Lectio divina para o 5º Domingo do Tempo Comum, Ano C (Podcast)

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Texto: P. Orlandino Bom
Vozes: Filipe Ferreira, Carla Pereira, Bernardo Ferreira e Francisca Ferreira
Pós-Produção: José Simões, Rádio Canção Nova

Palavras de Vida Eterna

Introdução

Neste V domingo do Tempo Comum, somos convidados, com Pedro, a acolher Jesus na nossa barca, na nossa vida. Confiamos n’Ele e, à sua Palavra, lançamos as redes ao mar. Ficamos surpreendidos com o que o Mestre faz em nós e através de nós. Ao nos confrontarmos com a nossa fragilidade, corremos o risco de nos querermos afastar, fugir, esconder. Mas Jesus diz-nos: Não temas… 

Palavra de Deus

Vais agora escutar um relato do Evangelho segundo São Lucas (5, 1-11)

Naquele tempo,
estava a multidão aglomerada em volta de Jesus,
para ouvir a palavra de Deus.
Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré
e viu dois barcos estacionados no lago.
Os pescadores tinham deixado os barcos
e estavam a lavar as redes.
Jesus subiu para um barco, que era de Simão,
e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra.
Depois sentou-Se
e do barco pôs-Se a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo
e lançai as redes para a pesca».
Respondeu-Lhe Simão:
«Mestre, andámos na faina toda a noite
e não apanhámos nada.
Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
Eles assim fizeram
e apanharam tão grande quantidade de peixes
que as redes começavam a romper-se.
Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco,
para os virem ajudar;
eles vieram e encheram ambos os barcos,
de tal modo que quase se afundavam.
Ao ver o sucedido,
Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:
«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu,
que eram companheiros de Simão.
Jesus disse a Simão:
«Não temas.
Daqui em diante serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra,
eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

Meditação

Pedro assiste, maravilhado, a uma grande pescaria. Já sabia mas confirma que Jesus fala bem e tem palavras eficazes,  que Deus está presente neste Mestre que o cativou. Perante a experiência extraordinária da pesca, é desnudado na sua fragilidade e pede a Jesus que se afaste. Ele, pobre pecador, considera-se indigno. Jesus diz-lhe apenas “Não temas…” e dá-lhe uma missão que está para além da sua compreensão: pescador de homens.

«estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus.» 

Também em cada celebração da Eucaristia, nos colocamos diante da mesa da Palavra, para escutar Jesus.

– Que palavras procuro em Jesus para mim e para os outros? 

– Em que aspectos da minha vida tocam mais frequentemente? 

“Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes.”

Andavam, andamos todos, tão ocupados com tanta coisa… E Jesus vem inquietar-nos para elevarmos os olhos dos afazeres do dia-a-dia para o alto. 

– Que afazeres me distraem do Mestre e das Suas Palavras?

– Sei largar os afazeres do dia-a-dia para a escuta da Palavra, para a oração, para a Eucaristia?

«Faz-te ao largo… »

O Mestre desafia a ir mais longe, a não se acomodar no insucesso e desânimo, a desinstalar-se da margem segura para as águas profundas e lançar de novo as redes.

– Que representa este largo na minha vida? Na família, na Comunidade…?

– Como acolho este desafio do Mestre?

«já que o dizes, lançarei as redes»

Contra a lógica e o seu saber de pescador, Simão Pedro confia nas palavras de Jesus… Há situações da vida em que precisamos de escutar uma palavra assim…

– Como acolho as Palavras de Jesus? Com confiança?

– Como vivo esta confiança?

«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». «Não temas…»

Como Pedro, também nós podemos sentir-nos frágeis, confusos e perdidos perante certos acontecimentos da vida…

– Como olho e aceito a minha fragilidade à luz do Mestre?

– Confio que Ele me acolhe como sou e me encoraja a dar certos passos na vida?

Oração

Rezo, meu Deus, esta vida,
experimentada tantas vezes como caos,
para o qual nem sempre existem nomes possíveis.
Sinto-me, tantas vezes, como uma criança quando,
no escuro da noite, lhe resta só o grito!
Mas o grito é a forma frágil e intensa
com que a nossa vida parte em busca de socorro.
Como uma criança, Senhor,
sinto-me exposto ao que é maior do que eu,
lançado a surpresas que não controlo.
Então grito por ti.
Ensina-me, Senhor, que nascemos também nesse grito
que o teu amor sabe amparar,
transformando-o em chamada,
em desejo de presença,
em ocasião para o abandono confiado à tua vontade.

José Tolentino Mendonça, Rezar de Olhos Abertos, Quetzal, p. 92

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