Pés no caminho e coração em Fátima na jornada de crismandos de Carnide e Vermoil

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Diz-se que quem corre por gosto não cansa, mas quem caminha por fé encontra um vigor que a lógica não explica. No dia 18 de abril, às 00h00, jovens crismandos, catequistas e acompanhantes da comunidade de Carnide, Matos da Ranha e Vermoil trocaram o conforto do quotidiano pela dureza do asfalto e a poeira dos caminhos, abraçando o desafio de chegar a Fátima a pé. Saíram com a bênção do padre Fábio Bernardino, pároco destas comunidades, após uma oração inicial e de partida.

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Para estes jovens, o Crisma não é apenas uma cerimónia ou o fim de uma etapa de catequese; é a decisão consciente de dizer “sim” a um caminho de valores. E que melhor forma de testar essa vontade do que através de uma peregrinação? Esta jornada foi muito além do esforço físico; foi uma caminhada de fé, amizade e autodescoberta, onde o cansaço das pernas foi superado pela força do propósito.

Ao longo dos quilómetros, a paisagem mudou, mas o espírito manteve-se firme. A jornada foi marcada por boa disposição e solidariedade do grupo; momentos de silêncio, oração, conversas e cânticos; mas também por superação pessoal onde cada passo dado foi uma vitória sobre a vontade de desistir.

O sacrifício transformado em gratidão

A entrada no recinto do santuário é um momento impossível de descrever apenas com palavras. Apesar do cansaço, alguns ainda arranjaram forças para correr, enquanto para outros as lágrimas de cansaço misturaram-se com as de alegria. Ali, aqueles crismandos não entregaram apenas o cansaço da viagem; entregaram as suas dúvidas, os seus sonhos e a energia renovada para serem “peregrinos” também na vida de todos os dias.

O momento mais exigente da jornada não foi, talvez, a subida mais íngreme ou o quilómetro mais longo, mas sim o silêncio da celebração final. Sentados nos bancos da basílica ou no recinto, os nossos jovens enfrentaram o peso das pálpebras e o esgotamento físico extremo. No entanto, o que se viu foi um exemplo sublime de devoção e resiliência. Mesmo com o corpo a pedir tréguas, cada um manteve o rigor e o respeito pelos ritos: ergueram-se nos momentos de oração, ajoelharam-se com humildade e acompanharam cada resposta com a voz baça pelo esforço, mas plena de intenção.

Ali, a entrega consciente e o sono não eram desleixo, eram a prova do sacrifício oferecido. Cada gesto litúrgico foi cumprido não por obrigação, mas como o selo final de uma promessa cumprida. Ver estes crismandos manterem a postura e o foco, apesar de estarem no limite das suas forças, foi a tradução perfeita do que significa ser cristão: dar prioridade ao sagrado, mesmo quando a carne é fraca. Naquela Missa, não houve apenas pão e vinho sobre o altar; houve também o suor e o cansaço destes jovens, transformados em gratidão.

Estes jovens são a prova viva de que a Igreja está cheia de energia e de vontade de fazer caminho. Ao regressarem a casa, trazem os pés doridos, mas a alma cheia. Que este exemplo de coragem e fé inspire toda a nossa comunidade a nunca deixar de caminhar, independentemente dos obstáculos.

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