Lectio divina para o Domingo da Santíssima Trindade

Celebrar a Santíssima Trindade não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Basta ver Jesus 

Breve introdução

Celebrar a Santíssima Trindade não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

No Evangelho que iremos meditar, Jesus dá a entender que ser seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem exceção, o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária. É em nome de Deus Trindade que nos reunimos em cada domingo para celebrar a Eucaristia e entrar na comunhão do amor divino que Ele nos oferece através de Jesus.

1. Invocação

Pai, Filho e Espírito Santo, Santíssima Trindade, acompanhai-me toda a vida e dai-me sempre guarida. Tende de mim piedade, Pai Eterno, ajudai-me, Verbo de Deus, e abençoai-me, Espírito Santo. Alcançai-me proteção, honra e virtude, nunca a soberba me ataque e sempre busque o bem, convosco Trindade Santíssima para sempre. Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Marcos

Antes de voltar para o Pai, Cristo Ressuscitado transmite à Sua Igreja, representada pelos Apóstolos, os Seus mesmos poderes tornando-a assim continuadora da Sua missão.
Enviados a todos os povos do mundo, os Apóstolos anunciarão, por toda a parte, que Jesus continua vivo e deseja que todos os homens participem da vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mediante a fé e o Batismo. Assistidos por Jesus, presente na Sua Igreja, ao longo da história, ensinarão os homens a amar a Deus e aos irmãos, mostrando-se, desse modo, seus discípulos. 

2. 2. Leitura do Evangelho segundo São Mateus (Mt 28, 16-20)

Naquele tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia,
em direção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n’O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações,
batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
Palavra da salvação

(momento de silêncio para interiorizar a Palavra)

2.3. Breve comentário

Voltando à Galileia. Tudo começou na Galileia. Foi ali que os discípulos escutaram o primeiro chamamento e onde Jesus prometeu reuni-los de novo, depois da sua ressurreição. Em Lucas, Jesus proíbe aos seus que saiam de Jerusalém. Em Mateus a ordem consiste em sair de Jerusalém e retornar à Galileia. Cada evangelista tem o seu modo próprio de apresentar a pessoa de Jesus e o seu projeto. Para Lucas, depois da ressurreição de Jesus, o anúncio da Boa Nova deve começar em Jerusalém para, partindo dali, chegar a todos os confins da terra (Act 1, 8). Para Mateus, o anúncio começa na Galileia dos pagãos para antever deste modo a passagem dos judeus para os pagãos.

Os discípulos deveriam ir até à montanha que Jesus lhes indicara. A montanha evoca o Monte Sinai onde teve lugar a primeira Aliança e onde Moisés recebeu as tábuas da Lei de Deus (Ex 19 a 24; 34, 1-35). Evoca a montanha de Deus onde o profeta Elias se retirou para redescobrir o sentido da sua missão (1Re 19, 1-18). Evoca também a montanha da Transfiguração onde Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas, apareceram junto de Jesus, confirmando que Ele era o Messias prometido (Mt 17, 1-8).

Revestido da suprema autoridade, Jesus transmite três ordens aos discípulos e a todos nós: 1) Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos; 2) batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; 3) ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado.

3. Silêncio meditativo e diálogo

Viram… adoraram-n’O. A notícia da ressurreição tinha “explodido” junto ao túmulo. Das dúvidas, envoltas em medo, permanece o imperativo de ir para a Galileia, onde veriam o Ressuscitado: “Lá me vereis!”. A promessa foi cumprida e, mesmo assim, ainda duvidando, “adoraram-n’O”. Ali, na Galileia, onde O escutaram falar de Deus às multidões, onde presenciaram os seus milagres, onde foi aliviado o sofrimento e se ofereceu o perdão e a paz, Jesus manifesta-se de novo como Filho muito amado de Deus, o todo poderoso. Os discípulos, tal como os Magos, adoram-n’O. No berço da missão, encontram a fé e a dúvida, a coragem e o medo. O encontro com o Ressuscitado, as suas palavras e o sopro do Espírito Santo é que os fortalecem para irem como testemunhas e mensageiros do Evangelho.  Assim é a nossa relação com Jesus: ele revela-nos sinais de ressurreição e garante a sua presença connosco, mas na nossa fragilidade, ainda duvidamos. Deus Trindade é sempre uma boa e alegre notícia que nos envolve de amor e comove de alegria.

* Reconheço na vida e na celebração da Eucaristia sinais de Cristo vivo e do seu amor por nós? A quem é que eu adoro verdadeiramente: a Deus e só a Ele?

Ensinai, batizando. Jesus sabe das nossas balanças e cálculos, dos nossos ceticismos cinzelados pelas experiências da vida, por isso, aproxima-se. Deus é sempre próximo. E da adoração do mistério nasce a missão. Adorar e servir andam sempre de mãos dadas. Jesus indica com clareza aos discípulos qual deve ser agora a sua missão: ensinar e batizar, fazer discípulos. Esta é também a nossa missão: fazer seguidores de Jesus que conheçam a sua Palavra, comunguem do seu projeto de amor, aprendam a viver como Ele e sejam testemunhas de Deus no mundo de hoje. A força do Ressuscitado ampara estas comunidades sempre nascentes, porque renascem do batismo e do Espírito Santo. E vivem alimentados pela Palavra e a Eucaristia, que a Igreja celebra em cada domingo.

* Fui batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, de Deus que é amor. Tenho o desejo e empenho-me em conhecer e amar mais profundamente a Deus que me fez seu filho adotivo?

Convosco até ao fim. Precisamos de recordar a força do Credo para saborear a presença de Deus que nos embala e acolhe, ensina e envia. 

Cremos em Deus Pai e por isso não estamos sós: Ele é a origem e a meta da nossa vida. Criou-nos por amor e a todos deseja abraçar com coração infinitamente misericordioso. 

Cremos em Deus Filho, Jesus Cristo, o grande presente que Deus deu ao mundo. Ele mostrou-nos como Deus é Pai. E anima-nos a construir uma vida mais feliz, na entrega e serviço aos outros, sempre escutando e cumprindo a vontade do Pai. 

Cremos em Deus Espírito, comunhão do Pai e do Filho, que dá a vida. Força e sabedoria de Deus, luz e guia de cada passo da nossa história, perfume sem tempo e sem espaço porque abraça a história e habita cada íntimo. 

O amor de Deus não se fica em si mesmo, comunica-se gratuitamente. Deus dá-se continuamente a cada um de nós. Ele continua vivo, connosco, curando, perdoando e salvando, em cada gesto que fazemos por Ele, com Ele e n’Ele. Deixemo-nos abraçar pela Trindade e continuará presente o Evangelho na nossa vida.

* Qual a minha relação com Deus como Trindade? Com que consciência rezo as orações em que é invocado o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Reconheço a Igreja como comunidade que “Deus reuniu no amor de Cristo”?

4. Oração final e gesto familiar

– Ao longo desta semana ver em cada um a presença de Jesus… Não é preciso questionarmo-nos muito para saber o que fazer para amar os outros… Basta ver Jesus em todo o ser humano, junto de cada um, e saber que o Reino se constrói nos humildes gestos de amor e bondade de cada dia!

– Pai Nosso

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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