Não ter medo. Olhar para a esperança!

Todo este trabalho que os profissionais de saúde estão a fazer, é prova de que, na sociedade que muitas vezes apelidamos de ateia ou indiferente a Deus, Este está bem presente. E atua.

Quem escreve estas palavras é um cidadão normal.
Que sofre, que duvida, preocupado, débil na imprevisibilidade, enfim, mais um, como quase todos, com medo. Mas encontra esperança.
Estamos a falar da Covid 19. Porque outro assunto neste momento, deixa de ser assunto. Com razão! Ou talvez, não!
Vejamos,
Quantos deixaram suas casas, foram internados, impedidos de ser visitados pelos seus familiares, e não lhes coube a sorte de continuarem a gozar dos afetos, porque partiram?
Quantos desejam ver, abraçar esposa ou esposo, e não lhes é permitido?
Quantos filhos gostariam de mimar seus pais, e é-lhes proibido?
O confinamento, as ruas desertas, o silêncio. Os putos que não podem jogar a bola no parque de estacionamento; o mergulho no mar que foi proibido; o avançado que, frente á baliza, dribla o guarda-redes e remata ao poste, não se fala, porque os estádios estão fechados e o futebol jogado foi proibido; a viagem de avião cancelada, porque o transporte aéreo não pode levantar voo impedindo que as pessoas se possam relacionar e trabalhar fora do seu espaço físico de longa distância; a senhora da limpeza que ia, já atrasada e sôfrega, iniciar o seu trabalho no hotel, foi impedida; o casal de noivos que em tudo colocaram o seu amor, para presentear e surpreender o seu amado para o dia do seu casamento, receberam a informação administrativa da impossibilidade de realizar a tão sonhada festa.

No meio de tudo isto, vemos que há uma azáfama anormal e extraordinária.
Médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde, políticos, e tantas outras autoridades que quase não dormem, deixam tudo, incluindo a sua segurança sanitária, pondo em risco a sua própria vida, por um motivo. Um único motivo – o próximo, a vida do outro.
Aqui muda tudo. Não podemos ter medo. Estamos perante uma vontade nobre, vontade de Deus.
Dar a vida pelo outro. “ O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a Mim o fazeis” (MT 25,40)
Todo este trabalho que os profissionais de saúde estão a fazer, é prova de que, na sociedade que muitas vezes apelidamos de ateia ou indiferente a Deus, Este está bem presente. E atua. Aliás, nunca houveram tantos santos, a que o Papa Francisco também chama os “ santos da porta do lado”.
Ter medo!? Quando estes santos, são aplaudidos das janelas no mundo inteiro?
Não ter medo, é apaixonar-se e ter orgulho por este trabalho tão puro, tão belo, que lembra a mesma aceitação em que Maria se disponibilizou para ser a Mãe de Jesus – fazer a vontade de Deus, a troco de … Servir.
Se a vida é o bem maior, o trabalho é um bem que na sua ausência desumaniza o ser humano
Com a pandemia, a economia entrou em colapso e os agentes económicos tiveram que carregar nos seus ombros uma realidade antes nunca vivida – os pontos de venda fecharam, e em consequência as empresas deixaram de ter justificação para continuarem a sua atividade.
O espetro dos despedimentos, salários em atraso, incumprimento dos compromissos financeiros, na forma de empréstimos, impostos, tomaram conta do dia-a-dia dos empresários. O pânico invade os empreendedores de um modo democrático, porque a crise tinha entrado na maioria esmagadora das atividades.
Na qualidade de empresário este momento é pesado. Na condição de crente, não procuramos o privilégio, mas todos os instrumentos que conduzam ao bem do outro, á dignidade da pessoa humana.
Na nossa impotência, devemos ter a humildade de pedir, pedir. Como?
Aqui a oração é o maior e melhor instrumento. Não devemos ter vergonha de pedir ao Pai que nos ajude a vencer as dificuldades para que as necessidades vitais de Seus filhos sejam garantidas. Não o pão para colocar nas suas mesas, mas o trabalho para conseguirem esse pão.
Neste contexto a maioria esmagadora dos empresários tem feito um trabalho extraordinário, fazem milagres, para manter os postos de trabalho e assegurar o mínimo de segurança aos seus trabalhadores, usando em última instancia “ ventiladores” pare manter a vida das suas empresas. Aqui a ajuda do Estado tem sido positiva.
A grande maioria dos empresários não olhou ao lucro, mas á sobrevivência das suas empresas. Tal como os profissionais de saúde, deram e procuram dar a vida pelo próximo e pelo bem comum.
A Acege, associação cristã de empresários e gestores fez um trabalho notável junto dos seus associados, do governo e demais associações empresariais lembrando que fazer tudo era pouco pelo bem maior que é manter as nossas comunidades empresariais.
De facto com a contribuição do governo, das instituições profissionais, dos trabalhadores, das IPSS, dos sindicatos, e das associações civis e religiosas, nunca tantos fizeram tanto em tão pouco tempo pela manutenção de uma ordem económica que, realmente, podia desagregar-se e criar um caos difícil de imaginar nas suas consequências.
Como cristãos, só Deus, que não adoece e não morre, nos pode dar esta segurança e esperança.
Apoiamo-nos nesta esperança cristã, que vem de Deus. Só Ele pode vir acalmar o mar, porque vai ao leme e nos quer um Bem infinito.
Assim com o nosso trabalho, a ajuda da ciência e das novas tecnologias, apoiadas na plataforma da fé e da oração conseguiremos ultrapassar esta crise!
Virá o dia em que Ele diz “ lançai as redes para o lado direito e encontrareis”( Joao 21,6) e as redes chegam abarrotar de peixe. Nesse dia podemos comer tranquilamente, distribuir e guardar o excedente. E vamos festejar!
Esta esperança, sem medo, mas plena de fé, chegará!

Não queria finalizar sem mais uma vez pedir a Deus que abençoe e dê sabedoria àqueles que tudo fizeram e fazem para manter a vida, o trabalho, as boas práticas de governação e todos os que trabalham em atividades necessárias á nossa vida quotidiana.

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