Lectio divina para o 31º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho deste domingo diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor - amor a Deus e amor aos irmãos.

Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis

Breve Introdução

O Evangelho deste domingo diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor – amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento e aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.

Também na Eucaristia dominical vivemos este duplo mandamento: juntos louvamos e adoramos a Deus e agimos como irmãos, acolhendo-nos e rezando uns com e pelos outros. O que se experimenta e alimenta na celebração deverá continuar na vida quotidiana.

1. Invocação/Cântico

Para interiorização pode cantar-se:

O amor de Deus repousa em mim,
o amor de Deus me consagrou!
O amor de Deus me enviou a anunciar a paz e o bem!
O amor de Deus me enviou a anunciar a paz e o bem!

2. Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do evangelho de São Marcos (Mc 12,28-34)

Depois de fariseus, herodianos e saduceus interrogarem Jesus para “o apanharem em alguma palavra” (12, 13), aparece um escriba de boa vontade. Jesus compreendeu que a sua pergunta era sincera e por isso não hesita em responder direta e claramente.

A junção do primeiro mandamento com o segundo já tinha sido feita no seio do judaísmo; mas o sentido universal do «próximo» parece que não era corrente: «próximo» era quem pertencia ao povo eleito ou um convertido que aceitava a Lei judaica. 

O escriba acrescenta algo muito caro ao nosso Evangelista: o culto não tem valor em si, mas apenas se for estreitamente vinculado ao amor do próximo. No final, Jesus reconhece que também entre os escribas havia alguns que não estavam longe do Reino de Deus. 

2.2. Leitura do evangelho segundo São Marcos 

Naquele tempo,
aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: 

«Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 

Jesus respondeu:
«O primeiro é este: ‘Escuta, Israel:
O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 

Amarás o Senhor teu Deus
com todo o teu coração, com toda a tua alma,
com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. 

O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Não há nenhum mandamento maior que estes». 

Disse-Lhe o escriba:
«Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes:
Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração,
com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo,
vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». 

Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe:
«Não estás longe do reino de Deus».
E ninguém mais se atrevia a interrogá-I’O.

Palavra da salvação.

2.3. Breve comentário

Ao longo do cristianismo, a polémica sobre a oposição entre o primeiro e o segundo mandamento estará sempre viva. Sobretudo nós, os ocidentais, não conseguimos captar toda a dialética que une inseparavelmente ambos os mandamentos.

Falamos da verticalidade em (direção a Deus) e da horizontalidade (em direção ao próximo), de antropocentrismo versus teocentrismo, sem compreendermos que aquilo que o cristianismo tem de essencial é precisamente a combinação dialética entre Deus e o próximo. 

A verticalidade teocêntrica consiste num tipo de piedade introvertida que foge do «mundo» e se refugia em lugares solitários.

A discussão, porém, continua muito atual. Hoje em dia é muito frequente que os homens «religiosos» – ou seja, praticantes de certos ritos veneráveis – sejam os que menos sensibilidade têm para com os diversos tipos de próximo. No melhor dos casos, conservam de «próximo» uma imagem que não se adapta ao tempo atual, reduzindo-o ao mendigo que deambula pelas antigas cidades do tipo quase feudal.

Por outro lado, a horizontalidade antropocêntrica sublinhou excessivamente a dimensão do Homem à custa da busca de algo maior que o homem. E num primeiro momento, conseguiu algo positivo: o desaparecimento do «deus» opressor que impedia o homem de se realizar, de alcançar a plenitude, mas ao confundir esse «deus» com «Deus», foi causa de que, por portas travessas, regressassem outros «deuses disfarçados».

O diálogo entre o escriba e Jesus não deixa dúvidas: o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. Não se pode praticar um sem o outro. 

3. Silêncio meditativo e diálogo

aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe…

Aproximar-se e travar conversa é fundamental para que se conheça o outro, na verdade do seu ser, na verdade das suas palavras.

Procuro sinceramente o encontro com Jesus e com os outros na vida quotidiana? Busco a verdade e guardo-a no meu coração, sem fazer juízos sobre os outros?

– ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.

O amor a Deus não pode desvincular-se do amor ao próximo. Próximo não é apenas o miserável que vive nas ruas ou o doente que não tem cura. Próximo é todo aquele que não é «eu». Quer dizer: próximo é cada pessoa além de mim mesmo.

Sinto como «próximo» aquele que me agrada, com quem simpatizo… ou tomo consciência de que o são também o desconhecido que encontro e até o inimigo? Tenho disponibilidade e vontade de amar cada próximo?

– amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios 

Amar, amar de verdade, não sob aparência de amor, vale mais que tudo na nossa relação com Deus. Naturalmente, amando como Deus ama.

Pesando os meus pensamentos, palavras, atitudes, sinto que não há diferença entre a minha proximidade com Deus e a proximidade com os outros? Vejo Deus nos outros e os outros em Deus? Há equilíbrio entre o amor por mim e o amor aos outros?

– «Não estás longe do reino de Deus».

O Reino de Deus acontece no agora da vida, não apenas na eternidade do «amanhã».

O que pode dizer-me Deus agora, quanto ao estar longe ou perto de mim o seu Reino?

– “Ele está no meio de nós!”

Em cada Eucaristia, reconhecemos a presença do Senhor que nos reúne e ama, repetindo esta confissão de fé.

É o desejo de amar a Deus e aos irmãos que me leva à Missa dominical? A comunhão do seu Corpo, que o Senhor nos oferece, aviva em nós esse amor na vida quotidiana?

  • Propósito e oração final

– Ao longo da semana, procuro estar atento(a) às oportunidades para manifestar de modo concreto o amor a Deus e para com o próximo, seja ele quem for.

– Cada participante, querendo, pode apresentar uma breve intenção de oração.

Pai Nosso

Oração

Senhor Jesus, 
que fizestes consistir em a plenitude da Lei 
no amor a Deus e ao próximo,
fazei que, movidos pelo Espírito,
vivamos na prática o que afirmamos viver na fé 
Vós, que sois Deus com o Pai
na Unidade do Espírito Santo.
Ámen

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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