QUE ACONTECE SE NÃO SE PAGAM AS PROMESSAS A DEUS E AOS SANTOS?

O povo diz também: “o prometido é devido”. Cumprir é sinal de honradez e contribui para que a pessoa seja considerada digna de confiança aos olhos dos outros.

Num dia destes, recebi um telefonema por causa de dúvidas sobre promessas a Deus e aos santos. Aquela pessoa tinha ouvido um pregador dizer que quem as não paga de uma maneira, paga-as de outra. Ela ficou muito perturbada, com receio do que seria o seu destino eterno. E não tinha sossego.

Para bastante gente, com uma fé cristã pouco esclarecida e vivida muito por emoção e intuição espontânea do coração, a relação com Deus e com os santos, sobretudo em situações de aflição, passa por pedir ajuda e fazer promessas, comprometendo-se com determinado ato: entregar uma oferta ou fazer algum sacrifício, privar-se de certos bens, recitar orações, ir a pé ou por outro modo a um santuário, etc. A pessoa vincula-se à palavra dada e não descansa enquanto não cumpre o prometido. É certo que ninguém devia fazer promessas que não possa cumprir, mas, às vezes, há quem, por motivos vários, não consegue o cumprimento do prometido, embora tivesse esperança de o poder fazer. É então que vem o medo de ser castigado ou de não ter descanso eterno, pois até há um ditado que diz: “os santos esperam, mas não perdoam”. Isto não é verdade, pois os santos esperam e perdoam a quem com humildade e confiança se dirige a eles.

O povo diz também: “o prometido é devido”. Cumprir é sinal de honradez e contribui para que a pessoa seja considerada digna de confiança aos olhos dos outros.

A Igreja admite, no entanto, que quem fez uma promessa privada e a não pode cumprir tem a faculdade, ela própria, de a comutar, ou seja, de a substituir por “um bem maior ou igual”. Todavia, se por uma justa causa, a substituição se faz por um bem menor, ela só pode ser feita por quem tem essa faculdade, que é, conforme os casos, o Papa, o Bispo, o pároco, o superior religioso ou outros a quem a mesma tenha sido atribuída (cf cân. 1196-1197). Nas situações em que a pessoa vive inquieta e não sabe o que fazer, pode sempre dirigir-se a qualquer sacerdote e obter dele a ajuda e conselho de que precisa.

Então, se alguém não consegue cumprir as suas promessas nos termos em que as fez, pode substitui-las por outras equivalentes que estejam ao seu alcance. E quanto à vida eterna, se a pessoa não conseguir cumprir alguma promessa, mas procura ser fiel à fé, viver no amor de Deus, manter viva a sua devoção a Nossa Senhora e aos santos, amar o seu próximo com boas obras para com os mais necessitados, ser justa e “fazer o bem sem olhar a quem”, pode viver com confiança na misericórdia de Deus. Ele perdoa as nossas faltas e acolhe-nos junto de si, na sua morada com os anjos e os santos. Foi essa a promessa de Jesus ao “bom ladrão”, que o defendeu e dele deu bom testemunho, pedindo-lhe para se lembrar dele na eternidade: “hoje estarás comigo no paraíso”, assim lhe respondeu Jesus.

A verdadeira e bem esclarecida fé cristã afasta o temor. E não precisa de fazer promessas de atos generosos, dádivas ou sacrifícios para obter de Deus os bens de que se precisam, mesmo nas situações mais aflitivas. Só precisamos de pedir com grande confiança e agradecer os dons recebidos. A gratidão a Deus pode até manifestar-se por alguns dos meios usados nas promessas: dádivas, orações, participação nas missas, peregrinações, etc. Mas o sentido é outro, bem como a relação manifestada para com Deus. O próprio Jesus nos ensinou, e exorta, a pedir com confiança, prometendo que seremos atendidos: «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão-de abrir. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.» (Mt 7, 7-11). A relação com Deus há de ser de amor e confiança filial e não de negócio, como se Ele dependesse do que prometemos, para nos ouvir. 

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