D. António Marto celebrou 25 anos de ordenação episcopal

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O cardeal D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, celebrou na quarta-feira, 11 de fevereiro, 25 anos da sua ordenação episcopal. Neste aniversário jubilar, o bispo emérito de Leiria-Fátima presidiu à missa na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na qual deu graças pelo seu ministério episcopal.

“São os 25 anos da minha ordenação episcopal, que quero celebrar convosco, em atitude de louvor e de ação de graças ao Senhor. Agradeço a vossa oração por este simples e humilde servo e trabalhador da vinha do Senhor e aproveito também este momento para vos saudar com todo o afeto fraterno em Jesus Cristo e no amor de Nossa Senhora”, começou por dizer D. António Marto.

O atual bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, concelebrou a missa, e, no final, agradeceu o dom da vida de D. António Marto, desde o batismo ao seu ministério episcopal. De forma específica, destacou o serviço de D. António Marto no ensino da Palavra de Deus, a reflexão sobre a Igreja, como teólogo, bem como o seu trabalho nas dioceses de Viseu, Leiria-Fátima e no Santuário de Fátima.

“Agradecendo a Deus, também Lhe pedimos que continue a dar-lhe essa alegria e esse espírito de serviço e de fraternidade amiga que sempre o caracterizou”, disse D. José Ornelas.

A concelebrar estiveram também D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco, D. Manuel Pelino, bispo emérito de Santarém, e D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima. A todos o jubilado agradeceu a amizade fraterna.

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“Onde há o cuidado e a ternura, nasce a esperança”

Neste dia da memória litúrgica da Virgem Santa Maria de Lurdes, na homilia, o cardeal D. António Marto ofereceu uma meditação sobre o mistério das Bodas de Cana. Do episódio do primeiro milagre público da vida de Jesus, o presidente da celebração deduziu atitudes concretas para a vida cristã e em particular para o Dia Mundial do Doente que hoje se celebra.

Da atenção de Maria, que percebe a falta de vinho nas bodas, o presidente da celebração deduziu a atenção solícita e providente a que cada cristão é chamado, da instrução de Nossa Senhora para que os serventes fizessem o que Jesus pedisse, deduziu a necessidade da colaboração humana no serviço aos mais necessitados; e da ação dos serventes, estabeleceu um paralelo com a cultura do cuidado, cumprida através de pequenos gestos.

Por fim, a partir da intercessão de Maria junto de Jesus, D. António Marto reforçou a importância de uma misericórdia atenta, que vê além do visível e carrega as preocupações e os sofrimentos dos outros.

“Como em Caná, Nossa Senhora, com a sua mensagem aqui em Fátima, ensina-nos e chama-nos à compaixão com quem sofre. Abrir o coração a universalidade do amor, a ser solidário com os irmãos e irmãs necessitados, de modo que ninguém se sinta abandonado”, afirmou D. António Marto, ao olhar para a esperança presente na mensagem de Fátima. 

“Onde há o cuidado e a ternura, a dor não fica sozinha. Onde há o cuidado e a ternura, nasce a esperança. E quem cuida do enfermo ou de alguém fragilizado, é um anjo da esperança”, concluiu o bispo emérito de Leiria-Fátima, antes de uma prece final a Nossa Senhora.

“Ó mãe, guarda a nossa vida entre os teus braços, abençoa e fortalece todo o desejo de bem. Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção pelos pequenos e pobres, pelos excluídos e sofredores, pelos pecadores e os de coração transviado. Reúne a todos sobre a tua proteção maternal e a todos entrega ao teu amado filho, Jesus, nosso Senhor e Salvador”, pediu.

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D. António Marto agradece o muito que recebeu dos peregrinos

No final da celebração, D. António Marto expressou um profundo sentimento de gratidão e alegria em partilhar este momento de ação de graças pela sua vida como bispo, dirigindo uma palavra particular aos peregrinos de Fátima, a quem agradeceu a reciprocidade e comunhão.

“Sempre me cruzei aqui com tanta gente peregrina e se algo da minha parte pude oferecer aos irmãos, também recebi muito de todos que por aqui passaram e, por isso, estou muito grato”, disse o bispo emérito de Leiria-Fátima, que atualmente reside na Cova da Iria.

António Augusto dos Santos Marto nasceu a 5 de maio de 1947 em Tronco, Chaves. Depois de frequentar o Seminário de Vila Real e o Seminário Maior do Porto, foi estudar em Roma, onde viria a ser ordenado presbítero em 1971. Ali, especializou-se em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana.

D. António Marto foi ordenado bispo a 11 de fevereiro de 2001, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real, tendo sido bispo auxiliar de Braga até 2004, altura em que assumiu o episcopado de Viseu. A 22 de abril de 2006, foi nomeado bispo de Leiria-Fátima e recebeu, no Santuário de Fátima, o Papa Bento XVI, em 2010, e o Papa Francisco por duas vezes, em maio de 2017, no centenário das Aparições, e em agosto de 2023, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa.

Durante o seu episcopado em Leiria-Fátima, D. António Marto foi feito cardeal pelo Papa Francisco a 28 de junho de 2018. Em janeiro de 2022, foi sucedido por D. José Ornelas na diocese de Leiria-Fátima. É atualmente membro do Dicastério para as Causas dos Santos da Santa Sé. Participou no conclave que elegeu o Papa Leão XIV, em maio de 2025 e no primeiro consistório deste pontificado, que se realizou no início de janeiro do presente ano.

Homilia integral

Nossa Senhora do Cuidado e da Ternura

Celebramos hoje a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes e o Dia Mundial do Doente. Acresce ainda a ação de graças pelos 25 anos da minha ordenação episcopal. É para mim motivo de alegria poder partilhar convosco este momento de graça da minha vida de bispo. Desde já quero saudar a todos com fraterno afeto no amor de Jesus Cristo.

Convido-vos a fazer juntamente comigo uma meditação inspirada e iluminada pela passagem do Evangelho que acabámos de escutar sobre as bodas de Caná. Começamos por interrogar-nos: Que ensinamento podemos tirar do mistério das bodas de Caná para o Dia Mundial do Doente e para as fragilidades e enfermidades da nossa humanidade? Vamos fixar-nos sobretudo na presença e na atitude de Maria.

Espelho da ternura e da misericórdia de Deus

Nas bodas de Caná, Maria é a mulher e Mãe atenta, solícita que se apercebe de um problema importante para os esposos e os convidados: “Não têm vinho”: acabou o vinho, símbolo da alegria, da festa do amor e da comunhão. Dá-se conta da dificuldade e age sem demora. Não fica a olhar, mas dirige-se a Jesus e apresenta-lhe o problema como é.

Desde logo, põe à nossa contemplação a missão de Maria. Ela está ali, junto de Jesus e dos discípulos, como Mãe providente e orante que cuida dos filhos e intercede pelo bem de todos. Na solicitude e no cuidado de Maria espelha-se a ternura, a misericórdia de Deus.

Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe amorosa, de olhar vigilante, atento, bondoso como o olhar do seu Filho; temos uma mãe com o coração materno e cheio de misericórdia como o Filho; uma mãe com mãos que desejam cuidar e ajudar como as mãos de Jesus que repartiam o pão com quem tinha fome, que tocavam os doentes e curavam. 

Ela sabe captar as necessidades das pessoas, mesmo as mais impercetíveis, porque olha com os olhos cheios de amor – que vê mais para além do visível – e comunica a Jesus. É próprio da misericórdia cuidar dos outros, carregar as suas preocupações e seus sofrimentos. Isto enche-nos de confiança e abre-nos à graça e à misericórdia de Cristo e leva-nos a testemunhá-la.

Chamados a servir a ternura e a esperança aos necessitados

No episódio de Caná, além da presença de Jesus e sua Mãe, temos também a presença dos “serventes” à mesa, que recebem de Maria esta recomendação: “Fazei o que Ele vos disser”! Por sua vez, Jesus serve-se da colaboração humana dos serventes a fim de encherem as talhas de água para ele realizar o milagre. Que bela e grande lição! Eles obedecem com generosidade. Confiam na Mãe fazendo imediatamente o bem que lhes é pedido, sem lamentações nem cálculos.

“Fazei o que Ele vos disser” continua a ressoar no nosso coração este convite de Nossa Senhora a cada um de nós para viver cada dia com os olhos fixos em Jesus para que Ele encha sempre de novo as talhas da nossa vida na fonte do seu amor misericordioso e para que nós sirvamos a sua ternura a todos os necessitados. 

A mesma ternura e o mesmo cuidado de Maria vemo-los presentes na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem identificar as suas necessidades porque veem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu pai ou sua mãe idosos, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõem a sua súplica nas mãos de Nossa Senhora! Como é precioso e admirável aos olhos de Deus ser serventes da ternura de Deus aos outros!

A cultura do cuidado começa com pequenos gestos de ternura: uma presença fiel, uma palavra que conforta, uma mão que segura outra mão, um sorriso afetuoso, um silêncio respeitoso que por vezes fala mais que as palavras. Onde há o cuidado, a dor não fica sozinha; onde há o cuidado, nasce a esperança. Quem cuida dum enfermo, de alguém frágil, é um Anjo de Esperança! 

Os gemidos da humanidade ferida invocam compaixão

Não têm vinho: a falta do vinho representa todas as carências existenciais que suscitam numerosos gemidos ou clamores que encontram eco no coração da mãe. Por isso o cuidado e a ternura da Mãe estendem-se a toda a humanidade enferma e ferida por tantos conflitos, sofrimentos e misérias. Como em Caná, Maria continua atenta, a escutar os numerosos gemidos angustiantes do nosso mundo que invocam misericórdia, compaixão e salvação, como por exemplo: o gemido dos que vivem o drama  da solidão e do abandono; o gemido dos indefesos, de crianças abusadas e de mulheres vítimas de violência doméstica; o gemido dos sem abrigo; o gemido das vítimas das guerras e calamidades; o gemido da crise existencial de muitos que perderam o sentido da vida e caíram num vazio de esperança na bondade da vida e no futuro; o gemido de quem perdeu Deus e vive uma profunda crise religiosa. A experiência mostra que no mundo sem Deus prevalecem as divisões e o ódio entre as pessoas e os povos, a falta de amor, de perdão, de paz e de esperança.

Como em Caná, Nossa Senhora com a sua mensagem em Fátima, ensina e chama à compaixão com quem sofre, a “abrir o coração à universalidade do amor”, a ser solidários com os irmãos e irmãs necessitados, de modo que ninguém se sinta abandonado. Fátima é uma mensagem de esperança para os gemidos inconsoláveis. Nossa Senhora continua a dizer-nos hoje o que disse a Lúcia: “Tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio”!  Confiemos, pois, a Nossa Senhora da Saúde, Senhora de Caná, todos os sofredores e cuidadores e todas as feridas da nossa humanidade com uma oração do Papa Francisco, de santa memória:

Mãe querida,
Guarda a nossa vida entre os teus braços: 
abençoa e fortalece todo o desejo de bem;
Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção
pelos pequenos e pobres, pelos excluídos e sofredores,
pelos pecadores e os de coração transviado;
reúne a todos sob a tua proteção 
e a todos entrega ao teu amado Filho,
Jesus Nosso Senhor e Salvador. Amen! 
(Papa Francisco)

† Cardeal António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima

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