Legião de Maria em peregrinação a São Torcato

Cumprindo mais um dos programas oficiais da Legião de Maria de Leiria-Fátima, a peregrinação à “cidade berço”, no dia 28 de julho, foi um sucesso em acolhimento e vivência espiritual e cultural.

O enriquecimento espiritual começou na viagem, com oração e preparação da Eucaristia. Esta foi celebrada no Santuário de São Torcato, presidida pelo padre Joaquim Luís, Missionário do Verbo Divino, que falou da história do Santo, natural da Espanha, descendente de família nobre romana. Toda a sua juventude foi marcada de virtudes que o levaram a exercer funções de arcipreste na Sé de Toledo: “No XVI Concílio de Toledo, em 693, demonstrou eloquência e firmeza de fé, pelo que foi aclamado arcebispo de Braga, do Porto e de Dume.”

Refere a história que a invasão muçulmana na Península Ibérica para conquistar a região e espalhar o culto a Alá e Maomé, encontrou resistência do Arcebispo Torcato, disposto a lutar e a defender as crenças cristãs. Enfrentou com os seus companheiros duros golpes do exército enraivecido de “Muça”, tendo sido martirizados à espada, por volta do ano de 715 ou 719.

Conta a lenda que o seu corpo foi encontrado íntegro num bosque, por um cavador, no meio das silvas e de um monte de pedras, de onde brotou uma fonte caudalosa que ainda hoje jorra abundante, conhecida como a “Fonte do Santo”, de reconhecidas águas medicinais.

Foi construída uma capelinha no local em honra do Santo e mais tarde um Santuário, onde hoje se encontra sepultado em câmara de vidro, para veneração dos seus devotos.

No ano 1173, o Rei D. Afonso Henriques doou carta de couto ao Prior de São Torcato e o Mosteiro foi desanexado da Colegiada.

Após a Eucaristia, na Capela do Santíssimo Sacramento, cujo sacrário de beleza inigualável é uma miniatura da fachada do Santuário, fez-se a visita pormenorizada ao mesmo, com a história recalcada de todos os espaços, modelos de construção e alterações recentes.

O cicerone, amplamente conhecedor do terreno que pisava, do seu povo, gentes, tradições e costumes, levou os peregrinos ao Seminário Verbita, onde primorosamente foram acolhidos e instalados, com almoço partilhado e regado com o fresquinho verde da região.

Subindo ao Monte da Penha, visitou-se também este santuário, um monumento de singular beleza arquitetónica e religiosa, símbolo de fé e farol de Guimarães. O Santuário de Nossa Senhora da Penha é, na verdade, um exemplar único da arquitetura religiosa de Marques da Silva, obra prima inaugurada em 1947. Este monte de beleza invulgar, plantado de rochas gravadas da história de cada pedra, circundadas de frondosas árvores e recantos ajardinados, recebia nesse dia uma peregrinação de camionistas, festejando São Cristóvão, seu padroeiro, pelo que a visita teve de ser apressada.

O grupo seguiu para o centro histórico da cidade, cheio de movimento, alegria e vida, de esplanadas repletas de gente. Fez-se visita ao castelo, à Capela de S. Miguel, ao Paço dos Duques de Bragança e, aos pés da estátua de D. Afonso Henriques, tirou-se uma foto, entoando alegremente o Hino Nacional, que contagiou transeuntes e turistas.

Dali, desceu-se à Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, cuja história também reporta a “Mumadona Dias que, em 949, foi Condessa do Condado Portucalence e a mulher mais poderosa do seu tempo no Noroeste da Península Ibérica”.

Havia mais para ver. Avistamos a Igreja de São Gualter e os seus encantadores jardins, que captam a atenção, não só pelas suas torres gémeas, como pela impressionante igreja, cujo acesso florido vem desde o centro da cidade.

Ao lado, o Convento de S. Francisco engloba toda a história da Ordem Franciscana em Guimarães, que remonta a 1217. Foi em pleno reinado de D. Afonso III que chegou Frei Gualter, um frade menor enviado a Portugal para introduzir esta ordem mendicante no país. Com visita guiada ao interior do Convento, todos os passos históricos da arte e arquitetura, com datas precisas, foram referidos, inclusive as alterações construtivas e humanas adotadas ao longo destes oito séculos. Atualmente, parte do Convento funciona como Lar de Idosos, Centro de Dia, de acolhimento e “hospital”. Tudo brilha de estímulo, beleza e primor, que convida a envelhecer sem medo e com prazer.

Jamais teria sido possível saborear todos estes conhecimentos e vestígios medievais do Convento de S. Francisco, sem os profundos e notáveis saberes do guia historiador e da familiaridade eclesial do pastor missionário que acompanhou o grupo.

Mas o tempo urge e, até chegar a Leiria, ainda há que parar para lanchar, ao toque da viola, tornando-o mais saboroso e divertido.

Neste convívio e passeio, houve mais peregrinação e recreio e uma forte aquisição de conhecimentos pelo meio. Para a prometida sardinhada nos Pousos, já não houve tempo nem pedalada, pois a “malta” vinha mortiça e cansada. Mas Nossa Senhora do Desterro nos mostrará Jesus no final da caminhada.

Bina Simões (C.)

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