Entrevista a Paulo Campino, diácono permanente da diocese de Santarém

A diocese de Santarém tem diaconado permanente há cerca de uma década e meia. Para conhecermos mais de perto esta realidade, estivemos à conversa com o diácono Paulo Campino.

Solteiro, de 51 anos de idade e ordenado em 2014, é o atual diretor do Secretariado Diocesano da Catequese e membro do Conselho Pastoral Diocesano de Santarém.

 

 

Como surgiu a sua vocação ao diaconado permanente?

Não sei indicar um momento exato. Direi que sempre servi a Igreja diocesana e procurei viver de acordo com o Evangelho. E Deus faz em nós grandes maravilhas, serve-se de homens e mulheres pecadores e chama, bate à nossa porta. Quando abrimos, ceia connosco.

Foi isso que aconteceu comigo; a minha vocação é consequência da minha disponibilidade para servir os irmãos em comunidade. Um dia, o meu pároco fez-me a proposta e eu achei – como ainda acho – que não sou digno de tão grande graça por parte de Deus. Mas o padre José Abílio, nosso formador e responsável, tranquilizou-me, lembrando-me que nunca somos dignos, é Deus que nos conduz e salva.

 

Como foi o processo de preparação e ordenação?

Esta caminhada foi feita individualmente e em Igreja, pois não somos ordenados para nós, mas para o serviço e para sermos no mundo sinal de Cristo.

Individualmente, fui rezando e discernindo os sinais de Deus a respeito da minha vocação. Para isso, foi muito importante o diálogo com o diretor espiritual, os padres da equipa formadora e até outros diáconos.

Enquanto grupo, tivemos um ano propedêutico, em que fomos amadurecendo a ideia de virmos a ser diáconos e a descobrir os sinais de Deus que pudessem confirmar a nossa vocação. Depois deste tempo de reflexão e de muita, muita oração, escrevemos ao nosso bispo, manifestando o desejo de entrar em caminhada e em discernimento. Iniciámos, assim, um percurso de mais três anos. Tínhamos encontros mensais, para além de recoleções e retiros nos tempos fortes. Como eu já tinha formação em teologia, fui dispensado do curso básico, que era ministrado na escola diocesana de teologia e ministérios.

 

Como tem sido a sua experiência eclesial como diácono?

Tem sido uma experiência muito rica e bela. Tenho continuado a minha missão na catequese, mas agora com uma responsabilidade acrescida. Por outro lado, o estágio na paróquia e com os padres com quem tenho trabalhado tem contribuído para tomar consciência de estar ao serviço e disponível para ajudar o Povo de Deus a uma adesão mais consciente a Cristo.

 

Em sua opinião, qual tem sido o contributo dos diáconos permanentes para o enriquecimento espiritual e pastoral da Igreja diocesana?

A Igreja fica mais “plena” com os três graus do ministério ordenado. Os diáconos são a manifestação de uma Igreja serva, ao serviço dos mais fragilizados. Os diáconos colaboram na pastoral sacramental, na caridade e no anúncio da palavra e são uma mais-valia para as comunidades e uma forma de serviço de proximidade; por outro lado, o facto de os diáconos terem uma profissão, uma família, estarem mais inseridos no mundo, ajuda a compreender muitas circunstâncias da vida das pessoas e traz uma grande riqueza para a reflexão pastoral.

 

Como acha que é visto o papel do diácono permanente na diocese, pelos padres e leigos?

Estamos ainda numa caminhada de encontro e de descoberta. Para muitos padres, a realidade dos diáconos e a sua função ainda não é bem entendida e, diga-se em boa verdade, também há diáconos que ainda não têm uma visão clara da sua ordem e missão e qual deve ser a relação de corresponsabilidade com os párocos. Mas podemos dizer que a restauração do diaconado foi “ontem” e, portanto, temos todos muito a aprender uns com os outros.

Apesar deste caminho necessário, em oração e diálogo, há muito respeito mutuo e cada qual vai entender o seu lugar na comunidade. È fundamental que, quer uns quer outros, se ajudem nesta fraternidade e comunhão que é a Igreja e entendam que é o Povo de Deus e o anúncio do Evangelho que ficam a ganhar.

Em relação aos leigos, também há muito a descobrir e a entender. Há muitos leigos que ainda não distinguem a missão do diácono e a confundem com a do padre, mas tenho sentido sempre muita aceitação, muito respeito e carinho por parte das comunidades a quem tenho servido.

Em consciência, tenho de afirmar que ainda há muito caminho a fazer para que todos – padres, diáconos e leigos – entendam e vivam uma verdadeira Igreja que é comunhão e corresponsabilidade, uma igreja em que, como diz S. Paulo, há vários carismas que devem confluir para o bem do todo. E não há órgãos mais importantes do que outros, há sim serviços e missões diferentes, que devem ser realizadas sempre para o bem das pessoas e da Igreja. A palavra de toque para qualquer ministério é o serviço.

 

Tendo em conta essa experiência, que mensagem deixaria para os diocesanos de Leiria-Fátima, nesta ocasião de decisão do Bispo em avançar com o diaconado permanente?

Que confiem na decisão de D. António Marto, que é fruto da ação do Espírito Santo. Estou a responder a estas questões no domingo da Santíssima Trindade, mistério que só a ação do Espírito Santo nos permite entender. Ora, é esse mesmo Espírito que conduz a Igreja e, portanto, este é o tempo do diaconado permanente para a Igreja de Leiria-Fátima.

A segunda mensagem é que não esperem encontrar homens perfeitos, mas antes que estejam certos de que é a partir das nossas fragilidades que Deus faz maravilhas. E confiem em oração, rezem e apoiem aqueles que se disponibilizam para deixar que Deus faça maravilhas nas suas vidas.

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