D. António na apresentação da Peregrinação a Fátima: “São coisas da minha Mãe”

"As coisas da Mãe" estão para acontecer nestes dois dias em Fátima. Desta vez, com o esperado recinto despido de peregrinos, mas cheio de corações que iluminarão a noite nas casas de cada crente que se associará às celebrações através dos meios de comunicação social.

Estando São Pedro a guardar as portas do céu e vendo que havia gente a entrar à socapa sem passar o respetivo controlo, foi queixar-se ao seu superior:

– Senhor Jesus, há gente a saltar a barreira!

– Deixa lá. São coisa da minha Mãe.

Foto: Santuário de Fátima

Esta anedota, com bem mais graça contada pelo D. António Marto foi a chave com que encerrou o encontro do bispo da diocese de Leiria-Fátima com a comunicação social e que deu o pontapé de saída para a Peregrinação aniversária de Maio. Uma breve história que ajudou a ilustrar a resposta quando questionaram o cardeal acerca de alguns grupos que, nas redes sociais poderiam ameaçar a limitação do acesso ao recinto por ocasião das celebrações. “Faz parte da natureza humana” haver quem manifeste alguma rebeldia, justificou o bispo. Como pano de fundo a este assunto, estavam as notícias que circulavam nos espaços digitais e que davam conta de 3500 polícias em Fátima. “Completamente falso”, afirmou peremptoriamente o D. António Marto. Também já tinha tido uma conversa nesse sentido com o ministro da administração interna que negou qualquer tipo de fundamento nessas informações. “Tomara ele dispôr de um contingente com essa envergadura”, dissera noutra circunstância.

Do tamanho do mundo

“As coisas da Mãe” estão para acontecer nestes dois dias em Fátima. Desta vez, com o esperado recinto despido de peregrinos, mas cheio de corações que iluminarão a noite nas casas de cada crente que se associará às celebrações através dos meios de comunicação social. É por isso que, o prelado afirmava que “o Santuário de Fátima é hoje e amanhã do tamanho do mundo: estaremos aqui todos, espiritualmente, como Igreja”. Para o bispo é um contexto difícil, equiparável à pandemia de há cem anos e, por essa razão, a sua oração é dirigida, sobretudo, “aos doentes, desamparados e abandonados a um possível desespero”.

A epidemia da covid-19 também serve para “nós, cristãos, percebermos uma coisa que está no centro do Evangelho: a Salvação chega-nos pelo outro” e, por isso, há necessidade “de assumir as exigências que estão diante dos nossos olhos”. Estas afirmações serviam para, mais tarde, responder à questão que lhe seria feita acerca de alguns grupos da Igreja que se manifestavam contra o encerramento das igrejas e a suspensão das missas comunitárias. Para o cardeal, duas palavras nortearam as atitudes e as decisões que têm sido feitas no contexto da pandemia: responsabilidade e solidariedade. “Afectamo-nos mutuamente, as consequências sociais e económicas afetam-nos a todos”, diz D. António, que se socorre das palavras do Papa Francisco que afirma que ninguém deve ficar para trás, “que ninguém seja vítima da exclusão social”. E deixa uma palavra de expressão de solidariedade com as vítimas diretas e indiretas da pandemia, citando palavras de Nossa Senhora à irmã Lúcia: “eu nunca vos deixarei sós, o meu sagrado coração será o vosso refúgio que vos conduzirá até Deus”.

Responsabilidade e preocupação

No encontro com a imprensa, D. António Marto destacou a importância do papel da Igreja que, “com responsabilidade e preocupação, tomou todas as precauções nesta fase de desconfinamento. Alguém levantava a questão da possibilidade deixada em aberto pela ministra da saúde de poder abrir o recinto a uma participação física de peregrinos. O bispo lembrou uma série de comunicados que foram tornados públicos e que deixaram bem evidentes as razões da Igreja. “Salvaguardar a saúde pública” é razão de sobeja para este confinamento do Santuário e que é, também, “uma expressão do mandato do amor ao próximo”. A Igreja não deixa os seus créditos por mãos alheias, costuma dizer-se, e a sua milenar tradição ensinou a dar as melhores respostas nos tempos mais difíceis, respostas nem sempre desejadas. E D. António Marto confessava ainda uma preocupação pessoal: “eu não quereria ficar na história como o responsável pelo agravamento da pandemia”; se acontecesse alguma desgraça, a responsabilidade recairia sobre si e, ainda mais sobre a Igreja. Aproveitou para confidenciar ter recebido dezenas de emails “agressivos e ofensivos, até com o próprio Papa”, por algumas decisões mais impopulares para alguns setores da Igreja e que o deixaram chocado. Mas também ficou muito comovido pelas inúmeras manifestações de apoio pela confirmação da realização da Peregrinação nos módulos em que vai ser feita.

“São coisas da minha Mãe…”

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