Lectio divina para o 19º Domingo do Tempo, Ano C (Podcast)

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Texto: José Henrique, P.
Vozes: Lígia Pinto, Rui Pinto e David Pinto
Pós-Produção: José Simões

«Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração»

Lectio Divina para o Domingo XIX do Tempo Comum (Ano C), 07.08.2022

Introdução

No caminho para Jerusalém, Jesus dirige-se ao “pequenino rebanho” que o acompanha, convidando-o ao desprendimento, à confiança e à vigilância. O Pai oferece-nos o tesouro do Reino, e é nesse tesouro que Jesus nos convida a centrar o coração. O caminho continua tendo sempre como horizonte a bem-aventurança eterna e, por isso mesmo, deverá ter também o compromisso de tudo fazer para tornar este mundo mais justo e mais habitável.

Na Eucaristia, acolhemos o Senhor Jesus que vem constantemente ao nosso encontro, nos senta à sua mesa e nos serve a Si mesmo como alimento, para nos fazer saborear, desde já, o banquete do Reino.

Palavra de Deus

Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Lucas (Lc 12, 32-48)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’, e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

Meditação

O texto do Evangelho deste domingo começa por nos situar na perspetiva da nossa caminhada de vida, como peregrinos do Reino: de “rins cingidos”, prontos a caminhar, desprendidos de nós mesmos, procurando a vontade de Deus para as nossas vidas, atentos aos desafios que Ele nos lança. E de “lâmpadas acesas”, para vencer as trevas das “noites da vida” iluminados pela fé, alimentada pela oração e pela Palavra de Deus. Confiantes, porque a presença constante de Deus não nos deixa sós. Vigilantes para acolher o Senhor que vem. 

É na descoberta deste “tesouro” dado pelo Pai, que o coração se pode desprender de si mesmo para olhar e cuidar dos outros com o olhar e o cuidado de Deus.

Para não perdermos o “tesouro” que o Pai nos dá, é preciso estar atento, ser vigilante.

  • «Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração»

Quais as minhas mais verdadeiras e profundas prioridades na vida? Onde está realmente o meu tesouro, e o meu coração? Sem deixar de me situar no meu mundo de relações, trabalhos, ocupações… procuro que o meu coração bata ao ritmo de Deus?

  • «Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes»

A nossa fé não nos retira do mundo. Pelo contrário, cada momento se torna mais precioso porque é um caminho para a eternidade. A vigilância situa-nos nesta atenção constante para não desperdiçarmos a vida: somos convidados a fazer frutificar todos os dons que somos e temos. «Por isso, – diz-nos o Papa Francisco – devemos viver e agir nesta terra com a nostalgia do Céu: com os pés no chão, caminhar na terra, trabalhar na terra, praticar o bem sobre a terra, mas com o coração nostálgico do Céu!»

O que faço para alimentar uma atitude vigilante? A oração, a escuta da Palavra, a celebração da Eucaristia, ajudam-me a viver cada momento como uma oportunidade para acolher o Senhor que vem? Ajudam-me a viver com desprendimento e no serviço aos outros?

  • «A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá»

Comprometer-se e assumir as próprias responsabilidades na vida pessoal, familiar, profissional, comunitária, política e eclesial é um apelo constante do Evangelho. Acolher este apelo faz-nos viver na terra com a “nostalgia do Céu”, procurando que a nossa vida se torne instrumento da construção do Reino de Deus neste mundo, acumulando, dessa forma, um “tesouro” no Céu.

Reconheço os dons, as capacidades e talentos que tenho e procuro pô-los ao serviço dos outros? Estou comprometido em algum serviço na comunidade? Procuro viver esse compromisso de uma forma responsável, como instrumento para a construção do Reino?

Oração

Senhor nosso Deus,
nós te damos graças pelo Reino dos Céus
que nos ofereces como tesouro inesgotável.
Nós te damos graças pelo Senhor Jesus,
que bate à porta do nosso coração para nos fazer sentar à sua mesa
e nos servir no banquete do Reino.
Nós te pedimos que nos concedas o Espírito Santo
para que Ele nos mantenha confiantes e vigilantes,
Comprometidos na construção do teu Reino de Amor no mundo.
Ámen.

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