Na viragem para o século XX, Maria Elisa Andreoli, sua mãe e duas amigas decidem consagrar-se ao Senhor, no serviço filial a Nossa Senhora. Cerca de uma década depois, o encontro com a espiritualidade da reparação vem conferir-lhe o carisma que perdura até aos nossos dias.
Fraternidade e inspiração mariana,
ao serviço de Deus e dos irmãos

Mas isso não lhe chegava e, em julho de 1900, convida a mãe e as amigas Agnese Vimercate e Carmela Rigonese, todas com o mesmo desejo de consagração a Deus, para formarem uma pequena comunidade. Começam por se dedicar ao ensino das crianças e jovens mais pobres e à colaboração na pastoral paroquial, mas rapidamente estendem a sua ação, por exemplo, ao tratamento dos doentes carenciados. Unidas espiritualmente à Ordem dos Servos de Maria, pelos quais obtêm a agregação à Ordem Terceira Secular, optam pela Regra de Santo Agostinho. O bispo de Adria, D. Antonio Polin, aprovou as sua Constituições e, em 1903, instituiu-as canonicamente como família religiosa.
Oito anos depois, o contacto com Maria Inglese (Ir. Maria Dolores da Reparação), terciária dos Servos de Maria desde 1892 e iniciadora do movimento “Pia Opera da Reparação”, irá ajudar à definição da sua identidade. A espiritualidade de reparação mariana entra no seu ADN e fica gravada no nome que assumem desde 1913: Congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras”.
Carisma
A frase evangélica “Foi anunciar aos discípulos «vi o Senhor» e as coisas que Ele lhe disse” (Jo 20, 18) é uma inspiração fundamental para a Congregação. Ou, como traduzia a fundadora: “Como discípulas amadas, enviadas a anunciar o Evangelho, para que Jesus Cristo seja amado e conhecido”.
Hoje, as irmãs continuam a encontrar na Madre Elisa o exemplo perfeito deste carisma. Dela aprendem o valor fundamental da vida fraterna e as recíprocas relações de caridade, e é com a mesma sensibilidade para ouvir a voz do Espírito que procuram assumir os serviços apostólicos que correspondem às exigências vivas da Igreja e da humanidade. Procuram viver e testemunhar o Evangelho em comunhão fraterna, servindo a Deus e aos irmãos e irmãs, inspirando-se constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor.
Expansão e vinda para a Diocese

Hoje, estão presentes em 11 países, entre os quais Portugal, onde chegaram a 13 de maio de 1973. A comunidade de Nossa Senhora do Rosário de Fátima foi aberta como casa de oração, espaço privilegiado para as irmãs da Congregação viverem períodos intensos de formação permanente e participarem nas várias iniciativas do Santuário. Esta casa é, ainda, o local escolhido para as reuniões dos conselhos gerais e provinciais e para os encontros de formadores, bem como para acolhimento a peregrinos.
Como explica a superiora, irmã Maria Chiara Della Mura, “vivemos a espiritualidade da Congregação em profunda comunhão com a Mensagem de Fátima, especialmente a dimensão da reparação, elemento constitutivo da nossa identidade carismática, e procuramos participar da vida e missão da diocese de Leiria-Fátima, especialmente na catequese e em serviços vários no Santuário”.
A Congregação chegou a ter uma outra comunidade em Junceira, diocese de Santarém, mas viria a encerrar.
Testemunho Vocacional
“Pedia ao Senhor que iluminasse o meu caminho”

Conheci as irmãs Servas de Maria Reparadoras desde pequena, como interna nas colónias onde estudava. Tinha uns 15 anos quando uma irmã me perguntou o que gostaria de ser quando crescesse. Eu respondi que ainda não tinha pensado nisso e ela deu-me um livro onde relatava as várias vocações: religiosa, matrimonial, leigos, etc. Comecei a refletir, a rezar e a perguntar-me o que o Senhor queria de mim. Comecei a ir à Missa todos os dias e pedia ao Senhor que iluminasse o meu caminho para tomar uma decisão certa.
Com a enchente de 1954, os meus pais perderam a casa e tudo o que tinham, por isso os meus tios que viviam nos Estados Unidos chamaram a minha família para emigrar para lá. Os meus dois irmãos mais velhos partiram logo, mas eu e a minha irmã éramos de menor idade e tínhamos de ser acompanhadas pelo meu pai, que estava doente e não podia viajar. Então, eu li este acontecimento como um sinal de que não deveria ir, mas permanecer na Itália.
Dentro de mim estava a amadurecer o chamamento do Senhor, pois já sentia o desejo de ser consagrada. Neste período, trabalhava na casa de uma família a cuidar de uma criança, frequentava todos os dias a Missa na igreja de Nossa Senhora das Dores, pois era muito devota, e pedi a Nossa Senhora a coragem para tomar uma decisão. Até que escrevi uma carta para as irmãs, manifestando o meu desejo de ingressar na Congregação… e a resposta foi positiva.
Contei aos meus pais o desejo de ir para o noviciado em Rovigo. Eles não queriam deixar, porque a minha irmã mais velha já tinha ido alguns meses antes. Continuei a rezar e a insistir, até que me permitiram partir. Entrei na congregação das Servas de Maria Reparadoras em 1959, fiz a primeira profissão religiosa em 1960, fui para Roma estudar e, depois, fui enviada para várias comunidades ao serviço dos irmãos e irmãs.
Uma etapa forte no meu caminho foi a celebração dos meus 25 anos de vida religiosa, pois fortaleci a minha experiência de sentir-me amada e chamada por Deus e também da preciosidade do dom da vocação.
Em 1993, vim para esta comunidade de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, onde vivo a missão junto do Santuário, no acolhimento aos peregrinos que aqui chegam para fortalecerem a sua fé e esperança. Neste espaço me sinto feliz e realizada na minha vocação como consagrada, ao serviço do Senhor na pessoa dos irmãos e irmãs, cumprindo o núcleo do nosso carisma: a reparação, a inspiração e a dedicação marianas.
Ir. Chiara Della Mura
Números
No mundo
Casas: 56
Membros: 311 com votos perpétuos, 11 junioristas e 13 formandas.
Em Portugal/Diocese
Casas: 1
Membros: 3
Mais nova: 40 anos
Mais velha: 76 anos
Média etária: 62 anos