Lectio divina para o 12º Domingo do Tempo Comum

Do ponto de vista litúrgico e celebrativo, o Tempo Comum não é de forma alguma um tempo menor ou de mais fraca mensagem cristã.

QUEM É ESTE HOMEM?

Lectio Divina para o Domingo XII do Tempo Comum (Ano B)

Breve introdução

Do ponto de vista litúrgico e celebrativo, o Tempo Comum não é de forma alguma um tempo menor ou de mais fraca mensagem cristã. Pelo contrário, pela diversidade de perspetivas que apresenta e pelos diferentes temas que propõe à reflexão e meditação, é particularmente abrangente de todas as realidades humanas e ilumina com a fé todos os entrelaçados com que a história se vai escrevendo. Ontem, hoje ou amanhã, todos passamos por experiências similares. Aqui, acolá, mais perto ou mais longe, há sempre alguém que vive aquele problema, que enfrenta aquela provação ou que se alegra com aquele momento. Nos tempos de particular provação, fazemo-nos fortes e lutamos sozinhos contra ventos e marés, esquecendo-nos de que Deus está sempre ali, ainda que muitas vezes de forma discreta e aparentemente adormecida.

A mensagem essencial do Evangelho deste domingo assenta em três ideias chave: a vida humana é uma constante tribulação, quer por circunstâncias exteriores quer por limitações próprias; Deus faz-se próximo dos dramas humanos e, com o Seu poder, concede a todos a Sua paz; reconhecendo-O assim, cresceremos na fé e caminharemos seguros pelas encruzilhadas que a vida a cada dia nos apresenta.

  • Invocação

Senhor Jesus, tu és o Deus próximo.
Nas tempestades que assolam as nossas noites,
estás connosco na barca da vida
e garantes-nos que contigo a nosso lado
os ventos e as ondas não nos vencerão.
Aumenta a nossa fé na tua presença discreta mas sempre ativa,
fortalece-nos nas nossas fraquezas,
ilumina-nos nas nossas dúvidas
e pacifica os nossos medos. Ámen.

  • Escuta da Palavra de Deus

2.1. Vamos escutar uma passagem do Evangelho segundo São Marcos (Mc 4, 35-41)

«De novo começou a ensinar à beira-mar»: (4,1) é assim que começa o capítulo quarto do evangelho de Marcos. Perante a grande a multidão que se aglomerara, Jesus viu-se obrigado a subir para um barco e daí começar a ensinar. Por meio de parábolas, tais como do semeador, da lâmpada ou do grão de mostarda, anuncia a todos Boa Nova do Reino de Deus.

É ainda aí, junto ao mar, que O vamos encontrar ao fim do dia (4, 35), despedindo-se da multidão, afastando-se na companhia dos discípulos e tomando a decisão de iniciar a travessia do Lago da Galileia. 

Todos os intervenientes, humanos e naturais, do episódio que se segue estão devidamente apresentados: Jesus Cristo e os discípulos estão na barca a atravessar o mar durante a noite.

  • Leitura do Evangelho segundo São Marcos (Mc 4, 35-41)

Naquele dia, ao cair da tarde,
Jesus disse aos seus discípulos:
«Passemos à outra margem do lago».
Eles deixaram a multidão
e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado.
Iam com Ele outras embarcações.
Levantou-se então uma grande tormenta
e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água.
Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada.
Eles acordaram-n’O e disseram:
«Mestre, não Te importas que pereçamos?»
Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente
e disse ao mar: «Cala-te e está quieto».
O vento cessou e fez-se grande bonança.Depois disse aos discípulos:
«Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?»Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros:
«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?»

 (momento de silêncio para interiorizar a Palavra)

2.3. Breve comentário 

O episódio da tempestade acalmada gira em torno de dois núcleos: o primeiro, centra-se em Jesus Cristo e no seu poder messiânico; o segundo, destaca a reação dos discípulos diante da tempestade e a forte repreensão de Jesus perante a falta de fé e confiança manifestada por eles.

A travessia foi da responsabilidade de Jesus: «Passemos à outra margem do lago», disse Ele aos discípulos. Desencadeada a tempestade, somos surpreendidos pelo evangelista que nos informa que Jesus vai a dormir à proa do barco. É um apontamento desconcertante, porque humanamente de difícil compreensão: como é que alguém pode ir a dormir, num barco a encher-se de água e prestes a afundar-se? De facto, o sono de Jesus não é fruto do cansaço de um dia cheio de trabalho nem da irresponsabilidade de quem não se importa com o destino daquela pobre barca. Pelo contrário, Ele mostra que é o Messias salvador ao levantar-se e falar com voz forte ao vento e ao mar, como se de seres humanos se tratasse: «Cala-te e está quieto».

Nas tempestades da vida e nas noites obscuras da existência humana, onde muitas vezes as forças do mal – aqui representadas no mar impetuoso e à primeira vista incontrolável – parecem levar a melhor, Aquele que parece estar a dormir e distante da sorte dos Seus, levanta-se e fala com voz forte, fazendo valer o Seu poder e concedendo aos que O rodeiam a paz e a serenidade de coração.

Da forma como nos é apresentado o texto, podemos depreender que, desde os primeiros sinais de tempestade, os discípulos enfrentam as ondas adversas com todas as forças e meios ao seu dispor. Muitos deles eram pescadores daquele lago, por isso conheciam bem as suas manhas e a forma de as levar de vencida. No entanto, daquela vez, as coisas estavam a tornar-se mais sérias. Por isso, resolveram acordar Jesus: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» Mais do que um pedido, estas palavras soam a repreenda e a chamada de atenção. 

A reação de Jesus é também surpreendente. Em vez de lhes louvar a coragem e determinação na luta contra as ondas contrárias, repreende-os severamente pela sua pouca fé: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?» As palavras de Jesus “dizem” duas coisas muito importantes: em primeiro lugar, a Sua presença no barco deveria ter sido suficiente para que eles, diante das dificuldades, tivessem mantido a confiança e não permitissem que o medo se apoderasse deles; em segundo lugar, para Jesus, era de supor que, por tudo o que tinham já visto, ouvido e vivido com Ele, a sua fé já fosse mais forte e consistente do que era: «Ainda não tendes fé?»

  • Silêncio meditativo e diálogo

«Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?» Senhor, neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!» (Papa Francisco, Momento extraordinário de oração em tempo de epidemia, Vaticano, 27 de março de 2020).

Em que circunstâncias da minha não tenho ouvido os apelos de Deus?

«Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?»  Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras. (ibidem)

Tenho sido capaz de crescer com os momentos de crise e dúvida por que tenho passado? Uso as armas da oração e do serviço para vencer as minhas faltas de fé?

«Porque estais tão assustados?  Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais. (ibidem)

Reconheço com humildade as minhas insuficiências humanas e espirituais? Na oração, convido Jesus Cristo a subir para a minha barca e a acompanhar-me na travessia do lago que é a minha vida?

  • Propósito e oração final 

Em silêncio, cada um responde à questão: qual o compromisso que faço com a Palavra escutada? O que vou transformar na vida por causa dela?

Cada família é convidada a fazer um momento de reflexão e partilha sobre as “tempestades” que assolam as suas vidas, pedindo a Jesus fé, coragem e confiança para, com Ele na barca, serem capaz de as ultrapassar e continuar a crescer no amor.

Para terminar, todos rezam o Pai Nosso.

Repositório LECTIO DIVINA
https://bit.ly/2W4uDI6

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