PARA O DIA DA MÃE (Homenagem e desabafo)

Falou-se do caso durante algum tempo, pela apoteose de que se revestira o seu funeral e o interesse que despertava o desenvolvimento da pequenina Joana Manuela, pela qual a mãe, com plena consciência do que lhe pedia o amor materno, dera a sua própria vida.

Roma, 29 de Abril de 1962!

A Páscoa celebrara-se a 22 de Abril, e, como era tradição do Pontifício Colégio Português, tínhamos passado aquela primeira semana em digressão, nesse ano por terras da Sicília: regressáramos na véspera, cansados e com a cabeça a fervilhar de temas para conversa e discussão, tantos, que quase não havia espaço para mais nada.

À noite, porém, com alguns ecos nos dias seguintes, chegou-nos a notícia de que aquela jovem médica, esposa e mãe de quatro filhos, da qual se falara semanas antes, pelo heroísmo com que exigira que, em caso nenhum sacrificassem a vida do filho que trazia no seio à sua, e que nascera uma linda menina à qual puseram o nome da mãe, chegou-nos a notícia de que essa jovem médica falecera, aos 39 anos, no hospital onde trabalhava.

Falou-se do caso durante algum tempo, pela apoteose de que se revestira o seu funeral e o interesse que despertava o desenvolvimento da pequenina Joana Manuela, pela qual a mãe, com plena consciência do que lhe pedia o amor materno, dera a sua própria vida.

Depois – estamos no início da década de sessenta, tão recheada de acontecimentos, pelo menos em Portugal, ao qual regressei nesse mesmo ano-, foi quase o esquecimento: a notícia daquela mãe que morrera para que o filho sobrevivesse, só muito raramente me subia à superfície da memória, que nem sequer tinha a ajuda da comunicação social, perdida em tanta coisa menos empenhativa, mas muito mais absorvente.

Até que, em meados da década de noventa, surge a notícia de que Joana Molla iria ser beatificada, com outra esposa e mãe italiana, em pleno Ano Internacional da Família, no dia 24 de Abril de 1994.

Soube depois que à beatificação de Joana assistira o marido e a filha pela qual morrera, 32 anos antes.

Com ela foi beatificada outra esposa e mãe de família (Isabel Canori Mora -1774-1825), com um percurso de vida muito diferente, mas marcada pelo mesmo heroísmo.

Ofereço aos meus leitores, parte da homilia de João Paulo II, na celebração eucarística dessa beatificação:

“Juntando estas duas mulheres italianas como modelos de perfeição cristã, desejamos prestar homenagem a todas as mães corajosas, que se dedicam sem reservas à própria família, que sofrem ao dar à luz os seus filhos e estão prontas depois a empregar todos os esforços, a enfrentar qualquer sacrifício, para transmitir-lhes o que de melhor guardam em si.

A maternidade pode ser fonte de alegria, mas pode tornar-se também origem de sofrimento e às vezes de grandes desilusões. Neste caso, o amor torna-se uma prova, não raro heróica, que custa muito ao coração de uma mãe. Hoje queremos venerar não só estas duas mulheres excepcionais, mas todas as que não evitam nenhum esforço necessário para a educação dos próprios filhos”.

O mesmo Papa, dez anos mais tarde, na canonização de Joana Molla, diria, entre outras coisas:

“Joana Beretta Molla, foi uma mensageira simples, mas mais significativa do que nunca, do amor divino. Poucos dias antes do matrimónio, numa carta enviada ao futuro marido, escreveu: «O amor é o sentimento mais bonito que o Senhor colocou na alma dos homens»”.

Seguindo o exemplo de Cristo, que “tinha amado os seus… amou-os até ao fim” (Jo 13, 1), esta santa mãe de família manteve-se heroicamente fiel ao compromisso assumido no dia do matrimónio. O sacrifício eterno que selou a sua vida dá testemunho de que somente quem tem a coragem de se entregar totalmente a Deus e aos irmãos se realiza a si mesmo.

Possa a nossa época descobrir de novo, através do exemplo de Joana Beretta Molla, a beleza pura, casta e fecunda do amor conjugal, vivido como resposta ao chamamento divino!”

Para não massacrar mais os meus leitores, junto a minha homenagem a todas as mães, deixando um desabafo:

Faz pena que numa tão destruidora avalanche de superficialidades, se fale tão pouco dos grandes valores e de quem morre por eles.

Nas vésperas da celebração de uma outra grande mulher, que não foi esposa nem mãe, mas esteve tão atenta aos problemas da sua época, que poucos indivíduos terão influenciado tanto a história da Europa como ela.

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