Liturgia Ortodoxa celebrada na Batalha

No domingo 18 de Janeiro, a igreja matriz da Batalha recebeu a primeira celebração da Divina Liturgia Ortodoxa, em que participaram cerca de quatro dezenas de pessoas, sobretudo imigrantes dos países de leste radicados nesta região. Para o próximo dia 1 de Fevereiro, às 10h00, está marcada uma segunda celebração desta comunidade, cujo culto deverá tornar-se regular na Batalha, na igreja matriz da paróquia católica.

Tudo começou com um pedido do arquimandrita (título equivalente ao monsenhor dos padres católicos) Philip Jagnisz, vigário para Portugal e Galiza do Arcebispado Ortodoxo de Espanha e Portugal, do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla. Dirigindo-se ao Bispo de Leiria-Fátima, pedia autorização para “prestar assistência religiosa à comunidade de fiéis imigrantes ortodoxos na região de Leiria e da Batalha, nomeadamente, através da celebração da Sagrada Liturgia”.

D. António Marto respondeu, no início do passado mês de Dezembro, disponibilizando “o uso da igreja matriz ou de outros espaços da paróquia da Batalha” e delegando no pároco, padre José Ferreira Gonçalves, a definição das condições desse serviço, “sem prejuízo das actividades da comunidade católica”.

O pároco da Batalha confessa que “é com alegria e espírito de bom acolhimento que recebemos estas celebrações, pois são uma ajuda concreta para a vida espiritual de muitos cristãos da Igreja Ortodoxa que residem aqui e nas redondezas”. O padre José Gonçalves refere ainda que está a acompanhar o processo de integração do responsável pelo culto, padre Juvenary, “que vive actualmente no Porto, mas está a procurar um espaço para residência na paróquia da Batalha, para acompanhar mais de perto a comunidade ortodoxa”. Nessa altura, as celebrações deverão passar a ter um calendário regular.

 

Um passo de unidade

Esta celebração ocorreu, sintomaticamente, no início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em que todos os fiéis das várias Igrejas cristãs são convidados a rezar por esta intenção e a dar passos concretos rumo à aproximação mútua. Na sua resposta, o Bispo diocesano tinha já sublinhado que “é com alegria e esperança que acolhemos a vossa comunidades e colaboramos com a Igreja Ortodoxa”. Despedindo-se com a expressão “unidos na mesma fé e no amor de Cristo”, D. António Marto assegurava que “como V. Rev.ª, também eu rezo para que se apresse a unidade plena da única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

A Igreja Ortodoxa de Constantinopla é uma das quinze Igrejas Ortodoxas Autocéfalas (autónomas). O seu patriarca tem uma primazia de honra sobre toda a Ortodoxia, com poder decisório em caso de impasse. Segundo a tradição, a Igreja de Constantinopla remonta ao tempo dos Apóstolos, fundada por Santo André, irmão de S. Pedro, e durante o primeiro milénio era considerada a segunda em importância, depois de Roma. Foi em 1054 que se deu o grande cisma entre ocidente e oriente, a separação entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla, com a consequente excomunhão mútua entre o Papa e o Patriarca. Foi já no século XX que o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I retiraram esta mútua excomunhão, dando um passo decisivo para a re-união entre cristãos católicos e ortodoxos.

Recentemente, em 30 de novembro de 2014, o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu I, da Igreja Ortodoxa, assinaram em Istambul (Turquia) uma declaração conjunta. Nela exprimem a sua firme resolução de “intensificar os seus esforços para promover a plena unidade de todos os cristãos, e sobretudo entre católicos e ortodoxos”. O diálogo teológico, a promoção da resolução dos conflitos e da reconciliação, a compaixão nos sofrimentos e a oração são as linhas de atuação privilegiadas neste esforço ecuménico.

Tal como existem entre nós comunidades ortodoxas, há também grandes comunidades católicas de rito oriental, com celebrações litúrgicas semelhantes às dos ortodoxos. Assim, alguns dos imigrantes de Leste são católicos e têm também acompanhamento na sua língua por parte de padres seus conterrâneos. Na diocese de Leiria-Fátima existe uma comunidade greco-católica, constituída principalmente por imigrantes ucranianos, cujos capelães são os padres Sílvio Litvinczuk e Vladyslav Tymchyk. Tem a sua sede em Fátima e celebra a Sagrada Liturgia semanalmente, ao domingo, em Fátima, na capela bizantina da Domus Pacis, e em Leiria, na igreja do Espírito Santo.

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