Lectio divina para o 18º Domingo do Tempo, Ano C (Podcast)

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Texto: Gonçalo Diniz, P.
Vozes: Cristiana Lameiro e Paulo Lameiro
Pós-Produção: José Simões

Ricos aos olhos de Deus 

Lectio Divina para o Domingo XVIII do Tempo Comum (Ano C) – 31.07.2022

Introdução

Que imagem de Deus tem a nossa sociedade? Que imagem de Deus tenho eu? Estas duas questões podem ajudar-nos a compreender a pertinência e atualidade das palavras de Jesus que hoje meditamos.

Muitas pessoas que não acreditam em Deus, partem do princípio que nós, os cristãos, por sermos fracos, precisamos de Deus para resolver os nossos problemas. Esta visão, profundamente redutora de quem é Deus e de quem somos nós, infelizmente talvez não esteja muito distante daquilo que, como crentes, às vezes vivemos. É fácil querer que Deus esteja ao nosso serviço. Mas será isso que Ele quer? Será esse o caminho da nossa felicidade e realização?

Toda a vida de Jesus é uma expressão de serviço e amor de entrega. Para tal, Ele mostra-se livre de tudo e de todos, e, sobretudo, de Si próprio. De facto, só quando se tem um coração disponível e desprendido, se pode amar e servir. Só assim se é verdadeiramente rico e se pode saborear uma felicidade autêntica e contribuir para um mundo novo. 

Esse caminho, que Ele traçou com a Sua própria vida, é a proposta que também nos dirige a nós. Ser ricos aos olhos de Deus, vivendo ao serviço dos outros, de coração livre e desprendido.

Palavra de Deus (Lc 12, 13-21)

Vamos escutar o relato do Evangelho segundo São LucasNaquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’. Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».  

Meditação

«Mestre, diz a meu irmão…»

* Estou aberto a Deus e à Sua vontade ou caio na tentação de querer que Ele faça o que eu quero? Procuro ativamente a Sua vontade na oração, na meditação da Sagrada Escritura e na partilha com os outros?

«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens»

* Vivo com coração simples e agradecido, diante de Deus e dos outros? O que valorizo nos outros? E em mim?

«… Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus»

* Procuro bens materiais ou espirituais, honras e reconhecimento por parte dos outros, numa lógica de acumular para mim? Ou empenho-me em servir os outros com o que sou e tenho? Na celebração da Eucaristia reconheço o gesto de desprendimento total e de entrega de Jesus, buscando imitá-Lo na minha vida?

Oração

Senhor Jesus Cristo,
que vivestes a liberdade do amor e do serviço,
dai-nos um coração sempre aberto à Vossa Palavra.
Que o Vosso Espírito de amor faça com que a Palavra que escutamos
nos ilumine e transforme a nossa vida.
Que Ela desperte em nós o desejo de Vos amarmos mais
e de servirmos os nossos irmãos com simplicidade e liberdade de coração. Ámen.

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