Perfil de Tiago Ramos

Tiago Filipe de Sousa Rosa Ramos tem 28 anos e é da Maceira. A atração pela igreja edificada foi a porta de entrada para se aproximar da vida paroquial e a caminhada que fez no grupo de jovens motivou-o a uma participação disponível na comunidade eclesial.

Hoje, entre as inúmeras dinâmicas paroquiais que integra, colabora na pastoral vocacional e na pastoral juvenil paroquial. A alumiar este trabalho, está o entusiasmo, que Tiago considera ser a chave “para fazermos as coisas bem feitas e cativar a quem nos dirigimos”.

Propusemos a Tiago um encontro na Batalha, onde trabalha há um ano como servente de armazém. Prontificou-se de imediato a abdicar de parte do tempo do almoço para nos dar a conhecer o seu testemunho. Foi a hora possível de conciliar. As diversas dinâmicas em que está envolvido na sua comunidade preenchem o pouco espaço de agenda que sobra depois da hora de saída do trabalho.
É sombra de uma árvore, à beira do mosteiro de Santa Maria da Vitória, que Tiago nos fala do seu fascínio pela arquitetura das igrejas. “Fico preso a olhar para esta obra e penso na força que motivou os nossos antepassados a construir este templo. Ao olhar para esta obra, consigo ver perfeitamente a mão de Deus”, diz, enquanto nos revela que este fascínio acabou por ser uma porta de entrada para a participação eclesial.

Querer “Dar Mais”

A morar a dois passos da igreja paroquial, Tiago teve, desde cedo, uma ligação muito próxima com a dinâmica eclesial. “Por ser uma pessoa ligada às artes, o que mais me motivava a ir à igreja era a parte artística: a música, a teatralidade dos ritos e sobretudo a arquitetura. Lembro-me de, em criança, tentar ficar perto do coro para poder cantar.” Este fascínio foi preponderante para a definição do seu percurso académico, uma vez que tirou o curso de Conservação e Restauro, e a caminhada que fez na comunidade eclesial. A atração pela igreja edificada, na sua arquitetura, na beleza e harmonias das formas foi uma porta de entrada para que Tiago sentisse vontade de participar da Igreja enquanto comunidade. “Se nós somos Igreja, não nos podemos deixar deteriorar. Sabemos que há alicerces e bases e temos que pegar nelas e fazer caminho, para que possamos depois passar o testemunho.”
A alimentar o testemunho de Tiago, está o entusiasmo, que desde cedo se fez notar no seio da família. “Lembro-me de ir à Missa com os meus pais e de ser uma seca porque eles se sentavam cá atrás, quando eu queria estar lá à frente, onde podia ver e ouvir melhor.”
No início da participação de Tiago esteve o ser acólito nas Missa. Quando ainda frequentava o 10.ºano, aceitou o convite para auxiliar as catequistas do 6.ºano. Nos anos seguintes, acompanhou outros grupos de catequese. Em 2005, resultado da participação de jovens da paróquia, seus amigos, nas Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia, na Alemanha, esteve na origem do grupo paroquial de jovens “Dar Mais”. “Para além da caminhada em grupo, tentávamos fazer uma caminhada com a paróquia. Todos sentimos que crescemos bastante com o grupo de jovens e por isso quisemos criar condições para que outros pudessem ter algo idêntico.”

Pedra viva do templo

Atualmente, Tiago integra a pastoral juvenil paroquial, onde dinamiza a catequese do 10.º ano. “Na paróquia, há três anos a esta parte, congregamos todos os grupos do 10.º ano dos vários centros e propomos uma catequese paroquial, numa caminhada específica para o Crisma.” Este trabalho conjunto entre a catequese e a paróquia já está a dar os seus frutos. Este ano, conseguiram formar um grupo de jovens paroquial. “São cerca de 15 adolescentes que se mostraram interessados em fazer uma caminhada pós-Crisma. Ainda está numa fase inicial, mas o entusiasmo que demonstram dá-nos alento para continuar e faz-nos acreditar num futuro mais auspiciou-se para a pastoral juvenil na paróquia.”
Com o convite para a pastoral juvenil, veio um outro para participar da equipa da pastoral vocacional, que Tiago aceitou prontamente. Este serviço tem proposto às crianças da catequese uma caminhada vocacional, com a realização de encontros tendo em conta as diferentes etapas.
Na comunidade da Maceira, Tiago coordena o centro de catequese. “Não sou catequista, mas acabo por ter um trabalho muito gratificante pelo apoio que dou aos catequistas.” A ligação com a comissão de Nosso Senhor dos Passos, que organiza a procissão no dia da sua celebração anual, “é quase como uma herança familiar. “O meu pai foi mordomo e sempre me lembro de participar. Preparar todo o cenário, fascinava-me.” Quando não colaborava na preparação, participava enquanto elemento da Filarmónica da Maceira, onde toca trombone baixo, numa ligação que já vem dos avós. Nas viagens que fez integrado na Filarmónica conheceu novas realidades que procurou implementar na paróquia. Para além desta participação, Tiago integra ainda a comissão da capela do Arnal, onde mora, é secretário permanente no conselho pastoral paroquial, onde representa a pastoral vocacional e, quando é preciso, dá uma ajuda no coro paroquial. Com toda esta participação, os dias da semana acabam por ficar repletos. É assim que se sente feliz, como “pedra viva” da comunidade, diz.

Alumiar com entusiasmo

Tiago trabalha como servente de armazém numa empresa da Batalha. O falecimento do pai quando terminava o curso de Conservação e Restauro, há dois anos atrás, levou-o a procurar trabalho fora da sua área de formação. “Eu tinha terminado o curso em setembro e ele faleceu em dezembro. Alguma coisa tinha de ser feita com urgência em relação à minha vida profissional. Surgiu esta oportunidade e cá estou.” Ali, acabou por criar novos “elos de amizade” num contexto diferente, onde não deixa de assumir o seu cunho cristão. “Trabalho com pessoas que não estão ligadas à Igreja, o que acaba por ser um desafio. Há momentos de confronto, em que eu tento mostrar-lhes que uma pessoa crente é uma pessoa normal, porque há muito a ideia de que quem está ligado à Igreja é muito piedoso e beato.”
Entusiasmo é a palavra mais usada por Tiago enquanto fala da sua entrega. No contacto que tem com as catequistas do centro que coordena, costuma sublinhar esta característica como essencial para o trabalho que é desempenhado. “Se fizermos uma coisa com entusiasmo, é meio caminho andado para fazermos as coisas bem feitas e cativar a quem nos dirigimos. Uma vela para acender outra tem de ter uma luz forte, senão apaga-se.”

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