Acolhimento e saudação entre os participantes
Cântico inicial (sugestão)
Senhor, eu seguirei o vosso exemplo;
eu serei servidor dos meus irmãos.
Dai graças ao Senhor porque Ele é bom
porque é eterna a sua misericórdia.
Saudação e oração inicial
[Orientador] Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
[Todos] Ámen
[O] O Servo do Senhor tomou sobre si as nossas dores.
[T] Pelas suas chagas fomos curados.
[O] Confiantes n’ Aquele que carrega as nossas feridas, rezemos juntos!
[T] Vem, Senhor Jesus,
fortalece-nos na dor,
conforta-nos na fraqueza;
faz-nos reconhecer no Servo sofredor o rosto do amor fiel.
Purifica o nosso coração,
renova a nossa confiança
e dá-nos a graça de acolher a paz
que brotou do Teu sacrifício.
Ensina-nos, Senhor, a carregar com amor a cruz de cada dia
e dá-nos a alegria de Te amar e de Te servir. Ámen.
1º Passo: «Lectio»
(leitura orante da Palavra)
– sentados
[O] Em silêncio e em oração, escutemos e acolhamos a Palavra que nos é oferecida.
[Leitor 1] Do livro de Isaías: «O Servo sofredor» (Is 53,1-12)
«1Quem acreditou no nosso anúncio? A quem foi revelado o braço do SENHOR? 2O servo cresceu diante do SENHOR como um rebento, como raiz em terra árida, sem figura nem beleza. Vimo-lo sem aspeto atraente, 3desprezado e abandonado pelos homens, como alguém cheio de dores, habituado ao sofrimento, diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desconsiderado.
4Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores. Nós o reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado. 5Mas foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele, fomos curados pelas suas chagas. 6Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas, cada um seguindo o seu caminho. Mas o SENHOR carregou sobre ele todos os nossos crimes. 7Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador. 8Sem defesa, nem justiça, levaram-no à força. Quem é que se preocupou com o seu destino? Foi suprimido da terra dos vivos, mas por causa dos pecados do meu povo é que foi ferido. 9Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios, e uma tumba entre os malfeitores, embora não tenha cometido crime algum, nem praticado qualquer fraude. 10Mas aprouve ao SENHOR esmagá-lo com sofrimento, para que a sua vida fosse um sacrifício de reparação. Terá uma posteridade duradoura e viverá longos dias, e o desígnio do SENHOR realizar-se-á por meio dele. 11Por causa dos trabalhos da sua vida verá a luz. O meu servo ficará satisfeito com a experiência que teve. Ele, o justo, justificará a muitos, porque carregou com o crime deles. 12Por isso, ser-lhe-á dada uma multidão como herança, há de receber muita gente como despojos, porque ele próprio entregou a sua vida à morte, e foi contado entre os pecadores, tomando sobre si os pecados de muitos, e sofreu pelos culpados». Palavra do Senhor!
[Leitor 2] Para ajudar a compreender o texto
O texto de Isaías 53,1-12 apresenta o Servo do Senhor como aquele que sofre pelos outros, a carregar os pecados e as dores do seu povo, e a oferecer a sua vida como sacrifício de reconciliação. Ele é desprezado e humilhado, mas permanece fiel à missão que Deus lhe confiou, a trazer cura e justiça a muitos. Para nós, cristãos, este texto aponta para Jesus, o Servo sofredor, que nos ensina a obedecer à vontade de Deus, mesmo diante do sofrimento e da injustiça. Ele mostra-nos que o serviço e ministérios que nos foram confiados exigem humildade, entrega e coragem, e que a fidelidade a Deus transforma o sofrimento em vida e esperança. Mesmo nas dificuldades, somos convidados a confiar na força e no amor de Deus, sabendo que a nossa fidelidade se torna instrumento de salvação e luz para os outros.
[O] Ainda neste 1º momento da Lectio Divina, voltemos a ler, em silêncio, o texto do Servo sofredor (se possível, usemos a nossa Bíblia). Deixemos a palavra impregnar-se na mente e entrar no coração. Coloquemos a nossa imaginação em ação. Como o servo vive o sofrimento? Que lição sabe tirar das suas dores? O que Ele espera de Deus? Se possível, sublinhemos o que mais nos chama a atenção. (máx. 3 min.)
2º Passo: «Meditatio»
(Meditação pessoal da Palavra)
[O] Este 2º passo ajudar-nos-á a colocar a Palavra na nossa vida. É o momento de dialogarmos com aquilo que o texto nos está a dizer pessoalmente. Procure perceber o que o texto «lhe» diz concretamente. A partir dos versículos e das perguntas que são aqui propostas respondamos intimamente à pergunta: o que me diz o texto? (máx. 2/3 min. para cada reflexão)
«Quem acreditou no nosso anúncio? A quem foi revelado o braço do Senhor?»
O texto começa com perguntas. A ação de Deus nem sempre é reconhecida. Muitos não percebem o modo como Deus atua. O “braço do Senhor”, símbolo da força divina, manifesta-se de maneira inesperada, humilde, quase invisível aos olhos humanos. Também nós, por vezes, procuramos sinais grandiosos e esquecemos que Deus age de forma discreta, humilde e silenciosa.
Tenho reconhecido a presença de Deus nas circunstâncias e realidades pequenas, frágeis e humildes? Estou à espera de manifestações extraordinárias para acreditar? Percebo que Deus atua também onde o mundo não vê valor?
«… sem aspeto atraente… desprezado e abandonado… habituado ao sofrimento…»
O Servo assume a fragilidade humana até ao extremo. Não conquista pela aparência, pelo poder ou pela força, mas pela solidariedade com o sofrimento. Ele entra nas dores humanas e faz delas lugar de salvação. A verdadeira grandeza não está no brilho exterior, mas na capacidade de amar até ao fim. O mundo desvia o rosto; Deus aproxima-Se.
Como reajo e lido com o sofrimento, o meu e o dos outros? Fujo e desvio o olhar das situações difíceis? Procuro a beleza exterior mais do que a verdade interior? Sou capaz de reconhecer Cristo nos rostos feridos, pobres e desprezados?
««Ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores»
O Servo não observa de longe, não comenta, não julga: Ele carrega. Ele assume. Ele toma sobre Si aquilo que nos destrói. É a imagem mais profunda da compaixão divina: Ele entrega-Se por nós; para que não caminhemos sozinhos sob o peso das nossas feridas.
Entrego a Jesus as minhas dores ou insisto em carregá-las sozinho? Deixo que Ele cure o que está doente em mim? Acredito que Ele sofre comigo e por mim? Vivo agradecido e todos os dias louvo a Jesus pelo dom da Sua salvação na cruz?
«Fomos curados pelas suas chagas»
Aqui está um paradoxo da fé: é da ferida que brota a cura, da morte que nasce a vida, da derrota que emerge a vitória. As chagas do Servo tornam-se lugares de misericórdia. A cruz transforma aquilo que é morte em fonte de vida.
Quais são as minhas chagas que precisam ser tocadas pela graça? Acredito que Deus pode transformar as minhas fragilidades num caminho de cura e renovação?
«Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas…, mas o SENHOR carregou sobre Ele todos os nossos crimes»
A Palavra descreve o nosso afastamento, a nossa ‘perdição’, a nossa tendência para procurar caminhos próprios. Mesmo assim, Deus não desiste. Ele reúne, chama, carrega, reconduz. A salvação começa quando reconhecemos que não somos autossuficientes.
Que caminhos me têm afastado de Deus? Estou consciente das minhas dispersões interiores? Permito que Deus me encontre e me reconduza? Insisto em caminhar sozinho?
«Maltratado… humilhou-se… não abriu a boca…»
O silêncio do Servo não é resignação; é confiança absoluta. Não responde com violência, não devolve o mal com mal. A mansidão torna-se profecia. O silêncio torna-se vitória.
Como reajo diante da injustiça, da calúnia ou da crítica? Tenho resposta para tudo e não sei calar-me quando me insultam ou falam mal de mim? Falta-me paciência, mansidão, confiança em Deus quando me sinto injustiçado(a)?
«Foi suprimido da terra dos vivos… por causa dos pecados do meu povo é que foi ferido»
O Servo vai até ao fundo mais sombrio da condição humana: morte, injustiça, abandono. Tudo é assumido. Tudo é oferecido. Tudo é transformado em salvação. Nada está fora do alcance da redenção divina!
Acredito que, mesmo nas situações mais difíceis, Deus pode fazer nascer Vida Nova? Entrego a Ele aquilo que em mim morre, se apaga, fracassa?
«Mas aprouve ao SENHOR esmagá-lo com sofrimento, para que a sua vida fosse um sacrifício de reparação»
O texto revela um mistério profundo: Deus transforma o sofrimento do Servo em fonte de vida para muitos. Não porque Deus deseje o sofrimento, mas porque Ele é capaz de transformar o mal em bem, a dor em oferta, a morte em vida. A entrega do Servo torna-se fecundidade.
Estou disposto(a) a oferecer a Deus aquilo que me custa, para que se torne fonte de bem? Permito que Ele transforme a minha dor em maturidade, compaixão e serviço?
«Ele, o justo, justificará a muitos… tomando sobre si os pecados de muitos»
A missão do Servo é universal. Ele salva, justifica e reconcilia uma multidão. Ele não vive para Si, mas para conduzir de volta à comunhão com Deus. A sua entrega é para todos.
Deixo-me transformar por Cristo e procuro viver para os outros? A minha fé torna-se serviço, reconciliação e oferta concreta de mim mesmo? A salvação que recebi gerou frutos na minha vida? Estou em processo? O que me falta?
3º Passo: «Oratio»
(«Oração pessoal», a partir da Palavra)
[O] Neste 3º passo da Lectio Divina, depois de termos dialogado com a Palavra, dialogamos agora com o Senhor através da Palavra. Louvemos a Deus pelo dom desta Palavra, por aquilo que, em concreto, é descrito nesta passagem bíblica e por aquilo que Deus falou pessoalmente com cada um. Primeiramente, em silêncio, louvemos o Senhor por aquilo que este texto significa, segundo a nossa compreensão imediata. Podemos rever os versículos sublinhados por nós, ou as palavras que achámos mais importantes e, no nosso íntimo, agradeçamos ao Senhor por aquilo que Ele nos disse. (máx. 2 min.)
[O] Agora louvemos juntos:
[T] Senhor Jesus, Servo sofredor e vitorioso,
eu adoro-Te e, diante de Ti, reconheço-me frágil.
Tu carregaste as minhas dores,
assumiste as minhas feridas,
e pelas Tuas chagas me ofereceste cura e reconciliação.
Abre, Senhor, o meu coração para reconhecer a Tua presença
onde o mundo não vê beleza nem valor.
Dá-me a humildade de deixar que sejas Tu
a carregar o que pesa sobre mim
e a coragem de Te seguir no caminho da confiança.
Reconduz-me quando ando disperso,
fortalece-me quando sou provado,
transforma as minhas feridas em fonte de vida nova.
Que o Teu amor entregue até ao fim
inspire também a minha forma de viver, de servir e de amar.
Senhor, faz nascer em mim um coração semelhante ao Teu,
manso, fiel, obediente e aberto à salvação. Ámen.
4º Passo: «Contemplatio»
(«Contemplar», para colocar a Palavra na vida)
[O] Este 4º passo da Lectio Divina leva-nos à adoração. Contemplemos o Senhor através da Palavra. Escutemos, no silêncio do coração, o que Ele nos diz. Deixemos ecoar na nossa mente estas frases: «Ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores»; «O castigo que nos salva caiu sobre Ele, fomos curados pelas suas chagas». ([silêncio] máx. 2 min.)
5º Passo: «Actio»
(«Ação», cumprir a Palavra)
[O] Este 5º e último momento da Lectio Divina requer que, depois de termos discernido onde, na vida, podemos aplicar a Palavra que escutámos, tenhamos em mente ações concretas que podemos cumprir ou, de hoje em diante, passar a cumprir. Como sugestão, cada um reveja onde pensou que poderia aplicar a Palavra, pense numa ação a realizar e, se possível, escreva e responda: qual obra de misericórdia tenho negligenciado? (máx. 2 min)
Momentos finais
– Partilha
[O] Partilhemos, agora, o que nos disse pessoalmente a Palavra de Deus. Partilhemos, acima de tudo, algo que possa servir para o bem de todos.
Sugestão: Cada um pode dizer a palavra ou frase que mais o interpelou; ou partilhar espontaneamente, de modo breve, algo do que mais o tocou na meditação da Palavra; ou ainda, se se sentir impelido a isso, partilhar onde pensa que pode concretamente inserir e viver a mensagem desta Palavra.
– Oração final
[O] A partir do que escutámos e vivemos neste tempo de meditação da Palavra de Deus, de pé, rezemos juntos a oração composta pelo Papa Francisco para o Jubileu do Ano Santo:
[T] Senhor Jesus, Servo sofredor, nós Te damos graças
porque, na Tua entrega, carregaste os nossos pecados
e as nossas dores.
Obrigado pelo Teu amor fiel,
que não recua diante da rejeição
nem se deixa abater pelo sofrimento.
Que, ao seguir o Teu exemplo,
possamos assumir com coragem e humildade
os ministérios e serviços eclesiais que nos confias,
na oferta de cada gesto, de cada palavra
e de cada atitude como dom de amor.
Que a nossa vida seja luz que transforma o sofrimento em esperança,
e que sejamos sinais da Tua misericórdia no mundo. Ámen.
– Cântico final (sugestão)
O Senhor salvou-me, o Senhor salvou-me.
O Senhor salvou-me porque me tem amor.
O Senhor salvou-me porque me tem amor.
1. Por aquilo que o Senhor fez por ti,
reconhece quanto vales para Ele.
2. Não há maior prova de amor
do que dar a sua vida pelo amigo.
– Sinal da Cruz
[O] O Senhor nos abençoe + nos livre de todo o mal + e nos conduza à vida eterna +
[T] Ámen.
No seguimento deste encontro, procure cada um dedicar algum tempo, num ou mais dias da semana, para retomar a meditação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a vida no dia-a-dia. Pode-se também propor um gesto ou iniciativa comunitária. Sugestão: Escreva numa folha o versículo que mais tocou o seu coração e coloque-o num lugar de destaque, em casa ou no local de trabalho, onde várias vezes o possa ler novamente e a partir dele fazer a sua oração.