Lectio divina para o XXXII domingo comum (8/11/2020)

As bodas de casamento são acontecimentos muito esperados e cuidadosamente preparados pelos noivos, pelos pais e pelos convidados. Organiza-se com esmero e beleza o espaço, as mesas, as iguarias, os rituais, a música. As pessoas vestem-se com elegância e requinte.

Esperar e participar nas bodas de Cristo

As bodas de casamento são acontecimentos muito esperados e cuidadosamente preparados pelos noivos, pelos pais e pelos convidados. Organiza-se com esmero e beleza o espaço, as mesas, as iguarias, os rituais, a música. As pessoas vestem-se com elegância e requinte. Os encontros e a convivência geram alegria e familiaridade. Deseja-se que sejam festas maravilhosas, concretização de sonhos, experiências marcantes para a vida e que fiquem na memória de quantos nelas participam. Elas reforçam os laços, dão alegria e sabor à vida. Alimentam as relações familiares, a amizade e o reconhecimento entre as pessoas.

Quem de nós pensa na vida cristã como espera e preparação para uma boda que o próprio Cristo nos oferece no Céu?  E quem vê a Eucaristia igualmente como uma boda que é sinal e antecipação daquela no tempo histórico? Um antigo pastor calvinista que se converteu à fé católica por causa da sua experiência e descoberta do dom precioso da Eucaristia escreveu estas significativas palavras: “De todas as coisas católicas, não há nada tão familiar quanto a Missa. Com as suas orações, hinos e gestos sempiternos, a Missa é como um lar para nós. No entanto, a maioria dos católicos pode passar a vida inteira sem ver nada além da superfície de preces memorizadas. Poucos vão vislumbrar o poderoso drama sobrenatural do qual participam todos os domingos. O Papa João Paulo II chamou à Missa o “céu na terra”, explicando que a liturgia que celebramos na terra é uma misteriosa participação na liturgia celeste” (Scott Hahn, O Banquete do Cordeiro, 17). Expressivas do vivo desejo de encontrar a Deus e de entrar em profunda comunhão com Ele, como pode acontecer na Eucaristia, são também estas palavras do salmista: “A minha alma será saciada com deliciosos manjares, com vozes de júbilo te louvarei.” (Sl 63,6).

Preparemo-nos com a leitura orante da palavra de Deus, pessoalmente, em família ou em grupo, para participarmos mais frutuosamente na Eucaristia dominical.

1. Invocação

Senhor Jesus, o teu evangelho é para nós luz, graça e fonte de vida.
Torna-nos capazes de o escutarmos e compreendermos.
A tua palavra nos atraia para ti, 
nos faça esperar o encontro contigo e com os irmãos 
e participar nas tuas bodas no reino eterno. Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar um texto do Evangelho de S. Mateus. Jesus conta uma parábola relativa às “ultimas coisas” que nos esperam no final da vida no mundo: a entrada definitiva no reino de Deus. A parábola alude aos rituais típicos do casamento judaico: a ida do noivo buscar a noiva a casa dos pais; para a levar devia contratar com estes as condições e as ofertas que fazia; a noiva esperava com as suas amigas o fim das negociações; depois, elas acompanhavam-na, entre luzes, cânticos e danças, à sua nova casa, onde tinha lugar a festa do casamento. Com a imagem da boda nupcial, Jesus sugere a festa do encontro definitivo com Ele, faz referência à espera e suas condições, sublinhando a necessidade de vigilância e prevenção, para se manter acordado e não deixar que se apague a chama da fé e do amor.

2.2. Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (25, 1-13)

1«O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. 2Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. 3As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; 4enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias.
5Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6A meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ 7Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias.
8As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.’ 9Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’ 10Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta.
11Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ 12Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’
13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.»

2.3. Breve comentário

A parábola ilumina-nos sobre o futuro coletivo e pessoal, na perspetiva de Deus, revelado por Jesus como o Pai do Céu. O reino de Deus, ou do Céu, é a participação na vida, no amor, na companhia e no poder de Deus, já aqui na terra e, depois, em plenitude no Céu. Aqui é comparado a uma boda de casamento, “uma das celebrações mais alegres e mais festivas que os israelitas conheciam”. “As dez jovens representam a totalidade do Povo de Deus, que espera ansiosamente a chegada do messias (o noivo)”. Todas adormecem, ou seja, experimentam as fragilidades da vida, e acordam, quer dizer, ouvem a palavra que as desperta e põe de pé. Umas e outras se preparam para ir ao encontro do noivo. Uma parte está preparada e a outra não, pelo que aquelas entram na boda e estas não. O que é estar preparado? Nem evasão nem mundanização. É não apenas ter conservado acesa a chama da fé batismal, mas também ter o coração cheio de amor e de perseverança, sem se acomodar ao mundo nem se desleixar no alimento e prática da vida cristã. O Senhor surpreende-nos com a sua visita ao longo do tempo e não somente no final. Só o encontra e entra na sua boda quem estiver preparado para reconhecer a sua voz, a sua presença e o seu rosto. 

Lida na assembleia cristã, esta parábola é uma alusão às núpcias de Cristo com a sua Igreja, conforme o convite do Apocalipse: «Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro!» (Ap 19, 9). Cordeiro é uma das imagens para se referir a Cristo e ao seu sacrifício pela humanidade, para a todos reconciliar com Deus, purificando-os dos pecados. Na comunidade dos discípulos de Cristo há gente fiel, mas também quem o não é, uns perseveram na fé e outros abandonam ou desleixam-se da relação com Cristo e com os irmãos.

Esta parábola evoca também aspetos da Eucaristia. Antes de mais, a imagem da boda ou do banquete. Na celebração da Missa há encontro de irmãos, fraternidade, música e os alimentos que o Senhor nos oferece: a Palavra e a do Pão da Vida. Se na primeira parte nos alimentamos da Palavra de Vida, que Deus nos oferece e pela qual nos revela o seu amor, o percurso converge depois para o memorial do sacrifício de Cristo e para o convite que faz o sacerdote levantando e mostrando a hóstia e o cálice, dizendo: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Jesus oferece-se como “o Cordeiro de Deus” ou o “Pão do Céu”, dizendo que é o seu Corpo e o seu Sangue”, que é Ele quem se dá em comunhão aos seus fiéis. Por isso, o Compêndio do catecismo da Igreja Católica diz que a Eucaristia é “o baquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche da graça e nos é dado o penhor da vida eterna” (n. 271)

Um outro aspeto é a perspetiva do futuro, a dimensão escatológica da nossa vida cristã. A liturgia terrestre é antecipação da do Céu, como ensina o Concílio Vaticano II: “Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória.” (SC 8) A Eucaristia é, por isso, “penhor de futura glória”, pois “nos enche das graças e bênçãos do Céu, fortalece-nos para a peregrinação nesta vida, faz-nos desejar a vida eterna, unindo-nos desde já a Cristo, sentado à direita do Pai, à Igreja do Céu, à Santíssima Virgem e a todos os santos” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 294).

Como uma boda, também o encontro com Cristo se deseja, espera e prepara. O encontro definitivo é mencionado e invocado na Eucaristia quando, após a consagração, aclamamos: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” Mas Jesus marca encontro e faz-se presente connosco já na Missa de vários modos: na assembleia dos irmãos, no sacerdote, na Palavra e no Pão consagrado. Se a nossa fé for robusta, nós estamos sempre à espera deste múltiplo encontro com o Senhor Ressuscitado. E preparamo-nos para ele pela oração, a escuta e meditação do Evangelho e procurando levar uma vida quotidiana segundo o espírito de Cristo, na esperança e no amor.

3. Diálogo meditativo

 – O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. Jesus sugere-nos que Deus atrai para si e convida-nos para participar numa boda. Reconheço e sinto a minha vida cristã como caminho para o encontro com Cristo no presente e na eternidade? Imagino a Eucaristia como uma boda e sinto gosto ou resistência para participar nela?

As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias. Recebemos no batismo uma luz, símbolo do dom da fé que nos ilumina e move na peregrinação terrena. Tenho “azeite” de reserva suficiente para a demora e as adversidades do caminho: fé vigorosa, esperança firme e amor ardente e prático?

Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram.  A meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ Por vezes, o prolongado caminho da vida cristã e a espera cansam-nos e levam-nos a cair na acomodação e desalento. Mas a escuta perseverante da palavra de Deus e a participação na liturgia comunitária avivam a nossa fé e o desejo de estar com o Senhor e de ir ao seu encontro. Sinto-me por vezes adormecido na fé e com vontade de desistir? O que me tem feito despertar?

Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias. As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.’ Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.‘ Era noite e as jovens precisavam da luz para se porem a caminho ao encontro do noivo. No batismo, recebi a luz da fé. As vicissitudes e deceções da vida podem fazê-la crescer ou torná-la mortiça. Como está a luz da minha fé? É por ela que vou à missa em cada domingo? Alimento-a com o azeite da oração e do amor?

Enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta. Por terem sido insensatas e não providentes, aquelas jovens perderam tempo e chegaram tarde ao encontro com o noivo. Cuido da minha fé para a alimentar, formar e fortalecer? Espero e preparo-me em cada semana para a participação na missa dominical como encontro com Cristo vivo, na e com a comunidade cristã?

Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ Palavras duras, estas. Não bastava o terem encontrado a porta fechada e ainda ouviram a declaração: Não vos conheço. E eu conheço Jesus? Que relação pessoal tenho com Ele? Posso esperar que me reconheça no fim da vida e me abra a porta de acesso às suas bodas, porque O amo de verdade e participo fielmente no banquete eucarístico?

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora. Esta é a palavra chave da parábola. Jesus exorta os seus discípulos a percorreram o caminho da vida com vigilância, para se manterem fiéis na fé, viverem com esperança e praticarem a caridade. Que significa para mim esta exortação à vigilância? Vivo atento ao essencial da vida ou distraído?

– A Eucaristia é a mesa da comunhão, o alimento partilhado e a oração comum dos fiéis peregrinos que vão ao encontro do noivo. Jesus ressuscitado, o noivo, vem ter connosco, faz-nos companhia ao longo do caminho da vida e por fim recebe-nos para as bodas eternas. Na celebração eucarística, após a oração dos filhos de Deus, o sacerdote fez esta bela oração:

“Livrai-nos de todo o mal, Senhor,
e dai ao mundo a paz em nossos dias,
para que, ajudados pela vossa misericórdia,
sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, 
enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador.”
E os fiéis concluem, aclamando: “Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre.” 

4. Silêncio, oração e gesto

– Em silêncio, perguntando: Senhor, que queres dizer-me com esta palavra?, cada um procure escutar e descobrir dentro de si o que Jesus lhe ilumina, inspira ou sugere… 

Pode lembrar-se o que Jesus fez e se revive em cada Eucaristia: “Durante a Ceia,

tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo, que será́ entregue por vós.” E o mesmo se faz com o cálice.

– Depois, com palavras ou algum gesto, cada um pode partilhar com os outros o que sentiu e o compromisso que assume. Podem dizer a que missa vão no domingo.

– Terminam, levantando as mãos e rezando juntos o Pai Nosso.

(Se a família ou grupo quiserem, podem enriquecer o encontro com um cântico)

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