Perfil de Jacinta Ferreira

Jacinta Nogueira Ferreira tem 41 anos e é da paróquia de São Simão de Litém. Catequese, escutismo e grupo missionário são apenas alguns dos projetos em que está envolvida. A agenda é apertada, ainda assim, sobra tempo necessário para si, para a família e para os amigos.

Acreditar naquilo que se faz é meio caminho andado para manter esta disponibilidade, através da qual faz caminho e ajuda a caminhar.

Às vezes, sente-se cansada, mas só assim se sente realizada.

 

Jacinta Ferreira nasceu a 9 de março de 1974, em França, longe de um país que estava a poucos dias de uma revolução. É a segunda de seis filhos e quando veio para Portugal, com sete anos, ainda só dois deles tinham nascido. Do tempo em que esteve em França, pouco se lembra. “Quando chegámos à idade escolar, os meus pais resolveram voltar, até porque já tinham a intenção de criar os filhos em Portugal. Os últimos três já nasceram cá.”

Hoje, a sua família tem uma amplitude etária alargada. Entre a irmã mais velha e a caçula separam mais de vinte anos. “É uma família interessante. Somos irmãos de quase duas gerações diferentes. Esta diferença de idades tão grande fez com que tivéssemos acesso a aspetos de diferentes gerações, através de um diálogo que tentamos sempre promover.”

Entre o escutismo, a catequese e o grupo missionário, Jacinta tenta dividir o seu tempo da forma mais adequada para conseguir concretizar os projetos que abraça. Quando é necessário, dá o seu apoio noutras vertentes: Conferências Vicentinas, grupo coral paroquial, a colaboração no jornal da terra “O Simonense” e outras iniciativas da comunidade dificilmente não têm lugar também no seu horário.

Acreditar naquilo que se faz

Esta ligação dinâmica na comunidade já vem dos pais, que também mantinham uma participação muito ativa na paróquia. “Eles estavam ligados à catequese, a grupos de casais e até ajudaram a criar um grupo paroquial de jovens. Em casa, habituámo-nos, desde cedo, a que eles tivessem que sair para estas atividades.”

Nas dinâmicas em que está envolvida, diz não ter sido difícil convencê-la a participar. “Quando acredito nas coisas, não sou difícil de convencer”. É esta convicção que alimenta o entusiasmo após mais de 25 anos a colaborar na catequese, que Jacinta acredita ser um caminho para conhecer melhor a Igreja e um contributo para encontrar o lugar de cada um. É catequista desde que fez o Crisma. Começou com o 4.º ano e atualmente acompanha o grupo do 9.º e 10.º anos. “Dar catequese aos adolescentes é um desafio, porque temos que mostrar que acreditamos efetivamente naquilo que estamos a fazer, sob o risco de não os conseguirmos motivar”, revela.

Ajudar a caminhar

Em 2006, Jacinta integrou o grupo missionário diocesano Ondjoyeto, onde presta, atualmente, funções como secretária. Acompanha-o desde o início, numa proximidade que foi acalentada pelo irmão, o padre David Nogueira Ferreira, um dos fundadores do grupo missionário diocesano. “Quando o meu irmão foi para Angola em missão, achei que uma das maneiras de estar mais próxima dele seria integrar também o projeto.” Já esteve em missão, no Sumbe, Angola, em 2007, durante um mês. Foi “o tempo que foi possível negociar com a patroa”, no entanto gostava de lá voltar por um período de tempo mais alargado. Da curta experiência, guarda o conforto de sentir que ajudou um “povo a caminhar”.

Apoiar as novas gerações

O escutismo é outro dos espaços que ocupa uma agenda que exige uma gestão atenta. “Desde que o tempo chegue para comer e dormir, é o que basta”, diz, num sorriso largo. Os domingos à tarde estão reservados exclusivamente para si e para a família. Normalmente, aproveita este tempo para descansar, ver televisão e fazer um pouco de artesanato. Mas, até aqui, nas manualidades que faz, pensa no grupo missionário e nos amigos.

Jacinta é chefe do agrupamento 923 do CNE (Corpo Nacional de Escutas) de São Simão de Litém, onde está desde a fundação. Entrou para o escutismo três anos após ter chegado de França. “Foi o pároco que, na altura, me convidou para vir para os escuteiros. Lembro-me de a minha preocupação ter sido a de achar que não tinha força para empurrar as macas no Santuário de Fátima…(risos) Mesmo assim, achei que seria um desafio interessante, aceitei o convite… E não me enganei.”

Está à frente do agrupamento desde 1996. Consciente da importância que tiveram na sua formação os dirigentes de outrora, sente que agora é a sua vez de estar disponível para as novas gerações. Mas esta disponibilidade estende-se para lá do número 923 de São Simão de Litém. Ao nível regional, assume funções enquanto vice-presidente da mesa do conselho regional, tendo já integrado o departamento da II secção.

“Gosto de me dedicar ao escutismo porque sinto que estou a colaborar para o crescimento dos mais novos, levando-os a perceber que comandam a sua vida e que podem sempre ir mais além e de contribuir para um mundo melhor, com o apoio dos princípios escutistas e de cada um dos dirigentes”, diz, ao justificar a sua ligação estreita com o movimento.

Até a trabalhar, se pode evangelizar

Jacinta trabalha na indústria têxtil de confeção desde que atingiu a maioridade. Atualmente, a sua função está ligada ao corte industrial de tecidos.

A maneira disponível e determinada de encarar a vida também se repercute no trabalho. “Entendo que me devo entregar àquilo que estou a fazer e, para além disso, acho que devo estar atenta e promover, naquilo que puder, para o bem estar dos meus colegas de trabalho. Nem sempre consigo, mas é importante que haja esse esforço constante.”

Uma vez por outra, é questionada, no ambiente de trabalho, sobre a sua ligação à Igreja. Nessas alturas, tenta esclarecer quem a interpela, porque entende que “muitas vezes as pessoas criticam a Igreja porque não conhecem o trabalho que ela realiza.

“Às vezes, sinto-me cansada…”

Entre o emprego e o tempo que guarda para si, o espaço dedicado aos outros assume um grande relevo no dia a dia de Jacinta. Uma aspeto transversal ao dinamismo de Jacinta é o cunho cristão da entrega ao próximo. Em tudo o que faz, perspetiva sempre uma entrega ao outro, que procura ajudar a ser mais e a vida é a recompensa suficiente para aquilo que faz.

Ao definir a vivência da crença que professa, fala de “uma fé dinâmica, esclarecida e autêntica”. É esta perspetiva, de quem se dispõe a fazer caminho de uma forma espontânea, que procura testemunhar aos outros, em tudo o que faz. “Podemos ser cristãos no dia a dia e não apenas quando vamos à Missa. Se conseguirmos integrar Deus na nossa vida diária, estamos a ser cristãos.”

“Às vezes, sinto-me cansada”, confessa num tom que tem menos de lamento que de alegria contida. “Nessas alturas, olho em frente… Amanhã é outro dia!”

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