E numa noite, de repente, tudo se transformou neste pedaço do país por onde passou a terrível tempestade Kristin.
No dizer popular parece que o “diabo andou à solta” e destruiu anos e anos de trabalho, dedicação, quer nas habitações de cada um, quer nas empresas que geram trabalho, quer nas infraestruturas que servem a cada um de nós.
Perante a calamidade surgem logo as perguntas desesperadas de quem sofre, perguntando “onde estava Deus?”.
Às vezes apetece responder que Deus estava ocupado a receber no seu seio as crianças abortadas, as vidas “eutanasiadas”, as vitimas das guerras, os velhos abandonados, enfim, um sem número de verdadeiras calamidades que o próprio homem pratica.
Mas não, Deus não se vinga, Deus não castiga no “olho por olho, dente por dente”.
Deus “apenas” ama, e ama de tal modo que o Seu amor nos é demonstrado por aqueles que logo se disponibilizam para ajudar, para dar o abraço, para dar a refeição, para dar a telha que falta, para dar o conforto de uma palavra amiga.
Sim porque o amor vem de Deus e é Deus no coração do homem que o faz amar o seu semelhante, até mesmo naqueles homens que n’Ele não acreditam.
Sim porque Deus “não estava”, Deus está, e está sempre na vida daqueles que a Ele se abrem e com eles e por eles tocando os outros, mesmo que não queiram acreditar em Deus.
Deus não escolhe quem ajuda, porque todos são Suas criaturas e como tal a todos ama com amor igual, por isso, os homens que ajudam os outros, a Igreja que ajuda através das suas instituições, não escolhem ajudar apenas os “seus” mas todos os que necessitam de ajuda.
E Deus está também na esperança que se segue à desesperança, para que o homem continue a lutar para refazer o que foi desfeito.
E, arrisco-me a dizer, Deus também ensina o homem que, perante estas calamidades, afinal tão convencido do seu poder, se torna um nada perante a força da natureza, que tantas vezes ele próprio acaba por destruir com as suas decisões erradas.
Há nos atrás, numa Assembleia do Grupo Pneumavita, o pregador, um sacerdote brasileiro que não consigo identificar, dizia com humor que gostava do modo como os portugueses atendem o telefone, pois o fazem normalmente com um simples “estou” e que essa é a maneira como Deus sempre nos atende, com um “estou” real e verdadeiro.