No início do novo ano, D. António Marto fala de um mundo a refazer pela criatividade da paz

Na Diocese de Leiria-Fátima, são duas as celebrações que marcam tradicionalmente a passagem de ano, ambas presididas pelo Bispo diocesano. A primeira, na noite de 31 de dezembro, no Santuário de Fátima, “fecha” o ciclo anual em ação de graças. A segunda, na manhã de 1 de janeiro, na Catedral de Leiria, dá a “boas-vindas” ao ano novo com os votos de que Deus abençoe a humanidade. Num mundo que parece estar a “desfazer-se”, D. António Marto apontou alguns sinais de solidariedade e indicou a misericórdia como solução para a paz.

 


O Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, celebrou a passagem de ano no Santuário de Fátima com alguns milhares de peregrinos que ali se juntaram para a Missa Te Deum, na Basílica da Santíssima Trindade, em ação de graças pelos dons recebidos durante o ano de 2016.

Na sua homilia, o Bispo diocesano lembrou a “longa lista de problemas não resolvidos” durante o ano findo e as “novas tensões, fraturas e conflitos” que levam à morte de muitos “santos inocentes” e “parecem eclipsar as esperanças” de paz. Ainda assim, no meio desse sofrimento e “drama humano”, surgem muitos “gestos de bondade, amor e solidariedade” de “gente concreta que se solidariza com quem sofre, que partilha o que tem ou que arrisca o bem-estar ou a vida pelos outros e contra a injustiça”. Mesmo não tendo o mesmo destaque nos noticiários, os exemplos foram evidentes em situações como o acolhimento a refugiados ou o apoio a vítimas do terrorismo, de guerras ou de catástrofes naturais. Neste contexto, o importante é “refazer ou recompor um mundo que se está a desfazer” e “nunca desanimar”.

Misericórdia, Fátima e paz

Na sua leitura do ano de 2016, D. António Marto frisou a vivência do Ano da Misericórdia como “período muito importante e positivo para a Igreja e para o mundo”, por ter permitido a descoberta de “todos os aspetos tão belos e ricos de um Deus misericordioso, que não se cansa de abrir, de par em par, a porta do seu coração de Pai, para nos repetir que nos ama, que está sempre pronto a acolher, a perdoar, a libertar, a curar, a levantar, a renovar”. Em consequência, mostrou também “outra imagem de Igreja: acolhedora, aberta, que não exclui ninguém, que não se separa de nada mesmo com o risco de se contaminar; uma Igreja que sai para as periferias e vai até ao último, ao mais afastado”. Essa é a “verdadeira revolução cultural” causada pela prática das Obras de Misericórdia e espelhada nos documentos do Papa como a bula “O rosto da misericórdia”, a carta “A misericórdia e a fragilidade” e a exortação apostólica “A alegria do amor”.

Também o início do Jubileu Centenário das Aparições de Fátima foi referido pelo Bispo diocesano como marca deste ano, na mesma linha de celebração da “proximidade misericordiosa de Deus” que se manifestou de modo extraordinário nas aparições de 1917. A esse propósito, referiu que os bispos portugueses, na recente carta pastoral “Fátima, sinal de esperança para o nosso tempo”, consideram que as Aparições de Fátima foram “uma bênção de misericórdia e de paz”, acompanhada por “uma séria advertência à humanidade sobre o esquecimento de Deus e o desprezo da dignidade da pessoa e da vida humana”, bem como pelo convite à conversão, à oração, à adoração e à “reparação do mal que corrompe e destrói o mundo”.

“É verdadeiramente espantoso como Fátima irradiou e continua a irradiar, ao perto e ao longe, para todo o mundo e a tornar-se centro de atração, verdadeiro altar do mundo!”, disse D. António Marto, convidando os fiéis a questionarem-se sobre a sua consciência deste dom a disponibilidade para uma resposta aos apelos de Deus.

Por fim, o Bispo de Leiria-Fátima lembrou o cinquentenário da jornada mundial da paz instituída pelo beato Paulo VI e a mensagem “pertinente” que o Papa Francisco publicou para este ano, com o alerta para a “necessidade de uma nova cultura da não-violência ativa e criativa como estilo de vida, de convivência e de uma política para a paz”. Este seria o tema que iria desenvolver no dia seguinte, na Missa de ano novo, na Catedral de Leiria (ver abaixo).

Após a celebração eucarística, os fiéis seguiram em procissão para a Capelinha das Aparições, onde recitaram o Rosário. Pela meia-noite, o toque do carrilhão assinalou o novo ano, acompanhado pela consagração ao Imaculado Coração de Maria e o gesto de Paz, terminando a noite em convívio, na Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores.

 

Celebração de ano novo na Sé de Leiria

A Catedral de Leiria acolheu a celebração de ano novo, presidida pelo Bispo diocesano, D. António Marto, sob o signo da jornada mundial da paz, instituída pelo Papa Paulo VI há precisamente 50 anos.

Na sua homilia, o Bispo de Leiria-Fátima fez um resumo comentado da mensagem do Papa Francisco para este dia, começando por lamentar que estejamos hoje “a assistir à exibição da violência cega, brutal e cruel nas mais variadas formas, ao longe ou à beira das nossas casas, como sendo o modo normal de resolver conflitos, atritos ou controvérsias”.

Seguindo o alerta do Papa para a necessidade de uma “nova cultura da não-violência ativa e criativa”, defendeu ela deve “começar a edificar-se, antes de mais, dentro do coração de cada um e no interior da família donde deve ser banida toda a violência doméstica que incrivelmente ainda hoje persiste”. Sendo o coração “o primeiro campo de batalha em que se defrontam a violência e a paz”, deixou a pergunta: “De que precisa ser curado e libertado o coração de cada um?”. E, depois, uma outra: “Há algum aspeto de agressividade ou violência a eliminar na minha família?”.

Defendendo que “a não-violência não é sinónimo de resignação, demissão, capitulação, passividade ou neutralidade perante o mal e a injustiça, nem se reduz a bons sentimentos”, D. António Marto apelou à “criatividade de iniciativas, processos e estratégias positivas de promoção da paz e da justiça por métodos não violentos”, tal como fizeram os exemplos apontados pelo Papa na sua mensagem.

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