Retiro popular, tema 5: UMA ENTREGA QUE DÁ VIDA

Venho convidar os fiéis católicos e porventura outros cristãos e pessoas em busca espiritual, para se juntarem em grupos, se sentarem a esta “mesa da Palavra de Deus” e se alimentarem dos dons divinos, usando os apoios oferecidos neste guião.

Acolhimento e saudação entre os participantes

1. Invocação do Espírito Santo / Oração inicial

– Invoco a presença de Deus –

1.1. Cântico (à escolha, ver anexo)

1.2. Prece

Senhor Jesus,
iluminados pela luz do Tabor,
mostra-nos o Teu rosto;
iluminados pela luz do Teu Calvário,
mostra-nos o Teu rosto;
iluminados pela luz da Tua Páscoa,
mostra-nos o Teu rosto;
iluminados pela Palavra que hoje escutamos,
mostra-nos o Teu rosto.

Senhor Jesus,
faz-nos contemplar na palavra e no pão da vida
a Tua luminosa face que tudo recria
e, pelo Teu Espírito, conduz-nos à Páscoa eterna
que um dia viveremos na casa do Teu e nosso Pai.

Assim Te pedimos, ó Cristo,
que és Deus com o Pai
na unidade do Espírito Santo.
Ámen.

2. Leitura da Palavra

– Escuto e compreendo a Palavra que me é oferecida –

2.1. Leitura do Evangelho segundo São João (Jo 12, 20-26)

Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração,
havia alguns gregos.
Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia,
e pediam-lhe: «Senhor, nós queremos ver Jesus!»
Filipe foi dizer isto a André;
André e Filipe foram dizê-lo a Jesus.
Jesus respondeu-lhes:
«Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem.
Em verdade, em verdade vos digo:
se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só;
mas, se morrer, dá muito fruto.
Quem se ama a si mesmo, perde-se;
quem se despreza a si mesmo, neste mundo,
assegura para si a vida eterna.
Se alguém me serve, que me siga,
e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo.
Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo.
Palavra da Salvação.

2.2. Leitura pessoal

– Volto a ler, em silêncio: o que diz o texto? –

2.3. Notas para a compreensão do texto

Tal como noutros livros da Escritura, o Evangelho de João esforça-se por mostrar a universalidade da boa nova de Cristo, que extravasa os muros do povo de Israel. Neste trecho, percebe-se bem como são já os gregos que querem ver Jesus, dirigindo-se a Filipe (nome grego), um dos primeiros a encontrar o Messias (Jo 1, 43-48), um dos discípulos envolvido na multiplicação dos pães (Jo 6, 5-7) e aquele que pede a Jesus para revelar o Pai (Jo 14, 8s). Junta-se a Filipe um outro discípulo de nome grego, André, também ele presente no encontro narrado no primeiro capítulo do Evangelho de João, quando do primeiro encontro com Jesus. 

Ao perceber que os gregos o queriam ver, Jesus mostra-se através da palavra pela qual transmite o dinamismo da salvação: a hora da glória acontece quando o Filho de Deus der a vida pela humanidade, à maneira do grão de trigo que, depois de lançado à terra, há de morrer e, assim, dar fruto. Daqui vem o exemplo maior — o amor até ao fim — que é proposto aos que seguem Jesus, a fim de que deixem a autorreferenciação e se façam servos do amor que frutifica. 

O excerto joanino apresenta assim duas movimentações: subir para a cidade e, aí, perceber que a subida não pode acontecer sem o movimento descendente, a quenose: só assim é possível ver a Deus. De facto, não é possível olhar Jesus sem ver as consequências da sua Palavra na própria vida.  

3. Meditação pessoal 

–  Medito interiormente a Palavra acolhida: o que me diz o Senhor? –

«Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração, havia alguns gregos.» 

O Deus que criou o mundo, que o remiu e que continuamente o santifica é um Deus que acompanha a história humana, independentemente das nações e dos grupos em que a humanidade teima em dividir-se. 

* Tenho consciência de que o meu Deus é um Deus para todos? Reconheço o valor dos outros nas suas diferenças e percebo as suas inquietações e busca espiritual?

«Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e pediam-lhe: “Senhor, nós queremos ver Jesus!” Filipe foi dizer isto a André; André e Filipe foram dizê-lo a Jesus.»

Quantas vezes são aqueles que consideramos longe de Deus os que mais se mostram sedentos do Seu amor! 

* Sou capaz de reconhecer que o “estrangeiro” também tem sede de Deus e procura encontrá-l’O? Com a minha vida, manifesto a presença de Deus e, com o meu testemunho, levo os outros ao Seu encontro? 

Certamente que também eu quero ver a face de Deus. Onde a procuro? Na palavra da Escritura, quando leio a Bíblia ou quando estou na assembleia e a ouço proclamar? No pão da vida, quando comungo Cristo e lhe peço que me transforme a partir do seu amor? Nos pobres e nos que mais precisam da minha ajuda? Nas pessoas que encontro no meu dia-a-dia (escola, trabalho, círculo de amigos, vizinhos)? Nos meus familiares?  É aí que Deus está e também é aí que encontro a Santa Face de Deus, que a humanidade procura. Por que razão me é fácil reconhecer Deus sobre o altar e me é tão difícil reconhecer Deus nos meus irmãos? 

Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

Para dar vida e alimentar todo um povo, Jesus tem que passar pela entrega da Sua vida, uma entrega sem limite, aniquilando-se a Si mesmo. A imagem do grão de trigo surge como imagem perfeita, não só porque remete para a morte de Cristo na Cruz, mas também porque remete para a Sua ressurreição na vida nova que brota do mistério pascal de Cristo. Essa entrega sacrificial é também o memorial do sacramento da Eucaristia, onde se toma o grão de trigo para alimento novo saído do altar de Cristo. 

* Esse memorial não se faz sem que — como tantas vezes cantamos — na hóstia sobre a patena vá o nosso coração como oferta da nossa vida, como nosso ser em doação. Quantas vezes participo na Eucaristia e deixo longe de mim este mistério da entrega de Cristo de que também eu faço parte? 

Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna. Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo.

Jesus deixou claro qual era a mais luminosa mensagem do Evangelho; fê-lo de muitos modos, por palavras, por sinais, pelo exemplo de amor até à entrega última e definitiva na Cruz. Aqueles que o quiserem seguir não podem viver a olhar para um espelho, pois, desse modo, nunca verão Jesus. Ao sentirem o desejo dos gregos que subiam a Jerusalém e queriam ver Jesus, terão de olhar para os irmãos que estão ao seu lado, para o próximo e amá-los segundo as palavras de Cristo, segundo o mandamento novo. Por outras palavras, os que quiserem seguir Jesus devem adorá-l’O na Eucaristia celebrada e na Eucaristia vivida, isto é, devem ser eles mesmos eucaristia em cada momento das suas vidas, mesmo que experimentem a infelicidade do mundo para que possam viver a felicidade de Deus, segundo o código das bem-aventuranças. 

* Estarei disposta/o a celebrar a Eucaristia dentro dos muros das igrejas e fora dos seus muros, à volta do altar, adorando o Senhor na hóstia que a custódia apresenta e nas custódias que são os meus irmãos com quem contacto no dia-a-dia, no tempo que me é dado viver? 

4. Partilha da Palavra 

– Partilho com os outros o dom recebido: que posso oferecer-lhes? – 

Comunico uma palavra ou frase que me interpelou. Posso também partilhar algo do que rezei na minha intimidade. Esta minha participação deve ser voluntária e breve.

5. Oração

– A partir do que escutei e vivi neste tempo, falo com o Senhor – 

Faço uma oração espontânea a partir do texto lido ou da meditação feita. Posso também rezar com os outros a oração proposta para este biénio pastoral ou dizer, em dois coros, a formulação que segue, a partir das Bem-aventuranças: 

Felizes são os pobres em espírito,
habitarão no reino do Amor.

Felizes são as lágrimas do justo,
torrente de água da consolação.

Felizes são os servos, os humildes,
terão de Deus a terra da promessa.

Felizes são os que amam a justiça,
do amor, saciados, viverão.

Felizes os misericordiosos,
alcançarão de Deus misericórdia.

Felizes são os puros no seu ser,
sem véu verão o rosto do Amor.

Felizes são os obreiros da paz,
serão chamados filhos do Senhor.

Felizes os que sofrem por amor,
dos Céus terão o reino da herança.

Felizes os que seguem o Senhor,
no martírio gozarão da alegria.

Felizes os que sem ver acreditam,
confiam na Palavra do Senhor.

Felizes os que ouvem a Palavra,
Felizes os que a Palavra praticam.

6. Compromisso 

– A que me convida, hoje, o Senhor – 

Faço um momento de silêncio e formulo um compromisso pessoal.  Posso também propor um gesto ou iniciativa comunitária. No final, todos cantam: 

Quanta paz e quanto bem, / Quanta alegria nos vem
De vivermos como irmãos! / Assim seja eternamente!

Como a luz que vem de altura / Assim nos enche a ventura,
De vivermos como irmãos! / Assim seja eternamente!

Qual perfume que inebria, / Assim a doce alegria
De vivermos como irmãos! / Assim seja eternamente!

Qual orvalho da manhã, / É a alegria cristã
De vivermos como irmãos! / Assim seja eternamente!

7. Em casa

– Levo para a vida a mensagem que acolhi – 

No seguimento do encontro de grupo, procurarei dedicar algum tempo (15-20 minutos), num ou mais dias da semana, para retomar a meditação e contemplação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a minha vida no dia-a-dia.

Retiro Popular
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