Diocese comemora 97.º aniversário da restauração

No próximo dia 17, a Diocese celebra o 97.º aniversário da sua restauração, depois de ter sido extinta em 1882.

Aproveitamos esta data celebrativa para evocar uma outra, em que, enquanto Igreja, fomos convidados a refletir, com a ajuda do Espírito Santo, sobre a nossa identidade e a definir a rota a seguir. O Sínodo diocesano, realizado entre 1995 e 2002 e convocado por D. Serafim Ferreira Sousa e Silva, assumiu-se como “um marco de mudança nesta Igreja particular”. Volvidos quase dez anos desta caminhada diocesana, o PRESENTE apresenta os pontos que, segundo os grupos sinodais, mereciam uma maior atenção da comunidade diocesana. Mais do que uma evocação histórica, estas conclusões são um precioso contributo para animar a reflexão que cada um de nós deve fazer, enquanto diocesano de Leiria-Fátima.

Segundo dados estatísticos de 2013, a diocese de Leiria-Fátima tem cerca de 291 mil habitantes, 92% dos quais católicos, distribuídos por nove vigararias e 75 paróquias que a compõem. Se saber quantos somos é tarefa fácil, saber quem somos já se nos apresenta como um desafio constante, que nos interpela a um olhar permanente e simultâneo entre o passado e o futuro. Foi com esse objetivo que D. Serafim Ferreira Sousa e Silva convocou o Sínodo diocesano, que se viria a estender entre 1995 e 2002, sob proposta saida do Congresso Diocesano de Leigos de 1988.

No recenceamento de 2001, quase metade das pessoas afirmava-se não-praticante e registava-se um decréscimo da frequência da missa dominical de 9,1% desde 1991. Estes dados eram apresentados no início do documento que apresentava as principais conlusões sinodais, redigido em 2005. Da redação, constavam pontos que as equipas sinodais consideraram merecer uma maior atenção para o futuro que se avizinhava. Nesse futuro que se fez presente, fazemos agora o caminho inverso e apresentamos essas conclusões por áreas pastorais, apelando à avaliação de cada leitor sobre as mudanças propostas e a realidade atual.

Liturgia

Era manifestada a preocupação com a compreensão da linguagem e dos gestos, e com notórias deficiências na preparação das celebrações.

Religiosidade popular

Reconhecendo uma religiosidade que “assenta na piedade popular”, era apresentada a necessidade de uma catequese adequada que proporcionasse uma resposta de fé mais esclarecida aos fiéis.

Fátima

Alertava-se para o perigo da religiosidade de Fátima se poder prestar a um “aproveitamento deturpador, nomeadamente por parte de alguns setores mais conservadores da Igreja”. Falava-se sobre o perigo de algumas expressões de fé, como promessas, sacrifícios e peregrinações, se misturarem de `superstições’ e de outros elementos ainda não evangelizados da religiosidade popular.

Pastoral familiar

Constatava-se a “falta motivação e resistência em bastantes famílias à participação na vida da comunidade paroquial” e apresentava-se a necessidade da preparação para o matrimónio não se limitar aos aspetos burocráticos, jurídicos e rituais, mas levar os casais à compreensão das graças do sacramento.

Catequeses da infância e adolescência

O problema da falta de catequistas já se fazia sentir, sendo referida a falta de formação dos poucos que existiam em número insuficiente. Mais de metade dos catequistas não tinha o Curso de Iniciação. Ao nível da adolescência o “desinteresse” e o “cansaço” eram notórios. A falta de acompanhamento dos pais era um dos problemas enunciados.

Educação Moral e Religiosa Católica

Registava-se uma “diminuição de interesse pela frequência das aulas, sobretudo no ensino secundário pela falta de atração dos alunos, quer na temática, quer na metodologia” e a falta de incentivo e apoio ao ensino da disciplina no 1º ciclo do ensino básico.

Pastoral Juvenil

Durante o Sínodo, abordou-se com especial insistência a questão da inserção dos jovens na Igreja diocesana e apontaram-se passos para maior dinamização dos serviços a eles dedicados, através de uma urgente atualização de métodos, iniciativas e meios de aproximação às interpelações dos jovens, com “propostas ousadas”.

Catequese de adultos

Onde existia, limitava-se a um âmbito de formação genérica, pouco sistematizada e atingia um grupo muito restrito de pessoas. Falou-se da necessidade de implementar uma catequese de adultos “sistemática continuada e generalizada” e de recrutar catequistas para adultos e prepará-los doutrinal e pedagogicamente.

Movimentos eclesiais

Alertava-se para a “tentação do isolamento e do exclusivismo”, que poderia levar os movimentos a não se integram e cooperam com as comunidades existentes.

Meios de comunicação social

Era registada uma insatisfação quanto aos conteúdos, apresentação e divulgação dos meios então existentes e era enunciada a necessidade de fazer com que estes meios funcionassem “como espelhos da própria Igreja diocesana, na medida em que são, na sociedade, o rosto da vitalidade e dinâmica das suas comunidades e instituições.”

Escola Teológica de Leigos

Constatava-se uma oferta “demasiado académica e pouco dirigida à condição laical, à vida profissional e à realidade dos serviços na Igreja”, fazendo diminuir as inscrições, muitas das quais, mais por iniciativa própria, para enriquecimento pessoal, do que com vista a uma ação pastoral qualificada.

 

Uma restauração constante

O Sínodo diocesano assumiu-se como “um marco de mudança nesta Igreja particular”, mas alertava para o facto da concretização das mudanças a que propunha, dependerem “da fé e do empenho de cada um na tarefa que lhe cabe”. “Cada cristão é convidado a fazer sua esta proposta de renovação eclesial e social. O mesmo se diz de cada comunidade”, lia-se nas conclusões.
Passaram 97 anos desde a restauração da Diocese e quase dez da apresentação das conclusões do último Sínodo diocesano. Em caminho, cada um de nós é chamado a cumprir o seu contributo para que a Diocese se restaure na vontade renovada de cada um, em cada ano que passa.

 

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