Lectio divina para o 25º Domingo do Tempo, Ano C (Podcast)

Descarregue o podcast da Lectio Divina no seu telemóvel e faça a sua reflexão em qualquer lugar e a qualquer hora...

Texto: Pe. André Batista
Vozes: Daniela Pereira e Frederico Alves
Pós-Produção: José Simões

“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”

Introdução

No evangelho proposto para este domingo, Jesus continua o seu caminho até Jerusalém e desta vez não se dirige aos fariseus, aos escribas ou às autoridades, mas aos próprios discípulos e, deste modo, também a nós, hoje, alertando para a forma sábia de usar os bens materiais, concretamente o dinheiro.

Palavra de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas (Lc 16, 1-13)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».

Palavra da salvação

Breve comentário

Para compreender a parábola, é necessário saber que, naquele tempo, a forma de um administrador obter o seu ganho era aumentar a dívida dos devedores para obter a sua “comissão”; assim, o que este administrador fez, foi diminuir a sua margem para assim agradar aos devedores do senhor e granjear a sua simpatia.

Portanto, não é por este gesto que ele é designado como desonesto, mas pela sua conduta anterior. Aliás, é elogiado pela sua astúcia. Este administrador desonesto, mas astuto, sabe que o dinheiro tem um valor relativo e não tem problemas em trocá-lo por outros valores mais significativos: a amizade, a gratidão. Jesus conclui a história convidando os discípulos a serem tão hábeis como este administrador, usando os bens deste mundo, não como um fim em si mesmos, mas para conseguir algo mais importante e mais duradouro, os valores do “Reino”.

Continuando o seu discurso, Jesus concretiza a mensagem da parábola alertando os discípulos para a necessidade de priorizar os bens espirituais, eternos e duradouros, sobre os bens materiais egoístas, mesquinhos e perecíveis.

3. Silêncio meditativo e diálogo (cfr dehonianos.org)

• Para ganhar mais dinheiro, há quem trabalhe doze ou quinze horas por dia e prescinda da família e dos amigos; por dinheiro, há quem sacrifique a sua dignidade e apareça a expor, diante de uma câmara de televisão, a sua intimidade e a sua privacidade; por dinheiro, há quem venda a sua consciência e renuncie a princípios em que acredita; por dinheiro, há quem seja injusto, explore os seus operários, se recuse a pagar o salário do mês, porque o trabalhador é ilegal e não se pode queixar às autoridades… 

Que pensamos disto? Ser escravo dos bens é algo que só acontece aos outros? Até onde seríamos capazes de ir por causa do dinheiro?

• Jesus avisa os discípulos de que a aposta obsessiva no “deus dinheiro” não é o caminho mais seguro para construir valores duradouros, geradores de vida plena e de felicidade. É preciso que saibamos aquilo em que devemos apostar… 

O que é que nos torna mais livres, mais humanos e mais felizes: a escravidão dos bens ou o amor e a partilha?

• Todo este discurso não significa que o dinheiro seja uma coisa desprezível e imoral, do qual devamos fugir a todo o custo. O dinheiro (é preciso ter os pés bem assentes na terra) é algo imprescindível para vivermos neste mundo e termos uma vida com qualidade e dignidade… 

No entanto, Jesus recomenda que o dinheiro não se torne uma obsessão, uma escravidão, pois Ele não nos assegura (e muitas vezes até perturba) a conquista dos valores duradouros e da vida plena.

Oração

“Deus Pai, único mestre digno de ser servido,
nós Te damos graças pela confiança que depositas em nós;
confias-nos o teu Reino, que é infinitamente mais precioso que todos os bens da terra.
Nós Te pedimos: pelo teu Espírito, faz de nós filhos da luz,
inspira-nos o bom uso dos bens da terra
e a aptidão que convém ao teu Reino”

OUVIR
https://anchor.fm/leiria-fatima
Repositório PODCAST
http://l-f.pt/podlec

Esquemas alternativos em texto: https://lectio.leiria-fatima.pt

plugins premium WordPress