Coisas do arco da velha

Desta maravilhosa conversa de Deus com Noé, retenho duas frases: «nunca mais um dilúvio devastará a terra». «Farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra».

Já tinha feito há muito aquela experiência frustrante de correr pelos campos em busca do apoio do arco-íris, quando, depois de ver nos livros a explicação científica do fenómeno- da sua existência e da minha incapacidade para encontrar o tal ponto de apoio-, li com um pouco mais de atenção a impressionante história bíblica do dilúvio:

Aí, quando tudo parecia já acabado e do mundo só restavam os homens e os animais que se haviam refugiado naquela barca sem contactos com o exterior – por isso lhe chamaram arca – o Senhor Deus, vem de novo à procura do homem, mais uma vez perdido no mundo, que parecia irreconciliável com ele.

“Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e nunca mais um dilúvio devastará a terra».

Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: FAREI APARECER O MEU ARCO SOBRE AS NIVENS, QUE SERÁ O SINAL DA ALIANÇA ENTRE MIM E A TERRA. Sempre que Eu cobrir a terra de nuvens e aparecer nas nuvens o arco, recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos, e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas». (Gen 9, 8-15)

Desta maravilhosa conversa de Deus com Noé, retenho duas frases: «nunca mais um dilúvio devastará a terra». «Farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra».

Confesso que há muita coisa que me encanta na leitura dos livros sagrados, que nós reunimos, talvez com mais comodismo do que rigor, sob o nome de Bíblia: uma palavra muito pratica, funcional, mas que, por ter perdido, na mente da generalidade das pessoas, a sua motivação original, precisaríamos de enquadrar melhor na imagética cultural dos nossos dias.

Pois, repito, há muita coisa que me encanta na leitura dos livros sagrados, pois são, no seu conjunto, um enorme repositório de produtos artísticos e porque são sagrados. Sagrados e artísticos, como não podia deixar de ser, tratando-se de instrumentos da comunicação entre Deus e o homem.

Não admira, por isso, que me prenda de modo especial este passo do primeiro livro do conjunto de setenta e nove que designamos por Bíblia: Deus, numa conversa íntima, pessoal, com o homem, ao qual oferece uma aliança sem contrapartidas; o homem, que, apesar de ainda esmagado pela memória daquela destruição terrível, para todos os efeitos tomada como um castigo, contempla a natureza e descobre nela os sinais da gratuitidade dessa mesma aliança.

«Farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra».

Seria interessante tentar reconstruir o processo mental de que se serviu o Criador para que o homem, que desde a queda original, sente um enorme desconforto no meio da natureza, percebesse que tudo quanto o rodeia, incluindo o seu próprio ser, é puro dom, tão envolvente e ilimitado como o arco-íris, festival de cores, projectando-o para uma distância inalcançável, porque se confunde com o infinito divino.

Arco-íris, Arco da Velha Aliança!

Recordação permanente de que nada tem sentido nesta vida, se queremos fixar tudo na terra, ao pé do que alcança a nossa curteza de vistas, esquecidos de um Deus que ama de tal modo a Sua obra, que quis fazer parte dela: Criador e Redentor, onde a Velha Aliança se encontra e se funde com a Nova, com Jesus Cristo, em Quem o Céu se une à Terra , para que Deus seja, de facto, tudo em todos.

Faz parte do nosso ADN cultural um enorme acerbo de expressões nascidas na Bíblia e durante séculos dela dependentes. A secularização sistemática da sociedade, em muitos casos imposta pela própria escola, tem tirado a alma a essas expressões, entre as quais se encontra precisamente a de “coisas do arco da velha”.

Retirado da página facebook do autor

Quem há aí que se lembre de que o arco da velha é o arco-íris, apresentado pelo livro do Génesis como sinal da aliança de Deus com o homem e com todo o mundo criado? O livro usa a palavra “sinal”, que, em si mesmo considerado, diz menos que o símbolo e pode coexistir com muitos outros.

Mas é disso mesmo que se trata: se um fenómeno natural marca a língua de um povo, que é o documento mais autêntico da história desse povo, com exemplos de leitura transcendente, repito, leitura transcendente da natureza, não seria de ajudar mais as gerações novas a descobrir e interpretar correctamente essas marcas?

Não deveria isso fazer parte integrante das matérias de uma Introdução à Cidadania?

Perguntar não ofende.

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