Lectio divina para o 2º Domingo da Páscoa, Ano A

A liturgia da Palavra do II Domingo da Páscoa, em particular o Evangelho, coloca-nos no luminoso dia de Páscoa.
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Para lá das portas fechadas

Breve introdução

A liturgia da Palavra do II Domingo da Páscoa, em particular o Evangelho, coloca-nos no luminoso dia de Páscoa. Estes oito dias pascais vivemo-los como um só grande dia pascal. Neste segundo Domingo da Páscoa, Domingo da Misericórdia, Jesus Cristo dá-nos o dom do perdão dos pecados, ou seja, a sua misericórdia, que vem envolta na paz dispensada igualmente por Si. Das mãos traspassadas pelos cravos passam todas as bênçãos e graças do Céu. Apesar das portas fechadas que Jesus Cristo encontra, o Ressuscitado continua a vir à senda da história humana com a mesma força capaz de abrir as vidas a algo Maior.

1. Invocação

Senhor nosso Deus e nosso Pai,
que, por meio do Teu Filho Ressuscitado,
nos deixaste a tua misericórdia no perdão dos pecados,
acende em nós o desejo de sermos em cada dia
purificados e iluminados pela tua presença misericordiosa,
alimentados e fortalecidos pelo corpo eucarístico do teu Filho,
solícitos e generosos à voz do Espírito Santo em nós.
Amem.

2. Escuta da Palavra de Deus 

2.1. Evangelho segundo São João (Jo 20, 19-31)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».

Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome. 

Palavra da salvação.

2.2. Breve comentário

Para lá das portas fechadas, aquele primeiro dia da semana intenso e cheio de novidade traz à ‘luz do dia’ os encontros de Jesus Ressuscitado, com um novo modo de ser e aparecer, sem deixar de ter as marcas da cruz. O Ressuscitado, continuando a fazer-se passagem (Páscoa), vem derrubar as portas do medo, vem trazer a sua paz e o seu perdão, não só àqueles que ali estavam reunidos e com medo, como também a nós neste tempo em que vivemos. Jesus é O que vem sempre e mais uma vez para o meio da nossa vida e nos reúne à sua volta, em permanente Páscoa.

O episódio de Tomé mostra-nos que fora da comunidade é mais difícil ver Jesus. Mas, em comunidade, à imagem do nosso Deus que é comunhão, ver Jesus torna-se mais fácil. É neste tom de vida em comunhão, dos que se reúnem em nome de Jesus Cristo ressuscitado, que nos fala a 1ª leitura dos Atos dos Apóstolos: “Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações… viviam unidos e tinham tudo em comum”.

Mais do que a sua incredulidade, o caso de Tomé mostra também o seu ato de fé ao reconhecer Jesus Cristo, como seu Senhor e seu Deus. Já não tem necessidade de “meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no lado de Jesus”. O desejo de querer ver Jesus, para além da falta de fé de Tomé, é o desejo de querer estar com Jesus, de estar próximo dele, de O ter na sua vida. Que bom seria se tivéssemos também nós o desejo de tocar e de ver Jesus. Para nós, na Eucaristia, isso é possível.

O Senhor Ressuscitado, tal como a Tomé, também hoje nos pede para pormos o nosso dedo nas suas mãos feridas e no seu lado aberto que se manifesta em tantos dos nossos irmãos e por toda a humanidade. O encontro com o Senhor Jesus ressuscitado pede-nos isso. É o compromisso que devemos levar e realizar quando saímos de cada Eucaristia. Prolongar a Eucaristia é também tocar as feridas do Ressuscitado na humanidade

3. Silêncio meditativo e diálogo

“Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco»”. 

Aquele primeiro dia da semana é cada domingo, é cada semana que se inicia com a Páscoa Semanal.

Tenho a Eucaristia como primeiro dia para uma semana com Jesus Cristo no meio, e alegro-me com a sua presença?

“Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei»”.

Mal chega Tomé, os discípulos apressam-se a contar o encontro que tiveram, o seu coração jorra de alegria pascal. Tomé oferece alguma resistência a crer nessa alegria. 

Na Eucaristia, sinto que Jesus me encontra? Quando me encontro com Jesus Cristo, fico cheio de alegria e com o desejo de contar e partilhar esse encontro? 

“Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto»”.

Jesus vem continuamente à vida de Tomé, sem desistir. Tomé só precisa de estar no lugar certo. Há lugares na nossa vida onde não conseguimos ver Jesus.  

Reconheço que, na minha comunidade, Jesus Cristo está presente em particular quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia?

4. Desafio e Oração final

Ao concluir este grande dia de Páscoa, sou convidado a viver a Eucaristia como verdadeiro encontro com Cristo Ressuscitado e a anunciá-l’O por gestos e palavras, no encontro com os irmãos.

Terminar com a oração do Pai Nosso 

Deus Pai,
concede-nos que não nos fechemos em nós.
Dá-nos a força do sacramento pascal do teu Filho,
para nos sabermos amparados por Ele
no testemunho que queremos ser de Ti
no meio do mundo.
Amém.

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