trocaria por todo o ouro do mundo: o coração cheio de nomes e rostos, que são os vossos, sobretudo dos “meus amiguitos e amiguitas”. E levarei comigo o título mais honroso: o de bispo emérito de Leiria-Fátima! Como levarei sempre comigo, gravada na retina da alma e do coração, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, querida e terna Mãe, e dos santos Pastorinhos, de quem tenho recebido tanta ternura e tantas graças.

Espero que continuemos a ver-nos. Por favor, rezai por mim. Eu farei o mesmo por vós. E rezai por D. José Ornelas, vosso novo bispo, que é e será em Leiria-Fátima um excelente Pastor. Acolhei-o com a mesma generosidade com que me acolhestes a mim. Muito obrigado! O Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos proteja!

Um abraço fraterno do vosso irmão bispo,

Leiria, 28 de janeiro de 2022.

† Cardeal António Marto, Administrador Apostólico de Leiria-Fátima

Saudação de D. António Marto
http://l-f.pt/Vebh

Refª: CE2022B-001

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