TEMA 6 (Celebração)
Como Maria, SERVIR, na alegria dos ministérios que nascem do Batismo
Esta celebração pode ser feita numa Igreja ou numa sala devidamente preparada.
Sugestão de elementos para a ornamentação da sala: Bíblia, vela, cruz, imagem de Maria e vaso com flores.
Acolhimento e saudação entre os participantes.
Animador [A] Sejamos todos bem-vindos. Cantemos!
Cântico (sugestão)
– De pé
1. Quero ser como tu, como tu, Maria.
Como tu, um dia, como tu, Maria!
2. Quero servir Jesus …
3. Quero dizer meu “Sim” …
Ritos iniciais
[A] Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos [T] Ámen
[A] A graça e paz de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam connosco!
[T] Bendito seja Deus que nos uniu no amor de Cristo!
[A] Irmãos e irmãs, concluímos hoje o nosso Retiro Espiritual. A Quaresma é para nós um tempo favorável, um tempo de graça.
Ao longo destes dias, deixámos que a Palavra de Deus nos conduzisse e nos iluminasse. À luz dos textos bíblicos, meditámos sobre o que o Senhor espera de nós, no serviço que exercemos, na Igreja e no mundo.
Hoje vamos rezar com o Magnificat (Lc 1,46-56), onde Maria nos revela o coração de quem acolhe a ação de Deus e se deixa transformar por Ele. Neste hino de louvor, aprendamos a contemplar as maravilhas do Senhor e a reconhecer, como Maria e com Ela, que Deus realiza sempre mais do que nós, os Seus servos, ousamos esperar.
O Magnificat ajudar-nos-á a saborear os frutos do Jubileu que vivemos no ano passado e a renovar em nós a graça batismal que nos chamou a ser ministros do Senhor, servidores da Sua alegria e testemunhas da Sua misericórdia.
Façamos, portanto, um breve momento de silêncio e coloquemo-nos humildemente diante de Deus, deixando que Ele nos visite e renove. (Breve silêncio; e depois o animador convida à oração):
Prece
[A] Cantemos este refrão que iremos repetir, como forma de expressar a nossa confiança no Senhor. Oremos: O Senhor é minha luz e minha salvação!
[Leitor 1] Ó Senhor, concedei-nos a graça de renovar o sim do nosso Batismo, para vivermos com fidelidade o ministério que na Igreja assumimos e para que, como Maria, saibamos acolher a vossa vontade com humildade e alegria. Cantemos: – O Senhor é minha luz e minha salvação!
[Leitor 2] Fortalecei-nos, Senhor, com o Vosso Espírito Santo, para servirmos o Vosso povo com generosidade e caminharmos sempre na luz da fé, mesmo quando o peso da missão é exigente e nos desafia. Que o exemplo de Maria nos inspire a dizer: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Cantemos: – O Senhor é minha luz e minha salvação!
[Leitor 3] Ajudai-nos, Senhor, a reconhecer as maravilhas que realizais em nós e a proclamar com a nossa vida a vossa misericórdia que nunca falha. No ministério que exercemos, tornai-nos sinal da vossa presença e instrumentos dóceis da vossa graça para a glória do Vosso Nome. Cantemos: – O Senhor é minha luz e minha salvação!
Leitura e compreensão da Palavra
[A] Podeis sentar-vos. Abramos o coração para escutar o Magnificat. É com este hino que queremos rezar e meditar com Maria. Cantemos, este refrão, intercalando-o com a leitura:
(Música M. Silva)
Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres.
[Leitor 1]:
46Maria disse, então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações»
Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres.
[Leitor 2]
49O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome.
50A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem.
51Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
52Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres.
[Leitor 3]
53Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
54Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
55como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.
56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a casa.
Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres.
[A] Podeis sentar-vos. Procuremos compreender melhor o sentido deste texto poético.
Notas para a compreensão do texto
[Leitor 1] O Magnificat é um dos cânticos mais belos e profundos do Novo Testamento, revelando a espiritualidade e a fé de Maria diante do mistério da ação de Deus na sua vida. Nos versículos iniciais, Maria expressa o louvor total da sua alma e do seu espírito, reconhecendo Deus como Salvador. Ela coloca-se humilde diante de Deus, não como um ato de autodepreciação, mas como abertura ao plano divino. Ao afirmar que Deus pôs os olhos na humildade da sua serva, Maria demonstra que a grandeza verdadeira surge do reconhecimento da dependência de Deus e da entrega confiante à Sua vontade. A referência a todas as gerações que a chamarão bem-aventurada mostra que a sua experiência pessoal de fé se torna um modelo para toda a Igreja, que aponta para o caráter universal da ação de Deus na história da salvação.
[Leitor 2] Nos versículos 49 e 50, Maria reconhece que o Todo-poderoso realizou na sua vida maravilhas e que o Seu nome é santo. A misericórdia de Deus, que se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem, revela que a salvação não é apenas um evento isolado, mas um desdobramento contínuo da fidelidade divina. A atitude de temor do Senhor, no texto entendida como reverência confiante, é a chave que permite perceber e acolher a ação salvadora de Deus. O cântico, portanto, é um convite a contemplar as maravilhas de Deus na nossa própria vida e a cultivar uma atitude de gratidão e respeito reverente.
[Leitor 1] Os versículos 51 a 53 introduzem uma dimensão social e profética. Maria canta a inversão de valores promovida por Deus. Ele manifesta o poder do seu braço, dispersa os soberbos, derruba os poderosos e eleva os humildes, enche de bens os famintos e esvazia os ricos. Esta linguagem faz ecoar fortemente a tradição dos profetas do Antigo Testamento, que proclamavam a justiça de Deus e denunciavam a opressão. O Magnificat, assim, não é só um cântico espiritual, mas também tem um caráter social, ao anunciar que a obra de Deus transforma estruturas humanas injustas e promove a dignidade e a equidade. A fé cristã, inspirada por Maria, chama o crente à solidariedade ativa e à defesa dos marginalizados, a vivenciar a misericórdia e a justiça de Deus.
[Leitor 2] Nos versículos 54 e 55, Maria liga a sua experiência pessoal à história de Israel, ao lembrar que Deus acolhe o Seu povo e cumpre as promessas feitas a Abraão e à sua descendência. O cântico, portanto, é profundamente enraizado na tradição bíblica e evidencia que a ação de Deus é sempre fiel e consistente. Para o cristão, isso significa que a própria vida se insere na narrativa da salvação. A esperança não é vaga ou abstrata. Ela fundamenta-se na fidelidade histórica de Deus, que se manifesta tanto no passado quanto no presente e se estenderá às gerações futuras.
[Leitor 1] O versículo 56 encerra o cântico de Maria com o seu retorno à sua vida cotidiana depois de permanecer três meses com Isabel. Esta simples nota narrativa indica que a experiência de encontro com Deus não é apenas contemplativa, mas transforma a vida prática. A oração e o louvor devem conduzir à ação concreta, ao serviço e à fidelidade na vida diária. O Magnificat, portanto, integra intimidade com Deus e responsabilidade humana, mostrando que a fé verdadeira implica compromisso com a justiça, a humildade e a misericórdia no mundo.
[Leitor 2] Em síntese, o Magnificat é um hino que une louvor, gratidão, justiça social, fidelidade às promessas divinas e serviço concreto. Maria emerge como modelo de fé ativa, esperança confiada e amor transformador, ensinando que a verdadeira grandeza se encontra na humildade, na entrega a Deus e na abertura aos outros. Ele revela que a presença de Deus transforma a vida humana, reverte estruturas de poder injustas e chama cada crente a viver uma espiritualidade que se manifesta tanto na contemplação quanto na ação.
[A] Voltemos a ler, em silêncio, Lc 1,46-56 (se possível use a sua Bíblia). Deixemos a palavra impregnar-se na nossa mente. Palavra por palavra. Linha por linha. Leiamos com atenção este texto poético. Coloquemo-nos juntos de Maria. Tentemos captar quais são os seus sentimentos ao entoar este cântico ao Senhor. Procuremos e sublinhemos no texto as palavras e as frases mais importantes. (máx. 3 min.)
Tópicos para a meditação pessoal e oração
[A] (Podeis sentar-vos) …
Em espírito de oração, coloquemos a Palavra na nossa vida. Entremos em diálogo com a Palavra de Deus, ou seja, com aquilo que o texto nos está a dizer pessoalmente. A partir dos versículos e das perguntas que são aqui propostas, procuremos responder ‘o que me diz o texto?’, primeiramente em silêncio e depois em oração comunitária.
[A] «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Maria inicia o seu cântico retomando o apelo que o Anjo lhe dirigira na Anunciação: “Alegra-te” (chaîre, em grego). Um convite a uma alegria profunda, não emocional, mas enraizada na ação de Deus. Ela oferece o coração inteiro ao Senhor e reconhece que a verdadeira alegria nasce d’Ele e não das circunstâncias. No silêncio, peçamos ao Senhor a graça de termos um coração que, como o de Maria, sabe alegrar-se em Deus, mesmo nas incertezas. (Silêncio) E oremos juntos:
Bendito sejas, Senhor, porque és a fonte da nossa alegria. Ensina-nos a alegrar-nos em Ti e a glorificar o Teu nome, como Maria. Que o nosso espírito se alegre sempre em Ti, o nosso Salvador. Ámen.
[A] «Porque pôs os olhos na humildade da sua serva…»
(O animardor faz uma pausa e depois continua)
Maria reconhece que não merece nada, mas que Deus olha para ela com amor. O centro não é a sua grandeza, mas a grandeza do olhar de Deus. Em silêncio, reconheçamos diante do Senhor a nossa pequenez e agradeçamos o Seu olhar que nunca se afasta de nós. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor, nós Te bendizemos porque, apesar das nossas fragilidades, pões os olhos sobre nós. Ajuda-nos a viver humildemente e a confiar sempre no Teu amor que nos transforma. Ámen.
[A] «O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome!»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Maria proclama as obras de Deus na sua própria vida. Cada um de nós pode também reconhecer maravilhas que Deus fez e continua a fazer. Em silêncio, agradeçamos ao Senhor os dons recebidos, visíveis e invisíveis. (Silêncio) E oremos juntos:
Bendito sejas, Senhor, pelas maravilhas que realizas em nós. Santo é o Teu nome! Que sejamos capazes de reconhecer os Teus dons e viver em permanente gratidão. Ámen.
[A] «A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Maria contempla a fidelidade de Deus que atravessa a história. Não estamos abandonados, à mercê de nós mesmos. A misericórdia de Deus acompanha-nos. Em silêncio, reconheçamos as marcas da misericórdia de Deus na nossa vida. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor Deus, bendito sejas pela Tua fidelidade. Ensina-nos a viver na confiança; que saibamos que a Tua misericórdia nos precede e nos acompanha. Ámen.
[A] «Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Maria reconhece que Deus derruba aquilo que é soberbo, arrogante e falso. O Senhor não abençoa a altivez, mas exalta o humilde. Em silêncio, peçamos um coração simples, livre do orgulho e da autossuficiência. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor, nós Te bendizemos porque és justo e verdadeiro. Liberta-nos da soberba. Dá-nos um coração disponível, para que a Tua força se manifeste em nós. Ámen.
[A] «Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Deus inverte os valores do mundo: não é o poder, nem a riqueza, nem a posição que Ele valoriza, mas a humildade e a confiança. Em silêncio, peçamos um coração humilde, disponível para servir e acolher a Sua vontade. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor, nós Te bendizemos porque exaltas os humildes. Dá-nos a coragem de viver na simplicidade e na humildade e de confiar em Ti, em todas as coisas. Ámen.
[A] «Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Deus olha pelos que têm necessidade e ensina-nos a repartir, a partilhar e a cuidar dos outros. Em silêncio, peçamos um coração generoso e sensível às necessidades do próximo. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor, nós Te bendizemos porque sacias os famintos e nos ensinas a repartir. Dá-nos um coração aberto à partilha e à solidariedade. Ámen.
[A] «Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre»
(O animador faz uma brevíssima pausa e depois continua)
Deus cumpre as Suas promessas e manifesta a Sua fidelidade ao longo das gerações. Em silêncio, peçamos confiança na Sua misericórdia e fidelidade, tanto na nossa vida pessoal como no serviço aos outros na comunidade. (Silêncio) E oremos juntos:
Senhor, nós Te bendizemos porque és fiel às Tuas promessas e és misericordioso. Fortalece a nossa fé e a nossa esperança de que a Tua graça se renova sempre em nós e nos nossos irmãos. Ámen.
[A] De pé, cantemos (sugestão)
A minha alma glorifica o Senhor,
porque olhou para a sua humilde serva.
A minha alma glorifica o Senhor!
A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e a sua descendência para sempre.
Oração final
[A] A partir do que escutámos, rezámos e vivemos nesta celebração da Palavra, oremos juntos:
[T] Senhor nosso Deus, Nós Vos damos graças, com Maria, porque a Vossa misericórdia se estende de geração em geração e porque olhais para cada um de nós com a mesma ternura com que olhastes para a Vossa serva. Glorificamos o Vosso nome, porque fazeis maravilhas na nossa vida, muitas vezes frágeis, mas sempre cheias de luz. Reconhecemos que sois a nossa alegria e o nosso Salvador, Aquele que levanta os humildes, que consola os abatidos e que sacia a fome dos que Vos procuram com coração sincero. Senhor, que o cântico de Maria se torne também o nosso cântico. Que a nossa alma saiba glorificar-Vos e que o nosso espírito encontre em Vós a verdadeira alegria. Tornai-nos disponíveis, como Maria, para acolher a Vossa Palavra e deixai que ela frutifique em nós. Ajudai-nos a confiar em Vós, mesmo quando não compreendemos plenamente o Vosso caminho. Guardai-nos na humildade, libertai-nos do orgulho e tornai-nos instrumentos da Vossa misericórdia no mundo. Que o Vosso amor, proclamado no Magnificat, transforme o nosso olhar, aqueça o nosso coração e renove a nossa esperança. E que, como Maria, possamos servir e levar o vosso Filho Jesus, dentro de nós, a todos aqueles que encontrarmos. Ámen.
Pai-Nosso…
– Sinal da Cruz:
[A] O Senhor nos abençoe + nos livre de todo o mal + e nos conduza à vida eterna +
[T] Ámen.
Cântico final (sugestão)
Coração virginal de Maria, Coração virginal de Maria,
sede luz e guia, sede luz e guia,
sede luz e guia do pobre mortal;
Ao chegar minha última hora, ao chegar minha última hora,
vinde sem demora, vinde sem demora,
vinde sem demora levar-me ao Céu;
– Se oportuno, faça-se um convívio após a oração.