Lectio divina para o 3º Domingo do Advento

O Advento apresenta-se como um tempo novo: o tempo da espera, o tempo da esperança.

«E nós, que devemos fazer?»

Lectio Divina para o Domingo III do Advento (Ano C), 12.12.2021

Breve introdução

Neste terceiro domingo do Advento, a Palavra de Deus lança-nos um convite à alegria: «Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém» (Sf 3, 14) são as palavras do profeta Sofonias, na primeira leitura, reforçadas pelo convite a entoar cânticos de alegria diante das maravilhas e da grandeza de Deus, no salmo que se segue (cf. Is 12, 6), e pela exortação de São Paulo aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos» (Fl 4, 4). Alegria porque o Senhor perdoa, porque Ele é o Salvador que está no meio do seu povo, porque é o Deus da paz que está próximo. O Emanuel, o Deus connosco, está para chegar, anuncia João Batista no texto do Evangelho de Lucas que hoje escutamos. A alegria é um dom que precisa de espaço interior para ser recebido, disponibilidade para a aventura da conversão que sempre nos questiona: «E nós, que devemos fazer?» (Lc 3, 14).

1. Invocação

Senhor Jesus,
tu estás verdadeiramente presente para nós
com a tua presença real, ressuscitado, na Eucaristia.
Abre os olhos do nosso coração para te reconhecer,
e em ti encontrar a fonte da verdadeira alegria.
Ajuda-nos a compreender o que devemos fazer,
o que precisamos de deixar purificar no fogo do teu amor,
para prepararmos o caminho para a tua vinda.
Dá-nos o teu Espírito Santo para nos fortalecer e iluminar
num caminho permanente de conversão.
Ámen.

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Lucas

Ao aproximar-nos do Natal, o Evangelho deste domingo apresenta-nos João Batista, a «voz que clama no deserto», na sua missão de preparar o acolhimento de Jesus, aquele «que está a chegar», anunciando a Boa Nova e despertando para necessidade de conversão. Diante da palavra de João, vai sendo repetida a questão: «que devemos fazer?»

2. 2. Leitura do Evangelho segundo São Lucas (Lc 3, 10-18)

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Palavra da salvação

(momento de silêncio para interiorizar a Palavra)

2.3. Breve comentário

O texto do Evangelho deste domingo começa por nos situar perante a reação das várias pessoas que se aproximavam de João Batista, repetindo por três vezes a mesma questão: «Que devemos fazer?». As respostas, diferentes para a multidão, publicanos (cobradores de impostos) e soldados, vai num mesmo sentido: a necessidade de conversão manifestada em gestos concretos de solidariedade e de justiça. Se a multidão é convidada à partilha dos bens de primeira necessidade, aos publicanos e os soldados é pedido que não abusem do seu poder. Mas a todos é deixada aberta a porta da conversão: todos podem mudar as suas atitudes, todos podem ser salvos. A ninguém é fechada a porta para o reencontro com Deus: «nenhuma categoria de pessoas está excluída de percorrer o caminho da conversão para alcançar a salvação, nem os publicanos considerados pecadores por definição: nem sequer eles estão excluídos da salvação. Deus não priva ninguém da possibilidade de se salvar. Ele está – por assim dizer – ansioso por praticar a misericórdia, praticá-la em relação a todos, e acolher cada um no abraço terno da reconciliação e do perdão» (Papa Francisco, Angelus, 13 de dezembro de 2015).

Após as respostas sobre o que fazer, João Batista esclarece todos os que dele se aproximam da sua missão. Ele não é o Messias, mas aquele que prepara o caminho para quem «está a chegar» e é «mais forte». Se o batismo de João é um batismo de água, que aponta para a necessidade de conversão, o verdadeiro Messias, Jesus Cristo, vem para batizar, ou seja, para mergulhar e envolver a humanidade no fogo e no Espírito Santo de Deus. Não apenas uma conversão fruto da vontade e das (frágeis) forças individuais de cada um, mas envolvida pela fortaleza da ação do próprio Deus que é capaz de fazer de cada um, um «homem novo», quando se está disposto a acolher a proposta de vida de Jesus.

3. Silêncio meditativo e diálogo

  1. «Que devemos fazer?».

O terceiro domingo do Advento é um convite à alegria: neste tempo em que nos preparamos para o Natal, dispomo-nos a acolher Jesus, o Emanuel, o Deus connosco; e Jesus é a fonte da alegria. «Mas para aceitar o convite do Senhor à alegria, é preciso ser pessoas dispostas a pôr-se em questão. O que significa isto? Precisamente como aqueles que, depois de terem ouvido a pregação de João Batista, lhe perguntam: tu pregas assim, e nós «o que devemos fazer?» (Lc 3, 10). O que devo fazer? Esta pergunta é o primeiro passo para a conversão que somos convidados a realizar neste tempo de Advento» (Papa Francisco, Angelus, 16 de dezembro de 2018).

O que devo fazer, neste tempo próximo do Natal, para acolher Jesus como fonte da verdadeira alegria? Para além de todas as preparações exteriores, como me posso preparar interiormente para acolher Jesus na minha vida?

  • «Está a chegar quem é mais forte do que eu».

O tempo do Advento é um tempo de espera e de esperança: está a chegar o próprio Deus! Ele que já veio, virá de novo, e vem a cada momento à nossa presença. Esta é a nossa fé que nos faz viver na alegria. «Hoje é preciso ter coragem para falar de alegria, é necessário sobretudo fé! O mundo está assolado por tantos problemas, o futuro obscurecido por incógnitas e receios. Contudo o cristão é uma pessoa jubilosa, e a sua alegria não é algo superficial e efémero, mas profundo e estável, porque é uma dádiva do Senhor que enche a vida. A nossa alegria deriva da certeza de que «o Senhor está próximo» (Fl 4, 5): está próximo com a sua ternura, com a sua misericórdia, com o seu perdão e o seu amor» (Papa Francisco, Angelus, 13 de dezembro de 2015).

A fé faz-me viver com uma alegria profunda e estável, na certeza de que Jesus está próximo de mim? Procuro deixar-me envolver pela misericórdia, perdão e amor de Deus, de modo particular pela celebração do sacramento da Reconciliação?

  • «Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo

Pelo Batismo, acolhemos o Espírito Santo de Deus, recebemos a oferta da vida e do amor de Deus, manifestado na entrega plena de Jesus, por nós, na cruz. Em cada Eucaristia, acolhemos Jesus que se ofereceu por nós, e continua a dar-nos a sua vida e a envolver-nos no fogo do seu amor. A Eucaristia renova em nós a fé recebida no Batismo e lança-nos para a vida com o compromisso de a viver como cristãos, num processo permanente de conversão pessoal para a renovação pessoal e do mundo.

Procuro renovar, em cada Eucaristia, a minha identidade de cristão, batizado no fogo e no Espírito Santo? Para me preparar para o Natal, tenho procurado viver a Eucaristia dominical como um encontro com Jesus ressuscitado que vem junto de mim?

4. Propósito e Oração final

– Identifico um pequeno e possível propósito para assumir na minha vida, durante a próxima semana, respondendo à pergunta: «o que devo fazer?».

– Pai Nosso

Repositório LECTIO DIVINA
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