A 1.ª Comunidade de S. Tiago Maior dos Marrazes, da Diocese de Leiria-Fátima, realizou entre os dias 17 e 29 de junho uma peregrinação à Terra Santa, assinalando o culminar de uma caminhada de cerca de 30 anos no Caminho Neocatecumenal.
Ao longo destes dias, os peregrinos percorreram alguns dos lugares mais significativos da história da salvação, celebrando a fé nos locais onde Jesus nasceu, viveu, anunciou o Reino, morreu e ressuscitou. Mais do que uma viagem aos cenários da Bíblia, esta peregrinação constituiu uma experiência espiritual profunda, permitindo redescobrir que a Palavra de Deus não é apenas o relato de acontecimentos do passado, mas a narração da ação de Deus na história concreta dos homens e dos povos, uma ação que continua viva também hoje.

Um dos momentos mais marcantes da peregrinação teve lugar no dia 25 de junho, com a visita ao Patriarcado Latino de Jerusalém, onde o grupo foi recebido pelo Bispo auxiliar, D. William Shomali. Nesse encontro estiveram presentes duas comunidades portuguesas, entre as quais a comunidade dos Marrazes.
D. William Shomali manifestou a sua alegria por receber o grupo, sublinhando que, desde o ataque de 7 de outubro de 2023 e da guerra que se lhe seguiu, a Terra Santa tem recebido muito poucos peregrinos, situação que agrava a difícil realidade vivida pelas comunidades cristãs locais. Referiu mesmo que este tinha sido o primeiro grupo recebido no patriarcado desde há muitos meses e que já não tinha memória de quando ali teria sido acolhido, pela última vez, um grupo vindo de Portugal.
Em nome dos peregrinos, o padre Javier Romero, responsável pelo Caminho Neocatecumenal na Zona Norte de Portugal, agradeceu o acolhimento recebido e manifestou a proximidade, a amizade e a oração das comunidades portuguesas pelos cristãos da Terra Santa, que vivem como minoria e enfrentam dificuldades crescentes.
Na sua intervenção, D. William Shomali recordou a longa história de Jerusalém, marcada por sucessivas dominações e por repetidas tentativas de apagar a memória cristã dos lugares santos. Apesar dessas vicissitudes, explicou, nunca deixou de existir uma presença cristã que, muitas vezes de forma humilde e quase clandestina, preservou ao longo dos séculos a memória dos lugares ligados à vida de Jesus.
O bispo abordou ainda as tensões que persistem em torno de alguns lugares santos, frequentemente reclamados por diferentes comunidades religiosas, reconhecendo a complexidade destas situações. Contudo, fez questão de concluir a sua intervenção com uma mensagem de esperança. Recordou a Europa devastada por duas guerras mundiais, que foi capaz de se reconstruir e de encontrar caminhos de unidade, e evocou a reunificação da Alemanha após a queda do Muro de Berlim, estabelecendo um paralelo com a queda dos muros de Jericó, como sinal da força da esperança e da oração.
Este encontro teve lugar após um dia de peregrinação em Belém, onde o grupo conheceu igualmente a difícil realidade vivida pelos cristãos locais. Além da visita aos lugares santos, os peregrinos encontraram-se com uma guia cristã e visitaram uma cooperativa de artesãos cristãos, cuja atividade foi profundamente afetada pela quase total ausência de peregrinações desde o início do conflito. Para muitas famílias cristãs, o regresso dos peregrinos representa não apenas um apoio económico, mas também um importante sinal de comunhão e esperança.
Ao longo dos dias passados na Terra Santa, entre 17 e 29 de junho, o grupo encontrou um ambiente de tranquilidade. Sem ignorar a complexidade da situação que se vive na região, a experiência concreta desta peregrinação revelou uma realidade mais serena do que aquela que frequentemente é transmitida pelos meios de comunicação social. Os peregrinos regressaram com a convicção de que continuar a visitar a Terra Santa constitui também uma forma concreta de apoiar as comunidades cristãs que ali permanecem, testemunhando a sua fé nas circunstâncias mais difíceis.
O Caminho Neocatecumenal é um itinerário de iniciação cristã para adultos, vivido em pequenas comunidades paroquiais, ao serviço dos bispos e dos párocos, que procura redescobrir e aprofundar as riquezas do Batismo através da escuta da Palavra de Deus, da celebração da liturgia e da vida fraterna em comunidade. Os seus Estatutos foram aprovados definitivamente pela Santa Sé em 2008, reconhecendo este itinerário como um instrumento válido ao serviço da iniciação cristã e da educação permanente da fé.
Desde o seu início, o Caminho Neocatecumenal tem sido acompanhado e encorajado pelos sucessivos Papas. São Paulo VI viu nele um fruto providencial da renovação conciliar; São João Paulo II reconheceu os abundantes frutos de conversão e de evangelização que suscitava na Igreja; Bento XVI aprovou definitivamente os seus Estatutos; o Papa Francisco enviou centenas de famílias em missão e incentivou repetidamente o Caminho a perseverar no anúncio do Evangelho; e o Papa Leão XIV, dando continuidade a esse acompanhamento pastoral, já recebeu em audiência os iniciadores e responsáveis internacionais e voltou a encorajar a sua missão evangelizadora ao serviço da Igreja.
Para os membros da comunidade de Marrazes, esta peregrinação ficará gravada no coração como um dom imenso. Rezar nos lugares onde Jesus viveu, morreu e ressuscitou não significou apenas recordar acontecimentos passados: foi deixar que esses mesmos acontecimentos falassem hoje às suas vidas e renovassem a sua fé. Foi também regressar com uma consciência mais viva de que Cristo continua presente, não só nos lugares santos, mas também na vida concreta dos homens e mulheres do nosso tempo, especialmente daqueles que sofrem e esperam.